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Blog do Desemprego Zero

“AL perderá 60% do crescimento”

Escrito por lucianasergeiro, postado em 12 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009 Imprimir Enviar para Amigo

Publicado em: Jornal do Brasil

Por: Leda Rosa
Entrevista: Renato Baumann

O diretor do escritório da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) no Brasil, Renato Baumann, coordena uma equipe de pesquisadores encarregada de estudar as várias realidades que formam o mosaico econômico e político da América Latina e Caribe. Nos últimos meses, os levantamentos da entidade mostram que a crise mundial produzirá efeitos agudos, em especial na desaceleração econômica. Pelas contas, o Produto Interno Bruto (PIB) da região vai passar de 4,6% em 2008 para 1,9% em 2009.

Sem abordar nenhum país específico, o que, segundo ele, extrapolaria as atribuições de suas funções, Baumann ressalta, em entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil, os dramas que a situação deve acarretar para os mais pobres, mas confia na manutenção das atuais políticas de transferência de renda. Destaca, também, as diferenças do contexto da crise atual e das anteriores, que foram basicamente sul-americanas e não contavam com reforços da demanda das emergentes Índia e China por alimentos e matéria-prima.

Antes da crise desembarcar na América Latina e Caribe, qual era o cenário para a baixa renda?
­ -Desde o final dos anos 90 há um conjunto de fatores muito positivos sobre a população de mais baixa renda da região. Primeiro, o próprio ritmo de atividades, que permitiu a geração de empregos, de postos de trabalho com percentual elevado de emprego formal, programas de assistência do tipo Bolsa Família no Brasil e no México. Há programas semelhantes na Argentina, Colômbia, e vários outros países que também tiveram impacto importante na camada de mais baixa renda, algumas transferências por parte do setor privado, em programas de assistência feitos por empresários, além das remessas, basicamente de imigrantes. Todos estes fatores permitiram que houvesse uma evolução bastante favorável em termos de percentual da população que cruzou a linha, que efetivamente saíram da pobreza e da indigência para cima.

E como isto se traduziu em números?
­ -A última estimativa da Cepal era, em 2007, para o conjunto da AL e Caribe, 34% da população da região na linha de pobreza e 12,6% de indigentes ­ 184 milhões de pobres e 68 milhões de indigentes. É um estoque ainda muito alto. Mas se comparamos com 2002, que a Cepal estimava que havia 220 milhões de pobres, houve melhora evidente.

Como a crise se propagou na região?
-­ Os primeiros impactos foram estritamente financeiros, falta de crédito para as empresas, para os nossos bancos, linhas de crédito para o exterior, o mesmo quadro que afetou a maior parte dos países. Segundo um levantamento da Cepal, a maior parte dos países têm adotado para lidar com a crise, a política monetária de crédito. Num primeiro momento o impacto foi crédito, provisão de liquidez e e da capacidade de compra, não só aqui mas nos Estados Unidos e na maior parte dos países da Europa também têm sido adotado este tipo de política.

E no segundo momento?
-­ Aí houve o impacto na atividade real. A retração do ritmo das principais economias compromete o desempenho exportador da região.

Esta crise se assemelha às que a AL viveu em 1982 e 1980?
-­ Há duas diferença importantes em relação à estas turbulências. Primeiro que esta não é uma crise sul-americana. Outro contraste é que agora temos Índia e China com taxas de crescimento ainda bastante expressivas e demandando matérias primas e alimentos. A AL é um grande provedor destes produtos. Portanto, há uma expectativa de que impacto não seja tão negativo.

Mas qual a importância do tempo nesta equação?
­ -Toda. Tudo depende do tempo que levará o processo de ajuste das economias industrializadas. Se demorar muito tempo, também as exportações da China e da Índia vão cair. Pelos números mais recentes divulgados, estas economias, de fato, já estão desacelerando. É um cenário novo, sem precedentes, que têm impacto na região.

Que impactos?
-­ Queda do ritmo das exportações, que, em alguns países, é muito importante. Portanto, retração do ritmo de crescimento. Em termos de atividade e ritmo de crescimento, o conjunto da região deve ter crescido 4,6% em 2008 e não vai passar de 1,9% em 2009, o que significa uma retração de 60% do que vínhamos conseguindo. Isto ocorre após seis anos de crescimento expressivo, e particularmente de cinco anos de crescimento contínuo da renda per capita acima de 3%, em média, de forma continuada, antes isto só foi visto na região nos anos 70. Há uma retração num momento em que as coisas iam relativamente bem.

Entre os impactos mais preocupantes, quais apontaria?
­- Os investimentos certamente sofrerão uma retração, mas o que mais preocupa é a preservação do ritmo de atividade.

Por que?
-­ No momento em que cai o ritmo da atividade, há uma menor geração de empregos e, eventualmente, demissões. Se para a população de mais baixa renda, 3/4 do ganho em termos é renda do trabalho, o cenário de demissão é muito preocupante, porque tem um efeito distributivo direto, por mais que se faça programas assistencialistas, não chega a compensar esta perda.

E a contração no nível de remessas dos imigrantes?
-­ O tema das reservas significa criar oportunidades para que as pessoas não migrem, mas isto leva tempo e toma recursos.

Qual seria a alternativa?
­- Flexibilizar as regras de imigração. Assim haveria sempre gente saindo e enviando dinheiro para suas famílias. Mas o que observamos é o inverso, tanto o muro físico, no caso americano, como as normas americanas e as dos países desenvolvidos, há uma resistência crescente aos imigrantes. Na crise, esta situação só se agrava.

Como ficam as políticas sociais?
-­ O impacto da crise muda conforme o país. Alguns países que têm a pauta de exportação mais concentrada em produtos como petróleo e minério devem sentir mais, assim como os mais dependentes do mercado americano para exportações, já que se espera taxas negativas do PIB americano para este ano, Já outras economias, como o Brasil, devem ter impacto menor.

Como avalia o Bolsa Família e similares latinos?
­- A maior parte dos países adota programas sociais de nova geração, que exigem contrapartidas dos beneficiados. Estes programas têm se mostrado importantes sobre a renda dos contemplados, porque também há ganhos nas áreas educacional e de saúde das famílias.

A crise pode encolher os benefícios nos moldes do BF?
-­ De modo geral, a crise pega a região em momento de comprometimento com programas sociais. O complicador é a desaceleração do ritmo da atividade, que dá uma menor folga fiscal para usar este tipo de programa. As políticas que têm sido adotadas são voltadas para sustentar a demanda. Imagino que a decisão política de preservar estes programas deve ser mantida.

Caso haja reduções no BF, por onde devem começar?
-­ Em situações de menor ritmo de atividade os primeiros cortes costumam acontecer entre os jovens e mulheres, portanto isto afeta diretamente a renda das famílias de renda mais baixa e põem na rua um jovem que deveriam estar se preparando para o mercado de trabalho.

Qual a importância destes instrumentos em 2009?
-­ Muito grande. São instrumentos de preservação do poder de compra, já amplamente atestados, como é o caso dos programas de aposentadoria de trabalhadores rurais aqui no Brasil. São elementos importantíssimos de provisão de fonte de demanda.

E por que restaurar o poder de compra é importante agora?
­ -A gente pode cortar do orçamento o jantar fora de casa, mas não deixa de comer. Então, com as rendas nanicas destes programas é possível manter o mínimo de atividades. É isto que sustenta a economia andando, a saída da crise de 1929 não foi por outro caminho senão o do governo contratar pessoas para fazer estradas. Com o dinheiro do salário, os trabalhadores compravam e, bem aos poucos, a economia voltou a caminhar sozinha.



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