Fim de pesadelo
Escrito por beatriz, postado em 26 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009
Fonte: O Globo
O Brasil continuará dependente de importações de gás natural nos próximos anos, mas em breve não somente da Bolívia. Embalado pelo sonho de atrelar o empobrecido país vizinho a uma nova onda de progresso da indústria brasileira, nossos governantes acabaram se envolvendo numa empreitada política de alto risco com a Bolívia. O Brasil se comprometeu a adquirir um volume considerável de gás boliviano antes mesmo que sua produção fosse efetivamente iniciada (e viabilizada em termos comerciais). E, para transportar o gás, bancou a maior parte do investimento num um gasoduto do lado boliviano, embora a Petrobras fosse minoritária no empreendimento.
No momento que mais precisou desse gás, os bolivianos resolveram mudar as regras do jogo, e quase deixaram o Brasil desabastecido. De todo esse episódio ficou a lição que o Brasil precisava redobrar esforços para aumentar sua produção doméstica de gás natural, além de diversificar suas fontes externas de suprimento.
Dessa forma, investimentos foram acelerados para se antecipar a produção de reservatórios recém-descobertos. As malhas regionais de dutos estão também sendo interligadas para que se possa transportar gás de norte a sul.
Ainda assim, qualquer paralisação no fornecimento boliviano poderá pôr em risco a geração de energia elétrica e a produção industrial nas regiões Sul e Sudeste do país. A solução para essa permanente ameaça virá dos sistemas de regaseificação implantados pela Petrobras. O primeiro deles, funcionando junto ao porto de Pecém, no Ceará, recebeu as primeiras cargas de gás natural liquefeito (GNL), que abastecerão usinas termoelétricas da região. O segundo sistema, instalado na Baía de Guanabara, também estará em condições de operar no período seco da região Sudeste, no inverno, quando as chuvas escasseiam e os reservatórios das hidrelétricas começam a esvaziar.
Em meados da próxima década o pesadelo do desabastecimento terá sido afastado de vez, quando os poços do pré-sal já estiverem produzindo. Ainda haverá a ajuda do talvez único ponto positivo do desaquecimento da economia: menor consumo relativo de insumos, entre eles o gás.










