A crise ficou mais real
Escrito por beatriz, postado em 26 dEurope/London janeiro dEurope/London 2009
Por André Siqueira
Fonte: Carta Capital
A geração de empregos com carteira assinada ultrapassou 1,5 milhão de postos em 2008. Mas só em dezembro o equivalente a quase metade desse saldo se perdeu, com a brusca queda de 654 mil vagas, conforme revelou o Ministério do Trabalho na segunda-feira 19. Tudo indica que a crise continua a corroer rapidamente as vagas no mercado de trabalho, a julgar pelos recentes anúncios de cortes em grandes empresas. Serviu de alento o indicador do IBGE, divulgado na quinta-feira 22, dando conta de que o ano terminou com nível de desemprego de 6,8%, inferior ao de dezembro de 2007 (7,4%) e o menor desde o início da série, em 2002.
O cenário sombrio é reforçado pelos indicadores da atividade econômica. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que houve queda de 9,9% no faturamento do setor entre outubro e novembro de 2008, e redução na renda e no número de horas trabalhadas. A luta pela manutenção dos empregos colocou do mesmo lado da mesa representantes do meio empresarial e das maiores centrais sindicais – ainda que não haja consenso sobre como estancar a sangria.
Após ouvir todos os interessados, o governo parece disposto a anunciar novas medidas de estímulo à economia. O primeiro sinal foi a redução dos juros em 1 ponto porcentual, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira 21. Depois da pressão de Lula, os bancos públicos e privados anunciaram no mesmo dia cortes nas taxas máximas cobradas dos clientes, em torno de 0,08%. As próximas investidas devem ser focadas em mercados específicos. Será anunciado, nos próximos dias, um estímulo às vendas de materiais de construção, que poderão ser financiadas pelos bancos com recursos oriundos de 2% dos depósitos compulsórios. Também são esperadas medidas de facilitação da compra da casa própria.
Outra perna do pacote anticrise é o reforço adicional de 100 bilhões de reais ao orçamento do BNDES de 2009 e 2010, anunciado na quinta-feira 22. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou criar punições para as empresas que tomarem recursos públicos e demitirem, diante da dificuldade de fiscalizar a atuação de cada indústria. O banco será o principal instrumento do governo para fomentar setores, além de garantir os investimentos da Petrobras. Também está prevista a ampliação no número de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
*Colaborou Cynara Menezes










