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Blog do Desemprego Zero

Archive for março 4th, 2009

Os paulistas só pensam em São Paulo?

Postado em 4 dEurope/London março dEurope/London 2009

Paulo Henrique AmorimPH Amorim

Não é justo, portanto, que São Paulo – com o poder econômico que tem – também controle o poder político.

Esse princípio orientou a formação do que seria o Ministério de Tancredo Neves.

Tancredo se recusou a dar o Ministério da Fazenda a Olavo Setubal, dono do Banco Itaú, prefeito de São Paulo, e candidato ostensivo ao Ministério da Fazenda.

Tancredo considerava que ele, o Presidente Tancredo, tinha que ter o controle pessoal sobre duas pastas: a Economia e a Justiça, que Fernando Lyra ocupou.

Essas são algumas das revelações do livro “Daquilo que Eu Sei”, que Fernando Lyra lança na segunda-feira (16/03), em Recife, provavelmente na companhia do neto de Tancredo, Aécio Neves.

Em entrevista por telefone a Paulo Henrique Amorim, o ex-deputado e candidato a vice-presidente na chapa de Leonel Brizola, Fernando Lyra discutiu as idéias de Tancredo que ele reproduz no livro.

“Tancredo escolheu o banqueiro Olavo Setúbal para o Ministério das Relações Exteriores, porque não queria um paulista no comando da economia”, disse.

“São Paulo não poderia ser o que é e ainda comandar o Ministério da Fazenda”, completa.

Foi por esse motivo que Tancredo escolheu Francisco Dornelles – seu sobrinho – para chefiar a área econômica.

Com isso, o próprio Tancredo seria o ministro de fato, segundo Lyra.

“O problema desde aquela época já era São Paulo”, lembra o autor.

E esse quadro não mudou, pois a disputa pela sucessão de Lula envolverá o PSDB e o PT, partidos que, a rigor, não existem fora e São Paulo.

Aécio não é PSDB – diz Lyra. Aécio é mineiro.

Por isso, segundo Lyra, o paulista José Serra evita as prévias que Aécio defende.

Porque Serra não quer se submeter ao escrutínio nacional, justamente por ser paulista.

“Aécio poderá nesse período se tornar mais nacional do que o Serra”, afirma Lyra.

Para Lyra, não é só Aécio, nem foi só Tancredo quem teve a percepção de que era preciso afastar São Paulo do controle político -  se já tem o controle da economia.

Isso é uma percepção de todo brasileiro, diz Lyra.

Todo brasileiro que tem a visão de que é preciso criar um contrapeso ao poder econômico de São Paulo.

Porque São Paulo só pensa em São Paulo, diz Lyra.

São Paulo não pensa o Brasil.

“Nós admiramos São Paulo, que é o ponto alto do desenvolvimento econômico brasileiro. Eu não tenho nada contra São Paulo, mas os paulistas não podem ser donos do Brasil”, completa Fernando Lyra.

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Noam Chomsky : “Capitalismo só existe no terceiro mundo”

Postado em 4 dEurope/London março dEurope/London 2009

Intelectual americano critica protecionismo dos EUA e diz que o poder do capital é imposto à força nos países pobres

Por Maíra Magro

Fonte: ISTOÉ, Edição 2051 – 4 MAR/2009.

Ele foi considerado o intelectual mais importante do mundo pelo jornal The New York Times. Em 2005, ficou no topo da lista dos principais acadêmicos do planeta, segundo pesquisa feita pelas influentes revistas Foreign Policy, dos Estados Unidos, e Prospect, da Inglaterra. Aos 80 anos, Noam Chomsky, americano descendente de judeus russos, é reconhecido também como o papa da linguística moderna, por ter revolucionado a área com suas pesquisas sobre aquisição de linguagem. Professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) há mais de meio século, Chomsky é também filósofo e comentarista político. A decisão de nadar contra o pensamento político dominante veio com a guerra do Vietnã, nos anos 60. Publicou mais de 70 livros e mil artigos. Em geral, obras de repercussão mundial sobre atentados terroristas, neoliberalismo e política internacional. Um dos maiores críticos da política internacional americana, Chomsky está lançando no Brasil Estados fracassados: o abuso do poder e o ataque à democracia (Bertrand, 349 págs., R$ 45), no qual argumenta que os Estados Unidos assumiram as características de um Estado fracassado e padecem de um déficit democrático. Nesta entrevista concedida à ISTOÉ, o intelectual diz que não vê perspectivas de mudanças com o presidente Barack Obama, mas deposita um mar de esperanças na América do Sul: “Neste momento, é a região mais interessante do mundo.”

ISTOÉ – Barack Obama pode mudar o que o sr. chama de “Estado fracassado”?

Noam Chomsky – Possibilidades sempre existem, mas não há nada que aponte para isso. As nomeações têm sido basicamente do lado dos falcões (defensores da guerra), e as ações também. Obama intensificou a guerra no Afeganistão, aumentou os ataques ao Paquistão e rejeitou os apelos dos presidentes desses países para eliminar os bombardeios que atingem alvos civis.

Quanto à questão de Israel e da Palestina, ele já deixou bem claro que não tem a intenção de buscar um acordo. Em sua primeira declaração sobre política internacional, afirmou que a responsabilidade primária dos Estados Unidos é proteger a segurança de Israel, e não a dos palestinos, que são os que precisam de proteção. Leia o resto do artigo »

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Crise ameaça futuro do setor do etanol nos EUA

Postado em 4 dEurope/London março dEurope/London 2009

Fonte: Valor

Por Ricardo Balthazar, de San Antonio (EUA)

A crise econômica internacional atirou a indústria de etanol dos Estados Unidos numa encruzilhada, interrompendo a expansão vertiginosa observada nos últimos três anos e alimentando dúvidas sobre sua capacidade de sobrevivência sem mudanças nas políticas governamentais que estimulam a produção de biocombustíveis no país.

Pelo menos 23 usinas americanas fecharam as portas nos últimos meses. Instalações capazes de processar 6,4 bilhões de litros de álcool por ano tornaram-se ociosas, o equivalente a um quarto da produção anual das destilarias brasileiras. Uma das maiores empresas do setor, a VeraSun, pediu concordata e pôs à venda cinco das suas 16 usinas. 

O consumo de combustíveis está caindo nos EUA, porque as pessoas estão dirigindo seus carros com menos frequência para economizar e enfrentar a recessão. Isso reduziu a demanda por etanol, que as refinarias americanas usam principalmente como aditivo na composição da gasolina. A capacidade instalada nas usinas do país é hoje mais do que suficiente para atender às necessidades das refinarias. Leia o resto do artigo »

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A lógica dos bancos

Postado em 4 dEurope/London março dEurope/London 2009

Fonte: Isto é

Medidas do governo deveriam reduzir juros, mas instituições financeiras preferem adotar postura defensiva contra inadimplência

Por Octávio Costa

Os bancos no Brasil têm razões que a própria razão desconhece. Com a economia de vento em popa, praticavam juros e spreads muito elevados porque os custos operacionais e os tributos eram muito altos. Também tomavam por referência a taxa básica de juros, Selic, fixada nas alturas pelo Banco Central (BC) para exorcizar os riscos inflacionários. Mas o cenário mudou. E, para enfrentar a crise econômica mundial e assegurar o fluxo de crédito no País, o governo criou uma série de facilidades para os bancos: liberou R$ 100 bilhões em depósito compulsório, baixou a Selic e reduziu os impostos sobre operações financeiras. Como consequência lógica, esperava-se o aumento no volume de crédito e a queda das taxas de juros e dos spreads. Mas isso não aconteceu. E, diante da perplexidade geral, o chefe do departamento econômico do Banco Central, Altamir Lopes, encontrou uma explicação: “Os bancos fizeram um movimento defensivo, com juros maiores, esperando um aumento maior da inadimplência. O que não ocorreu.”

A bem da verdade, o spread médio, a diferença entre as taxas de aplicação e captação, caiu 0,3 ponto, de 30,7% para 30,4%. Mesmo assim, ficou bem aquém da redução da taxa Selic, de um ponto percentual em janeiro. Os juros nas operações para pessoas físicas ficaram em 54%, no mês de janeiro, segundo as estatísticas do BC. Mas o custo do cheque especial foi de 172% ao ano. Nas operações para pessoas jurídicas, como financiamento de capital de giro, as taxas aumentaram. Nem o Banco do Brasil nem a Caixa Econômica deixaram de acompanhar essa tendência. Na análise da Serasa Experian, que pesquisa os níveis de inadimplência, “o ambiente de incerteza causou retração da oferta de recursos, os prazos de empréstimos encurtaram e as taxas de juros subiram”. Em resumo, “os bancos ficaram mais conservadores na hora de conceder crédito às empresas”. Leia o resto do artigo »

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A Grande Ilusão

Postado em 4 dEurope/London março dEurope/London 2009

Depois da farra, o colapso – o choque, a confusão e a revolta no país mais afetado pela crise econômica mundial 

Por JOÃO M. SALLES

Um relatório da Organização das Nações Unidas publicado em outubro de 2007 afirmava que a Islândia, segundo todos os indicadores sociais, havia superado a Noruega e era agora o melhor país do mundo para se viver. Exatamente um ano depois, em 6 de outubro passado, boa parte dos 320 mil islandeses parou para ver o primeiro-ministro Geir Haarde se dirigir à nação. Era o meio da tarde, um horário fora do comum – os canais abertos islandeses começam a transmitir às 18 horas. Ainda assim, lá estava ele, severo, atrás de uma mesa tão sombria quanto seu semblante, tendo ao fundo a bandeira do país. Haarde falou por onze minutos. Ao concluir, disse:

Compatriotas, se jamais houve um momento em que a nação islandesa precisou demonstrar coesão e estoicismo na adversidade, este momento é chegado. Frente à tempestade que se inicia, exorto as famílias a conversarem entre si, a não se deixarem dominar pelo desespero, ainda que para muitos as perspectivas sejam sombrias. Precisamos explicar aos nossos filhos que o mundo não está à beira do apocalipse e que temos de arrancar, do fundo de nós mesmos, a coragem para enfrentar o futuro. Que Deus abençoe a Islândia.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra

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