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Blog do Desemprego Zero

Archive for fevereiro, 2009

Fim de pesadelo

Postado em 26 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009

Fonte: O Globo

O Brasil continuará dependente de importações de gás natural nos próximos anos, mas em breve não somente da Bolívia. Embalado pelo sonho de atrelar o empobrecido país vizinho a uma nova onda de progresso da indústria brasileira, nossos governantes acabaram se envolvendo numa empreitada política de alto risco com a Bolívia. O Brasil se comprometeu a adquirir um volume considerável de gás boliviano antes mesmo que sua produção fosse efetivamente iniciada (e viabilizada em termos comerciais). E, para transportar o gás, bancou a maior parte do investimento num um gasoduto do lado boliviano, embora a Petrobras fosse minoritária no empreendimento.

No momento que mais precisou desse gás, os bolivianos resolveram mudar as regras do jogo, e quase deixaram o Brasil desabastecido. De todo esse episódio ficou a lição que o Brasil precisava redobrar esforços para aumentar sua produção doméstica de gás natural, além de diversificar suas fontes externas de suprimento. Leia o resto do artigo »

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Vendas para a Argentina caem 50%: Protecionismo e recuo nas compras argentinas de carros têm forte impacto na balança comercial brasileira

Postado em 25 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009

Fonte: O Estado de São Paulo

Por Alberto Komatsu

As barreiras comerciais impostas pela Argentina, aliadas à forte queda na compra de veículos fabricados no Brasil, têm um impacto na balança comercial brasileira mais intenso do que o que a crise internacional vem provocando nos demais mercados para onde o Brasil exporta.

Em janeiro deste ano, as vendas externas brasileiras foram US$ 3,5 bilhões menores que as do mesmo mês do ano passado. Mais de 40% desse recuo (US$ 1,4 bilhão) é atribuído à América Latina. Para a Argentina foi exportado, em dólares, a metade do valor de janeiro de 2008.

O desempenho das exportações por região foi compilado pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), com dados do Ministério do Desenvolvimento e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

De acordo com o estudo, a América Latina mais o Caribe formavam o maior mercado de destino de produtos brasileiros (em valores), com 27,13% de participação em janeiro do ano passado. Essa fatia recuou para 21,99% no mês passado. Com isso, os latinos foram ultrapassados pela União Europeia (UE) na lista de mercados da pauta comercial brasileira. Leia o resto do artigo »

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Débora, a senhora protecionismo: ministra argentina joga pesado com governo brasileiro

Postado em 25 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009

Fonte: O Estado de São Paulo

O mais recente conflito comercial entre Brasil e Argentina tem como protagonista a mesma figura que aterrorizou os negociadores brasileiros entre 2000 e 2002. A economista Débora Giorgi, 51 anos, voltou aos embates bilaterais em dezembro passado, quando foi nomeada titular do Ministério da Produção. Com o mesmo discurso nacionalista, Débora congelou os três ministros brasileiros que tentaram recentemente convencer o governo argentino a desmontar o arcabouço protecionista.

Débora deixou para o chanceler Jorge Taiana a missão de explicar o verniz da posição argentina – a preservação das licenças automáticas, dos requisitos de preço mínimo e das medidas antidumping que têm bloqueado as importações de produtos brasileiros. Leia o resto do artigo »

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O País das urgências e o aniversário de Darwin

Postado em 24 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009

Fernando J. Cardim de Carvalho

Fonte: Carta Maior

O Brasil é um país de urgências. Reais, prementes. Era urgente controlar a alta inflação que corroeu a economia nacional por três décadas. Era urgente evitar a crise do sistema bancário resultante do controle da inflação. Foi sem dúvida urgente tomar medidas para evitar o contágio das crises mexicana (de 1994), asiática (de 1997), russa (de 1998), etc, ao qual nos expomos quando os liberais de FHC resolveram desmontar os controles que limitavam os movimentos de capitais de curto prazo para dentro e para fora do país. Era urgente, naturalmente, combater a fome. É urgente, agora, conter e reverter a crise que herdamos dos americanos, e assim por diante.

Nos movemos de urgência em urgência, e não é surpreendente que assim seja, já que continuamos a ser um país em desenvolvimento, com grandes demandas e enormes vulnerabilidades, mesmo que algumas destas últimas sejam auto-infligidas, parte daquilo que há poucos anos atrás se chamava de herança maldita, resultante da adesão, com o entusiasmo e ortodoxia dos recém convertidos, a um liberalismo que já dava sinais de exaustão no resto do mundo, mas que chegou aqui, pelas mãos de FHC, e continuou durante o palloccinato, em meados dos anos 1990.

É natural atacar primeiro os problemas urgentes, mas é também comum a tendência a considerar urgentes apenas os problemas cuja solução pode ser conseguida no curto prazo. Há uma certa inclinação a confundir problemas de longo prazo com aqueles cuja solução pode ser encaminhada “mais tarde”. Assim, é urgente, por exemplo, atacar o problema da fome. Como dizia o saudoso Betinho, quem tem fome tem pressa. Mas o problema da fome não é apenas o problema da provisão imediata de alimentos a famílias famintas, ele é também o problema do emprego, que dará solução durável e sustentável ao problema da fome. É preciso urgentemente combater a crise que nos ataca do exterior, mas o combate bem sucedido à crise não se esgota em medidas de criação de emprego emergencial, das famosas frentes de trabalho, ou assistenciais, ele exige a implementação de projetos que garantam que a economia será capaz de manter esses empregos mesmo quando o impulso inicial se esgotar, como fatalmente ocorrerá em algum momento. Leia o resto do artigo »

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Palavra de Prêmio Nobel…

Postado em 24 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009

“Por que simplesmente não ir adiante e estatizar? Quanto mais convivermos com bancos zumbis, mais difícil será a recuperação econômica” (Paul Krugman, New York Times, 24/02/09).

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Robinson, Chávez e Lula

Postado em 24 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009

Por Mino Carta

Fonte: CartaCapital

Ocorre-me Robinson Crusoe, o herói de Daniel Defoe. Que se deu com ele quando, finalmente retirado da ilhota no meio do oceano, voltou para casa? O escritor baseava-se em uma história verdadeira, de um marinheiro de sobrenome Selkirk que vivera a mesma aventura. Não sei que aconteceu quando do retorno.

Brasil e Venezuela são mares de desigualdade e Lula e Chávez são Robinsons resgatados pelo povo em lugar de um barco de Sua Majestade. Robinson/ Selkirk, ouso imaginar, logo no regresso frequentou alguns lupanares e entornou copos e copos de rum. A olhos aristocráticos, caiu na gandaia, mesmo para aqueles senhores que não deixavam por menos.

E Lula e Chávez? Exageraram? Exorbitaram? Este, na visão da elite venezuelana, certamente. Aquele, esforçou-se para aparar arestas e agradar aos senhores, sem resultados notáveis, de inúmeros pontos de vista. Neste nosso país de democracia oligárquica, como diz Fábio Konder Comparato, o ódio de classe é sentimento insopitável.

Robinson/Chávez espraiou-se de um lado. Com o apoio popular, vai lançar ao mar uma ditadura de fato. Cuidado com os ditadores, mesmo que simpatizemos com eles, porque, de alguma forma, atormentam o império americano. Muitos, de resto, ascenderam ao poder em meio à euforia das massas.

Lula/Robinson navegou na rota oposta, embora conte com aprovação popular bem mais consistente do que a do colega venezuelano. Não se esperem dele atentados à democracia. Favores, porém, à oligarquia.

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Em breve: capitalismo 3.0

Postado em 23 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009

Dani Rodrik

Valor Econômico – 13/02/2009

O capitalismo está em meio às dores de sua crise mais severa em muitas décadas. A combinação de recessão aguda, deslocamentos econômicos mundiais e estatização eficaz de grandes faixas do setor financeiro nas economias mais avançadas do mundo desarrumou profundamente o equilíbrio entre mercados e Estados. Como o novo equilíbrio será atingido ninguém sabe ao certo.

Os que preveem o perecimento do capitalismo precisam enfrentar um importante fato histórico: o capitalismo possui uma capacidade quase ilimitada de reinventar-se. De fato, sua maleabilidade foi o que lhe permitiu superar crises periódicas ao longo de séculos e sobreviver a críticos, de Karl Marx em diante. A verdadeira questão não é se o capitalismo pode sobreviver – porque a resposta é que pode -, mas se os líderes mundiais demonstrarão a liderança necessária para levá-lo a sua próxima fase, enquanto saímos de nossos atuais apertos.

O capitalismo não tem equivalente quando se trata de liberar a energia econômica coletiva das sociedades humanas. É por isso que todas as sociedades prósperas são capitalistas, no sentido mais amplo do termo: são organizadas em torno da propriedade privada e permitem aos mercados desempenhar um grande papel na alocação dos recursos e determinação das recompensas financeiras. A questão é que nem os direitos de propriedade, nem os mercados conseguem funcionar por si sós. Precisam de outras instituições sociais para apoiá-los.

Os direitos de propriedade, então, dependem de tribunais e do cumprimento da lei, enquanto os mercados dependem de as autoridades reguladoras domarem os abusos e consertarem as falhas de mercado. Na área política, o capitalismo requer mecanismos de transferência e compensações para fazer com que seus resultados sejam aceitáveis. Como a atual crise voltou a demonstrar, o capitalismo precisa de dispositivos de estabilização, como uma instituição de crédito de última instância e políticas fiscais anticíclicas. Em outras palavras, o capitalismo não é autogerado, autossustentado, autorregulado ou autoestabilizado. Leia o resto do artigo »

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Bancos chineses voltam a emprestar. Viva o capitalismo 3.0

Postado em 23 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009

Paulo Henrique AmorimPor Paulo Henrique Amorim

Saiu no Economist:

“O sinal mais animador é a recuperação do empréstimo bancário. Os controles de credito foram suspensos em outubro e os bancos rapidamente voltaram a emprestar. Empréstimos novos em janeiro foram duas vezes maiores do que um ano atrás…”

Saiu na coluna de Dani Rodrik, um dos melhores economistas americanos:

“A lição não é que o capitalismo esteja morto. Mas, que é preciso reinventá-lo para um novo século em que as forças da globalização econômica são muito mais poderosas do que antes. Assim como o mínimo capitalismo de Adam Smith se transformou na economia mista de Keynes, agora precisamos conceber uma transição da versão nacional de economia mista para sua contra partida global.”

Um dos escombros do sistema neoliberal, encontrados no buraco em que se afundou o Muro de Berlim é a “independência” do Banco Central.

O Banco Central “independente” de Alan Greenspan jogou do lado do governo conservador de George Bush e: 1) contestou a redução de impostos em tempo de guerra, e quebrou as contas públicas americanas: e 2) ficou sentado em cima das mãos e  deixou o mercado financeiro correr solto, até quebrar pra valer.

O Banco Central “independente” do Brasil é totalmente dependente dos bancos – de seus interesses comerciais e de sua ideologia.

Na China, os bancos são estatais.

Como em breve serão o Citi e o Bank of America, os maiores bancos (privados …) americanos.

E o governo chinês mandou os bancos emprestarem.

Aqui, o Banco Central, presidido pelo presidente do BankBoston, não mandou os bancos emprestarem.

Deu dinheiro a rodo aos bancos e se escondeu atrás de sua pétrea mediocridade para não fazer nada.

Um dia, o Brasil dará um chute definitivo nos neoliberais e vai aderir ao capitalismo 3.0.

A primeira vitima será, se tudo correr bem, a “independência” do Banco Central.

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