A indústria automobilística teve forte retração
Escrito por beatriz, postado em 7 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2009
Fonte: Último Segundo
O recuo na produção industrial refletiu o comportamento negativo dos 27 ramos pesquisados, exceto de celulose e papel (0,4%) e outros equipamentos de transporte (6,7%), segundo o IBGE.
A indústria de veículos automotores recuou 39,7% e teve o principal impacto negativo no índice global, seguido por máquinas e equipamentos (-19,2%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-48,8%), metalurgia básica (-18,3%), borracha e plástico (-20,1%), indústria extrativa (-11,8%) e outros produtos químicos (-9,0%). Esse quadro de queda generalizada foi especialmente marcado pelo movimento de setores mais sensíveis à restrição de crédito e a queda das exportações de commodities.
Resultado do ano
O IBGE avaliou que o setor industrial brasileiro sustentou ritmo de alta até o terceiro trimestre de 2008 e que o resultado positivo no ano se deve a esse período, especialmente no primeiro semestre.
O crescimento, segundo o instituto, se baseou no aumento da demanda interna, nas vendas externas de commodities e na expansão dos investimentos.
Já no último trimestre, a indústria interrompeu uma sequência de 20 trimestres de expansão. Segundo o instituto, “a mudança do quadro macroeconômico a partir de setembro teve efeito imediato sobre a
atividade industrial”, com a interrupção na série de crescimento correspondendo exatamente ao período de agravamento da crise financeira internacional e à menor disponibilidade de crédito.
Revisão
O IBGE divulgou hoje uma revisão significativa no resultado da produção industrial de novembro ante outubro de 2008, que passou de uma queda de 5,2% apresentada anteriormente para um recuo de 7,2%. Também foi revisado o resultado de outubro ante setembro de 2008 (-2,8% para -1,4%) e de setembro ante agosto (crescimento de 1,8% para 1,4%). Houve revisão também no resultado de novembro ante novembro de 2007, de -6,2% para -6,4%.
IEDI – Com o resultado de dezembro de 2008 para a produção industrial anunciado hoje pelo IBGE, a indústria brasileira cresceu 3,1% no ano passado, porém, com uma dramática reversão nos três meses finais do ano. Tomando setembro como referência, a produção do setor encolheu nada menos do que 19,8% até dezembro. Esse foi o resultado da retração de 1,4%% apurada em outubro, somada à queda de 7,2% em novembro e 12,4% em dezembro. No último trimestre do ano com relação ao mesmo período de 2007, a indústria teve queda de 6,2% e, em relação ao terceiro trimestre de 2008, na série com ajuste sazonal, a retração chegou a 9,4%.
Seria inevitável um forte revés da indústria brasileira diante da gravidade da crise internacional. Um fator peculiar à fase em que se encontrava o crescimento industrial brasileiro pode ser considerado
também como um determinante do maior impacto da crise sobre a indústria nacional. Trata-se da acentuada dependência do crescimento industrial brasileiro a apenas dois setores de um total de 27
segmentos classificados pelo IBGE, quais sejam, indústria automobilística e máquinas e equipamentos. Esses dois setores isoladamente eram responsáveis por quase 40% do crescimento industrial de 6,5% acumulado no período janeiro/setembro de 2008. Tendo a presente crise afetado precisamente os setores automobilístico e bens de capital no Brasil e em todo mundo, era incontornável uma forte retração industrial no país. A queda da produção industrial foi, no entanto, muito mais ampla em razão das políticas de juros e de crédito.
O Banco Central não reagiu à altura da gravidade da crise ao manter por tempo demasiadamente longo a taxa de juros básica muito elevada que vigorava no país (13,75% a.a.) antes da redução finalmente decidida pela autoridade monetária em janeiro último (para 12,75% a.a.). Também não obteve êxito nas medidas que adotou com o objetivo de restaurar o crédito interno. Este sofreu uma dramática retração tão logo teve início a crise internacional e só muito parcialmente, e com taxas de juros extraordinariamente mais elevadas, vem reagindo às medidas adotadas. Estas consistiram basicamente em ações pontuais e tímidas na área do crédito setorial, como nos casos do financiamento para exportação e crédito agrícola. A observação que se faz pertinente é que em outros
países, que em geral dispõem de instrumentos mais limitados do que o Brasil, medidas muito mais fortes foram acionadas. No caso brasileiro, as ações principais consistiram em ampliações significativas na liquidez bancária sob a forma de reduções de recolhimentos compulsórios dos bancos. O montante de recursos liberados alcançou quase R$ 100 bilhões, mas, como não houve qualquer indução para que esta enxurrada de liquidez abastecesse o crédito, não houve recuperação deste e tampouco a maior liquidez serviu para evitar que as taxas de juros dos financiamentos aumentassem vigorosamente.
Já é passado o momento de as políticas de juros e de crédito deixarem de ter a orientação contemplativa que as caracterizaram até o presente para assumirem o foco no objetivo de recuperar o crédito e minimizar o efeito da crise sobre as expectativas dos agentes econômicos. A política econômica deve avaliar ainda a oportunidade de ampliar os investimentos públicos e apoiar com incentivos os investimentos privados e os setores de destacada relevância na geração de emprego,
renda e bem estar social, como é o da habitação popular. São medidas para minimizar a recessão industrial e para restringir o impacto da crise da indústria no emprego e em outros segmentos da economia.










