Brasil e Índia querem triplicar balança comercial até 2010
Escrito por beatriz, postado em 19 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009
Fonte: DCI
Por Karina Nappi
SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Índia Devisingh Patil, anunciaram, esta semana, a intenção de triplicar a relação comercial entre Brasil e Índia até 2010. De acordo com Lula, os dois países têm potencial para elevar o comércio bilateral de US$ 3 bilhões para US$ 10 bilhões nos próximos dois anos.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) as relações comerciais entre Brasil e Índia estão há dois anos com déficit. No ano passado, as transações comerciais entre os dois países foram deficitárias em US$ 2,461 bilhões para o Brasil, valor que superou o saldo negativo de 2007, que ficou em US$ 1,211 bilhão.
As exportações brasileiras para a Índia somaram US$ 1,102 bilhão, valor 15,1% acima do registrado em 2007. No entanto, as importações brasileiras de produtos indianos, apresentou um crescimento de 64,3%, na comparação entre os dois últimos anos, passando de US$ 2,169 bilhões para US$ 3,564 bilhões.
No relatório geral de importações brasileiras a Índia passou 1,80% para 2,06%, na mesma comparação, ocupando a 11ª colocação no ranking de fornecedores de produtos ao Brasil, três acima da ocupada em 2007. Já a Índia ocupou a 40ª posição dentre os mercados de destino de produtos brasileiros, quatro abaixo em relação ao ano anterior.
Segundo informações do Mdic, os produtos industrializados responderam por 66,4% do total exportado e os produtos básicos, por 33,6%. Em relação ao ano anterior, os produtos semimanufaturados e manufaturados cresceram 6,4% e 34% respectivamente, enquanto os produtos básicos cresceram apenas 5,3%.
O conselheiro de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Giam Battista informou que os principais produtos exportados para a Índia no último ano foram os equipamentos elétricos, petróleo e derivados e aparelhos mecânicos. “A Índia quer atrair produtos que eventualmente possam ser fabricados no próprio país, por isso o crescimento dos produtos industrializados”, afirma.
Em 2008, as importações brasileiras de produtos da Índia foram compostas por 95,8% de produtos industrializados e 4,2% de básicos. Se comparado com 2007, houve um crescimento de grande porte nos produtos básicos (395,5%) e também elevação nos semimanufaturados (126,7%) e manufaturados (59,3%).
A empresa brasileira Aboissa, que exporta mensalmente 50 toneladas de óleos vegetais para a Índia, não está favorável a intenção de Lula. “Hoje é mais barato para a empresa importar produtos indianos e intermediar com os demais países sem entrar no Brasil, do que exportar o produto brasileiro”, relata o operador de mercado Caio Castelli.
Levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic mostra que existem possibilidades de ampliação das vendas por parte do Brasil, tanto de produtos agrícolas quanto de bens industrializados, como exemplo: carne de aves, soja em grãos e farelo, bens de informática e laminados planos.
O analista de comércio indiano da Celex, Cláudio Fisch, enfatizou que a dificuldade de comércio entre os países deve-se especialmente a disparidade cultural existente. “A Índia valoriza a comunicação local e o aprendizado que possa ser adquirido, por isso, as empresas que querem exportar devem manter no mínimo, um representante comercial no país”, ressalta.
A mesma pesquisa mostra que, para os indianos, há possibilidade de aumentar a venda para o Brasil de óleos combustíveis, joias, tecnologia, produtos químicos e medicamentos.
“O mercado indiano está receptivo com a carne de aves do Brasil, esta pode ser uma grande oportunidade para o restabelecimento do equilíbrio da balança comercial entre os dois países. Para isto, é indispensável reduzir tarifas de importação”, alegou o presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Francisco Turra. Com o intuito de ampliar seu mercado de exportação Bruno Leone, presidente da empresa fabricante de produtos automotivos, está com viagem marcada para Índia. “O objetivo desta primeira ida é conhecer o país, a cultura e as empresas.”










