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Hora de evitar a recessão
Posted By lucianasergeiro On 8 janeiro, 2009 @ 12:43 pm In Conjuntura,O que deu na Imprensa,Política Brasileira,Política Econômica | No Comments
Palácio do Planalto e Fazenda defendem corte agressivo dos juros para manter economia aquecida
Publicado em: Correio Braziliense
Por: Vicente Nunes
O governo já admite, em discussões internas, que o Brasil não está mais lidando com um processo de desaceleração da economia, mas com riscos concretos de recessão, que pode se estender até o fim do primeiro semestre deste ano, provocando uma onda de desemprego. Por isso, conforme se diz no Ministério da Fazenda e no Palácio do Planalto, o Banco Central terá de ser mais agressivo no corte da taxa básica de juros (Selic), que começará neste mês, mais precisamente nos dias 20 e 21, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne.
Para assessores do ministro Guido Mantega e de auxiliares do presidente Lula, uma redução de 0,5 ponto percentual agora, como estima o mercado, tornou-se piso. “É daí para mais. Esperamos que o BC não seja mais realista do que o rei”, frisou um técnico da Fazenda, assinalando que a retração do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2008 ficou entre 1% e 1,2%. “O que nos assusta é que novas quedas estão previstas para os dois primeiros trimestres deste ano”, emendou.
A avaliação dentro do governo é de que o conservadorismo exagerado do BC pode levar à confirmação do cenário mais pessimista traçado pelos analistas, de expansão entre 1% e 2% do PIB em 2009, o que será um tombo considerável, se for levado em conta que o crescimento do ano passado ficou próximo de 5,5%. O novo quadro vislumbrado pelo governo se consolidou depois da queda de 8% da indústria no acumulado entre outubro e em novembro e da certeza de que em dezembro, janeiro e fevereiro não será muito diferente.
“Tudo indica que a retração da atividade industrial continuará e vai nos dar muita dor de cabeça. Sendo assim, temos de virar o jogo o mais rapidamente possível, e isso passa pela redução mais forte dos juros”, disse um assessor palaciano. “O ideal seria um corte de até dois pontos nas três primeiras reuniões do ano do Copom”, frisou. Só assim, acredita parte da equipe econômica, se conseguirá reverter o pessimismo para que empresários e consumidores voltem a produzir e a comprar, tornando mais factível a meta de crescimento de 4% fixada pelo presidente Lula.
Virar o jogo
Na Fazenda, auxiliares de Mantega dizem que as medidas de estímulo à economia já anunciadas pelo governo, como o corte de impostos, darão uma boa contribuição para evitar o pior. Mas falta agora o BC entrar no jogo e se “engajar de verdade” na preservação do crescimento, decisão que será facilitada pela forte queda da inflação. “Na minha opinião, está na hora de o BC virar o jogo e mudar o padrão de atuação. A situação atual é inédita. Se nada mais agressivo for feito na política de juros, são grandes as chances de o Brasil crescer entre 0,5% e 1% neste ano”, assinalou Vitória Saddi, economista para a América Latina da RGE Monitor, consultoria do prestigiado Nouriel Roubini, que previu, com antecedência, o estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos e todo o estrago que isso provocaria.
Para Luís Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, com “a inflação em baixa e a atividade surpreendentemente em queda”, o custo econômico e político de o BC errar ao não cortar rapidamente os juros será muito maior do que depois corrigir os excessos de uma Selic mais baixa. Segundo o economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho, com a atividade econômica indo para o buraco, há riscos de a inflação ficar abaixo do centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%.
Fluxo cambial no vermelho
Movimento de entrada e saída de dólares do país em 2008 registra saldo negativo de US$ 983 milhões
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Um forte incremento nas remessas de lucros e dividendos por multinacionais instaladas no país levou o movimento cambial brasileiro a fechar 2008 no vermelho, o primeiro déficit do governo Lula. As saídas de recursos estrangeiros superaram as entradas em US$ 983 milhões. A última vez que isso aconteceu foi em 2002, quando o rombo nas contas alcançou US$ 12,9 bilhões. As remessas – pressionadas pela necessidade de se cobrir prejuízos nas matrizes das empresas – se concentraram no dia 30 de dezembro, último dia útil do ano, quando o rombo bateu US$ 1,9 bilhão. Até então, ainda que mínimo, o fluxo de divisas para o Brasil seria positivo.
Em 2007, com o mercado ainda inebriado pelo forte crescimento econômico mundial e sem se dar conta do estrago provocado pelo estouro da bolha imobiliária americana, o saldo foi positivo em US$ 87,4 bilhões, quantia arrematada pelo Banco Central para reforçar as reservas internacionais do país. “Quando comparamos os dois anos, vemos que se tratam de mundos diferentes, um marcado pela abundância de capitais, outro dominado pela escassez”, disse Vitória Saddi, economista para a América Latina da Consultoria RGE Monitor, com sede em Novas York. “E 2009 será ainda pior em termos de oferta de recursos”, avisou.
A depender do primeiro dia útil do ano, 2 de janeiro, a previsão desanimadora de Vitória já mostra a cara. O fluxo cambial ficou negativo em US$ 1 bilhão. Isso aconteceu, apesar de os investidores estrangeiros terem voltado para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e despejado quase US$ 192 milhões no pregão. “Isso só reforça como as remessas de lucros do setor produtivo ainda continuaram fortes”, afirmou o economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho. “Infelizmente, teremos um ano difícil pela frente, com o Brasil registrando déficit na conta de transações correntes com exterior e com dificuldade para atrair capital para financiá-lo”, acrescentou.
Nesse contexto, assinalou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, que ninguém espere um movimento contínuo de queda nos preços do dólar, como se viu nos primeiros dias do ano, acompanhando a diminuição da aversão ao risco e da recuperação dos preços das commodities (mercadorias com cotação internacional exportadas pelo país). Ontem, por sinal, já houve uma virada no mercado de câmbio, refletindo todo o pessimismo no cenário externo, agravado pela informação de que, apenas em dezembro, foram fechados quase 700 mil postos de trabalho nos Estados Unidos, onde a economia está mergulhada em uma gravíssima recessão.
O dólar encerrou a quarta-feira valendo R$ 2,250 para venda, com alta de 3,21%, a primeira valorização de 2009. “Não há a menor possibilidade de o dólar voltar para um patamar abaixo de R$ 2. A minha expectativa é de que as cotações variem entre R$ 2,10 e R$ 2,30, refletindo a escassez de recursos”, destacou Thadeu.
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[1] Sobre o papel do Estado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/sobre-o-papel-do-estado/
[2] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/
[3] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/
[4] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/
[5] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/
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