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Balança tem o menor superávit em seis anos

Posted By lucianasergeiro On 5 janeiro, 2009 @ 12:26 pm In O que deu na Imprensa,Política Brasileira,Política Econômica | 1 Comment

Sob influência da crise mundial e do aumento das importações, saldo comercial recua 38% em 2008, para US$ 24,7 bi

Compras externas sobem 43,6%, ante alta de 23,2% nas vendas, mas ritmo cai no final do ano; governo prevê 1º trimestre “muito difícil”

Publicado em: Folha de S. Paulo [1]

Por: JULIANNA SOFIA

Afetada pela crise mundial e pela disparada das importações, a balança comercial brasileira encerrou 2008 com o pior resultado em seis anos. Pela segunda vez consecutiva, o saldo do comércio entre o Brasil e o resto do mundo encolheu, para fechar o ano em US$ 24,7 bilhões -o que representa uma queda de 38,2% em relação ao superávit de 2007, que havia sido de US$ 40 bilhões.

Diante da instabilidade no cenário internacional, o Ministério do Desenvolvimento prevê que o primeiro trimestre deste ano será “muito difícil” e evitou fixar uma meta para as exportações brasileiras em 2009. Segundo o Desenvolvimento, a grande volatilidade dos preços, principalmente das commodities, como o petróleo, impede a definição de um patamar de vendas para o exterior.

Em um recado indireto ao Ministério da Fazenda, a pasta comandada por Miguel Jorge cobrou novas medidas de desoneração para os exportadores como forma de atenuar os efeitos da crise.
“Novembro e dezembro foram trágicos para o mundo inteiro. O Brasil foi afetado, mas não tanto quanto outros países. O ano de 2009 vai ser difícil. O exportador terá de ter muita imaginação”, afirmou o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, dizendo que uma recuperação só é esperada para o segundo semestre.

A redução do saldo comercial em 2008 pesará no fechamento da contabilidade do país. A conta de transações correntes (movimento de mercadorias e serviços entre o Brasil e o exterior), que será divulgada no final deste mês, mostrará que o Brasil fechou o ano com o primeiro déficit do governo Lula.

Valor x quantidade

Sem estabelecer metas, Barral disse acreditar que o Brasil manterá neste ano a quantidade exportada em 2008 (460 milhões de toneladas). “Há uma preocupação com a queda do valor exportado, por conta da queda nos preços. Mas a quantidade devemos manter.”

Na avaliação do governo, de janeiro a outubro do ano passado o comércio exterior viveu um período “excepcional”, com aumento de exportações e importações. Isso fez com que em 2008 tanto o volume de vendas quanto o de compras de outros países batessem recorde.

No resultado do ano, as exportações somaram US$ 197,9 bilhões (crescimento de 23,2%), e as importações, US$ 173,2 bilhões (aumento de 43,6%).

Apesar disso, a última meta fixada pelo governo para as exportações não foi atingida. A projeção de setembro apontava para um total de US$ 202 bilhões de vendas para outros países em 2008. “Já era a quarta revisão da meta e ficamos abaixo apenas 2%”, afirmou o secretário.

Ele disse ainda que houve importante crescimento nas vendas de produtos básicos e semimanufaturados no ano passado. O crescimento foi verificado principalmente nas exportações para países emergentes.

Já no caso das importações, entre janeiro e outubro houve forte alta nas compras do exterior em todos os itens da pauta de importações, com destaque para bens de capital.

Fluxo menor

Nos dois últimos meses do ano, no entanto, o fluxo de comércio entre o Brasil e os outros países despencou. Exportações e importações foram afetadas pela crise mundial devido à queda nos preços das commodities, à desvalorização do real e à redução da demanda por produtos.

A expansão das exportações foi 29 pontos percentuais menor em relação ao período janeiro-outubro. A quantidade exportada caiu 16% na comparação com novembro/ dezembro de 2007. Excluindo minério de ferro, houve aumento de 6,1% na quantidade, mas queda tanto no preço médio quanto no valor das exportações (6,8% e 1,1%, respectivamente).

Já as importações apresentaram desaceleração nos últimos dois meses do ano passado. Houve queda de 42,6 pontos percentuais na expansão em relação ao período janeiro-outubro. “Já é visível que a desvalorização do real levou a uma substituição das importações”, disse o secretário.

Para Barral, o Brasil sofreu até agora menos com a crise do que outros países. Em novembro, por exemplo, o país conseguiu exportar 5% a mais que no mesmo mês de 2007. China, Argentina e Chile apresentaram resultado negativo.

“Isso mostra que foi acertada a decisão do Brasil de diversificar a sua pauta de exportações e os mercados de destino”, disse.


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[2]

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[3] ? A questão dos impostos e juros: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/a-questao-dos-impostos-e-juros/

[4] ? Manifesto Grupo Crítica Econômica: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/manifesto-grupo-critica-economica/

[5] ? O que é política de pleno emprego?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/o-que-e-politica-de-pleno-emprego/

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