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Blog do Desemprego Zero

Archive for janeiro, 2009

Os industriais paulistas estão sugerindo redução de juros e jornada de trabalho, mas também de salários. Será que é justo?

Postado em 14 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Fonte: Último Segundo

SÃO PAULO – Cerca de 30 empresários que pertencem ao Conselho Superior Estratégico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foram unânimes em exigir o recuo da taxa básica de juros da economia (Selic) e a redução da jornada de trabalho com redução de salário como alternativas ao desemprego. Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, “se a taxa de juros não baixar, parte da culpa do desemprego será do governo”, disse ele, em encontro com a imprensa após a reunião do conselho nesta quarta-feira.

Ele citou que em muitos países a taxa foi reduzida e em parte deles está negativa. “Não haveria nenhum problema se a taxa estivesse em 8, 9%”, afirmou, referindo-se à taxa que hoje é de 13,75 por cento.

Segundo Skaf, com uma taxa de 8,75%, o Brasil deixaria de pagar algo como “70 bilhões de reais em juros da dívida”. O presidente da Fiesp também informou que os empresários reunidos defenderam, por unanimidade, a redução da jornada de trabalho com retração salarial, mas não se comprometeram a paralisar as demissões.

Skaf ressaltou que a possibilidade está dentro da lei e que a Fiesp tem estimulado esse tipo de acordo no lugar dos possíveis cortes.

Questionado sobre a ausência da CUT na reunião de terça-feira com sindicalistas, o empresário disse que, se cada categoria assim decidir, “vamos fazer isso com CUT ou sem CUT”.

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Resta o investimento

Postado em 14 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Fonte: Carta Capital

Por Delfim Netto

É mais do que justificável a apreensão com a qual o Brasil assiste à chegada de uma crise gerada no mundo desenvolvido e que ameaça interromper o ciclo de crescimento apenas iniciado. Esta não é uma recessão como as anteriores, produzidas deliberadamente pela própria política monetária para corrigir o excesso da expansão da demanda. Ela é a colheita dos equívocos da política monetária laxista dos bancos centrais (liquidez abundante e taxa de juro real muito baixa) e da política fiscal (excesso de estímulo à atividade imobiliária para financiar residências a quem não podia pagar), com as quais se empurrou com a barriga a recessão de 2001.

O desenvolvimento da economia brasileira tem sido cheio de curiosos paradoxos. Entre 1950 e 1985, em meio a chuvas e trovoadas, o Brasil foi um dos países que mais cresceram no mundo ocidental (passou da décima para a oitava economia mundial). Crescemos à taxa anual de 6,5%, ante um crescimento mundial da ordem de 4,4%. Na convulsão planetária dos anos 80, fomos o primeiro país a equilibrar o balanço em conta corrente (1984), à custa de feroz recessão interna e, por dificuldades políticas e ideológicas, o último a negociar a dívida externa (1994), passo preliminar para o sucesso do extraordinário programa de estabilização, o Plano Real. Vencemos a inflação, mas reconstruímos a dependência externa (de 1995 a 2002, acumulamos quase 200 bilhões de dólares de déficits em conta corrente). Entre 1985 e o segundo semestre de 2006, crescemos à taxa anual de 2,6%, enquanto o mundo crescia a 3,7%.

Só voltamos a crescer mais do que o mundo no terceiro trimestre de 2006, quando, graças à expansão da economia mundial a partir de 2003 (que resolveu nosso problema externo) e à trouvaille do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Brasil recuperou a crença de que poderia crescer acima dos fatídicos 3% do produto potencial construído por sofisticados métodos econométricos por nossos “cientistas”. A economia mundial começou a reduzir seu ritmo de crescimento no terceiro trimestre de 2007, um ano depois de o nosso crescimento voltar a ser maior do que o dela. Desde o primeiro trimestre de 2008, aumentou a velocidade de seu encolhimento como consequência da crise financeira que nela se instalou.

As ligações entre o nosso crescimento e o do mundo se fazem pela variação do ritmo da demanda externa de nossos produtos, pela variação das relações de troca (preços importação/preços exportação), pela variação do financiamento externo e pela variação do investimento externo direto. É muito difícil avaliar o resultado final de movimentos tão complexos, mas a resultante, certamente, será negativa. Recebemos o bônus de estar no mundo e vamos pagar o ônus de estar nele.
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Exclusões no Bolsa Família

Postado em 13 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Fonte: Correio Brasiliense



Ao mesmo tempo em que planeja a ampliação do número de beneficiários, MDS estima retirar este ano 1 milhão de famílias do programa

Por Daniel Pereira

O governo se prepara para passar um pente-fino, a partir de abril, em cerca de 5 milhões dos 11 milhões de benefícios do Bolsa Família. A medida atende a uma regra fixada no artigo 21 do Decreto 6.392, de março de 2008, segundo o qual a concessão do benefício tem caráter temporário e deve ser revista a cada dois anos. Secretária nacional de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Lúcia Modesto prevê que 10% das famílias analisadas perderão o direito de continuar no programa depois de concluído o trabalho. Ou seja, 500 mil famílias.

Lúcia ressalta que o número é uma estimativa, baseada em auditorias já realizadas. Além desse grupo, mais 622 mil famílias correm o risco de não mais receber os valores pagos, que são de R$ 85 em média. Nesse caso, os benefícios já foram bloqueados para que a pasta investigue, por exemplo, se o aumento da renda dos beneficiários não lhes tirou o direito de permanecer no Bolsa Família. Só as famílias com renda per capita de até R$ 120 mensais podem ser atendidas pelo programa. Para Lúcia, cerca de 500 mil benefícios já bloqueados serão cancelados.

Pobreza oculta

Confirmada a previsão da secretária, 1 milhão de famílias, portanto, sairão do programa devido à fiscalização. Nada que implique redução da quantidade de pessoas beneficiadas pela iniciativa. Conforme o Correio antecipou na quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, querem incluir no Bolsa Família toda a parcela da população que faz jus ao benefício. Ambos estariam preocupados com a “pobreza oculta” no Brasil, conforme a assessoria de imprensa do ministério. Hoje, 11 milhões de famílias são atendidas. Segundo Lúcia, mais 2,2 milhões de famílias reúnem as condições de perfil e de renda para entrar no programa.

Metade delas pode substituir o grupo que tende a perder o direito ao benefício depois dos cancelamentos e da revisão. A outra metade só será agraciada caso o governo libere verba adicional para o ministério. O reforço necessário seria de cerca de R$ 1 bilhão, diz Lúcia. Para estimar a quantia, ela levou em consideração o valor médio do benefício. Na quarta-feira, o Correio publicou que 5 milhões de famílias – e não 2,2 milhões, tal qual estipula a secretária – estariam aptas a entrar no programa. A informação foi passada pela assessoria do ministério, para quem 15,7 milhões das 17,4 milhões de famílias incluídas no Cadastro Único para Programas Sociais teriam o “perfil” do Bolsa Família.

Na quinta-feira passada, Lúcia fez questão de ressaltar que vale o número menor divulgado por ela. “Se os nossos números se confirmarem, a gente precisará ter disponibilidade para incluir 1 milhão de famílias”, declarou, referindo-se ao acréscimo líquido de beneficiários, sem contar as substituições. Em 2008, o orçamento do Bolsa Família foi de R$ 10,8 bilhões. Em 2009, será de R$ 12 bilhões. “Colocar (os cerca de) R$ 11 bilhões (de 2008) faz uma diferença fundamental na dinâmica econômica dos municípios onde vivem essas famílias”, acrescentou a secretária.

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Socorro financeiro

Postado em 13 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Fonte: Correio Brasiliense

Banco do Brasil compra quase metade do Banco Votorantim por R$ 4,2 bilhões, mas deixa controle acionário nas mãos da família. Instituição sofreu um forte baque e perdas com a crise internacional

Por Edna Simão

Numa operação clara de socorro financeiro, o Banco do Brasil (BB) comprou quase metade (49,99%) do Banco Votorantim por R$ 4,2 bilhões, preço considerado justo diante de um cenário de crise econômica mundial. Tanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, quanto o presidente do BB, Antonio Francisco de Lima Neto, e o representante da família que controla o grupo Votorantim, José Ermírio de Moraes Neto, comemoraram o negócio que, na avaliação deles, será lucrativa para todos os envolvidos.

A situação do Votorantim se deteriorou após setembro, com o estouro da crise financeira internacional, porque empresas do grupo perderam dinheiro em operações com derivativos cambiais. Esse prejuízo acabou arranhando a imagem do banco que não tinha dinheiro para cobrir com seus compromissos. O futuro presidente executivo do novo Banco Votorantim após a associação com o Banco do Brasil, Wilson Masao, destacou que a crise financeira causou dificuldades para bancos médios e pequenos. E acrescentou que a previsão é de que a instituição encerre 2008 com um lucro líquido de R$ 1 bilhão. O representante da família Votorantim disse ainda que, após setembro, houve escassez do crédito em todo o mundo. Leia o resto do artigo »

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Revolução no embate das idéias e projeto de sociedade

Postado em 13 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Fonte: Carta Maior

A superação da crise atual, sistêmica e estrutural, exige a construção de uma nova agenda civilizatória. Para isso, é preciso formar uma maioria política que alie capital produtivo e estratos sociais organizados, como trabalhadores e seus sindicatos, associações de bairros e entidades de classe média. Uma das principais tarefas é a defesa da sustentação das atividades produtivas com redistribuição da renda e riqueza acompanhada da democratização das estruturas de poder, produção e consumo. A análise é de Márcio Pochmann, presidente do IPEA.

Por Marcio Pochmann

O agravamento da crise do capital globalizado neste início do século 21 torna mais claro o anacronismo das idéias-forças atualmente existentes para a implantação de um novo projeto de sociedade. Poucas vezes antes as elites mundiais persistiram prisioneiras de pressupostos constituídos por quem já não vive mais, desconhecendo, portanto, as oportunidades que o novo permite concretizar.

De um lado, porque a trajetória do desenvolvimento econômico e social percorrida desde antes do segundo pós-guerra se mostrou incapaz de incluir a todos, uma vez que não mais de 1/3 de toda a população mundial teve alguma forma de acesso ao padrão civilizatório produzido pela chamada sociedade industrial do século 20. De outro, devido à insustentabilidade ambiental que marca profundamente a perspectiva de reprodução continuada do atual padrão de produção e consumo em larga escala, fortemente destrutivo, especialmente pela elevação da temperatura e demais transtornos crescentemente ocasionados pelas mudanças climáticos globais. Ou seja, o projeto de sociedade existente não pode ser universalizado, salvo na forma do subdesenvolvimento que gera o mito de permitir a absorção de alguns simultaneamente à exclusão da maioria. Leia o resto do artigo »

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Lula criticou as recomendações para cortar gastos. Será que vai tomar alguma decisão relevante?

Postado em 12 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Fonte: Último segundo

Lula critica os que “vivem dizendo que o governo tem que cortar gastos”.

“Essa crise tem que ser encarada pelo povo brasileiro como uma oportunidade”, voltou a dizer.

“Nós vamos ter um trimestre preocupante”, disse nesta segunda-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa semanal de rádio “Café com o Presidente”.

Lula reconheceu a necessidade de reduzir o spread bancário para facilitar acesso ao crédito a pequenas e médias empresas. “Essa crise tem que ser encarada pelo povo brasileiro como uma oportunidade”, voltou a dizer, acrescentando que o governo tomará todas as medidas necessárias para garantir emprego, salário e renda.

“Nós precisamos garantir empregos, salário e renda. Esses são três componentes extraordinários para que a economia brasileira continue a crescer e o povo não seja vítima de uma crise que não foi causada pelo Brasil.”
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“AL perderá 60% do crescimento”

Postado em 12 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

Publicado em: Jornal do Brasil

Por: Leda Rosa
Entrevista: Renato Baumann

O diretor do escritório da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) no Brasil, Renato Baumann, coordena uma equipe de pesquisadores encarregada de estudar as várias realidades que formam o mosaico econômico e político da América Latina e Caribe. Nos últimos meses, os levantamentos da entidade mostram que a crise mundial produzirá efeitos agudos, em especial na desaceleração econômica. Pelas contas, o Produto Interno Bruto (PIB) da região vai passar de 4,6% em 2008 para 1,9% em 2009.

Sem abordar nenhum país específico, o que, segundo ele, extrapolaria as atribuições de suas funções, Baumann ressalta, em entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil, os dramas que a situação deve acarretar para os mais pobres, mas confia na manutenção das atuais políticas de transferência de renda. Destaca, também, as diferenças do contexto da crise atual e das anteriores, que foram basicamente sul-americanas e não contavam com reforços da demanda das emergentes Índia e China por alimentos e matéria-prima.

Antes da crise desembarcar na América Latina e Caribe, qual era o cenário para a baixa renda?
­ -Desde o final dos anos 90 há um conjunto de fatores muito positivos sobre a população de mais baixa renda da região. Primeiro, o próprio ritmo de atividades, que permitiu a geração de empregos, de postos de trabalho com percentual elevado de emprego formal, programas de assistência do tipo Bolsa Família no Brasil e no México. Há programas semelhantes na Argentina, Colômbia, e vários outros países que também tiveram impacto importante na camada de mais baixa renda, algumas transferências por parte do setor privado, em programas de assistência feitos por empresários, além das remessas, basicamente de imigrantes. Todos estes fatores permitiram que houvesse uma evolução bastante favorável em termos de percentual da população que cruzou a linha, que efetivamente saíram da pobreza e da indigência para cima.

E como isto se traduziu em números?
­ -A última estimativa da Cepal era, em 2007, para o conjunto da AL e Caribe, 34% da população da região na linha de pobreza e 12,6% de indigentes ­ 184 milhões de pobres e 68 milhões de indigentes. É um estoque ainda muito alto. Mas se comparamos com 2002, que a Cepal estimava que havia 220 milhões de pobres, houve melhora evidente. Leia o resto do artigo »

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Câmbio flutuante faz 10 anos com teste

Postado em 12 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009

“EM 15 DE JANEIRO DE 99, PAÍS TENTAVA DESMONTAR A “BOMBA-RELÓGIO” DA QUASE PARIDADE COM O DÓLAR, RESPONSÁVEL PELO SUCESSO DO REAL

Agora, desvalorização do real com agravamento da crise reaviva discussão sobre a necessidade e o grau de intervenção no câmbio”

Publicado em: Folha de S. Paulo

Por: TONI SCIARRETTA

Dez anos atrás, o Brasil parou para tentar desarmar uma “bomba-relógio” montada pouco após o Plano Real. Era a política de bandas cambiais, que mantinha o dólar quase fixo e havia sido um dos pilares do sucesso do combate à inflação, mas que, em janeiro de 1999, parecia ter os dias contados por conta do desequilíbrio nas contas externas e da sangria das reservas internacionais.

Hoje, o câmbio livre é quase uma unanimidade entre economistas brasileiros de diferentes escolas, que, no máximo, divergem sobre o grau de intervenção na flutuação. E a flutuação do real tem mais um teste, após ficar entre as moedas que mais sofreram diante da crise global, com uma variação de 46,6% desde o piso de R$ 1,559 em 1º de agosto de 2008.

Em janeiro de 1999, porém, soltar as comportas do câmbio era tão “assustador”, segundo as palavras do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes, que o então presidente Fernando Henrique Cardoso optou por sua proposta de tentar “administrar” o que depois se comprovou incontrolável. A escolha pela proposta de Lopes culminou na demissão de Gustavo Franco, então titular do BC, que preferia esperar um pouco mais para deixar o sistema de bandas cambiais.

“Nem o FMI nem nós tínhamos um consenso do que fazer. Eu diria que a tendência era a gente flutuar, sim, a moeda, mas todo mundo tinha muito medo do que poderia acontecer”, disse Franco. Leia o resto do artigo »

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