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Blog do Desemprego Zero

Archive for 2008

A síntese política do Brasil

Postado em 17 dEurope/London junho dEurope/London 2008

Luís Nassif

Fonte: Projeto Brasil

O país ainda está imerso em uma guerra santa, especificamente da mídia contra Lula. Mas, por enquanto, está restrita a isso, despregada da realidade política do dia a dia.

Mas há uma importância inegável no governo e no personagem Lula. O Brasil vive um terremoto social e político, com a ascensão das classes D e E, a convivência do arcaico com o moderno – o arcaico e o moderno presentes em todos os extratos sociais.

É arcaico o militante de esquerda que não consegue enxergar o papel que cabe, por exemplo, à grande empresa brasileira na formação de uma nação mais moderna e justa. Como é arcaico esse modernismo preconceituoso de parte do colunismo pátrio, contra o que considera “Brasil atrasado” – misturando crítica política com preconceito em relação às novas forças que emergem. Ou se considerar que instrumentos modernos – como lei ambiental, lei de defesa dos consumidores, leis de direito econômico – são intromissões do Estado.

Diria que, na formação do Brasil moderno – com suas qualidades e vícios – haverá no futuro o reconhecimento do papel fundamental de dois personagens.

O primeiro, Fernando Collor, ao romper com os grilhões do país fechado que se estratificou nos anos 80 – depois do modelo ter contribuído para o crescimento nas décadas anteriores.

FHC foi o seguidor, teve o mérito da maior habilidade política, mas nunca a grandeza suficiente de mostrar o Brasil com todas suas faces, de se propor a ser a síntese necessária, após a antítese collorida.

O discurso contra a “fracassomania”, a desqualificação do que ele considerava Brasil arcaico, o deslumbramento por ter entrado no clube da elite econômico-financeira, tirou a grandeza de que seu governo poderia ter se revestido. E não teve visão para entender o novo e corrigir os exageros iniciais do modelo. No início permitem-se os exageros, única forma de romper com o velho. Ele entrou na fase da consolidação, e não soube consertar, ser a síntese.

Lula cometeu inúmeros pecados. Ainda não resolveu o dilema das agências reguladoras – presas entre a captura pelo governo e a captura pelos regulados; não conseguiu conferir limites à atuação do BC (nada do que o Banco faz pode ser questionado), não profissionalizou a máquina do Estado no ritmo necessário.

Mas, politicamente, abre espaço para a próxima grande etapa do Brasil, o maior desafio da consolidação democrática, a busca do Santo Graal, do grande pacto nacional que permita a todos os setores se sentirem membros da mesma nação.

Seu discurso na Bovespa, ontem, tem um trecho para entrar para a história:

“Estamos provando que um presidente da República pode, no mesmo mês, colocar na cabeça um boné dos dirigentes sindicais, dos sem-terra, do movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) e da Bolsa de Valores.”

Em relação à percepção política, ao entendimento sobre os novos tempos, à capacidade de entender as idéias-força e chacoalhar o imaginário popular, a intuição política de Lula dá de dez a zero no conhecimento teórico de FHC.Não há termos de comparação.Tem paralelo apenas em Vargas, JK e no Collor do primeiro ano. Castello Branco e Geisel tiveram governos transformadores, mas dentro da ótica autoritária, sem precisar correr o desafio político de recriar o imaginário.

O que Lula propõe é uma construção política sofisticadíssima, de ser a síntese do Brasil moderno, do novo Brasil que surge e do Brasil arcaico.

Morro de rir quando vejo a superioridade com que alguns analistas se colocam, por identificar erros de português no discurso de Lula. Eles sequer entenderam o alcance dessa costura política. O “analfabeto”, além de entender está colocando em prática.

O único evento que poderá liquidar com essa proposta é a hipótese de uma crise cambial, fruto da irresponsabilidade continuada do Banco Central. Se vier, toda essa construção rolará ladeira abaixo.

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Portos em busca de soluções – Seminário do TCU

Postado em 17 dEurope/London junho dEurope/London 2008

Publicado originalmente no Blog Logística e Transporte

Por José Augusto Valente*

O Tribunal de Contas da União (TCU) reunirá autoridades do governo e representantes do setor portuário para discutir soluções para os portos marítimos brasileiros.

Durante o encontro, nos dias 17 e 18 de junho, na sede do TCU em Brasília, serão abordados temas como o relacionamento entre órgãos, instituições e demais agentes que atuam no setor, o modelo dos arrendamentos em áreas portuárias e os entraves e as oportunidades de modernização.

O ministro Ubiratan Aguiar é o coordenador do seminário, que conta com o apoio da SEP e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Além de ministros e técnicos do TCU e dos órgãos parceiros, participarão do encontro o ministro dos Transportes, a ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República e o presidente do Senado Federal, além de representante do Banco Mundial.

Leia mais sobre o Seminário

Veja a programação do evento

Estarei participando do Seminário e, sempre que possível, trarei notícias para o blog

Ele começa hoje, às 9h30min e termina amanhã no final da tarde. Leia o resto do artigo »

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Resumo Diário – 16/06/2008

Postado em 16 dEurope/London junho dEurope/London 2008

MANCHETES dos principais veículos de notícias do Brasil e do mundo

*Por Kátia AlvesLuciana Sergeiro

Política

O vice-prefeito José Eduardo Araújo (PR) assumiu na tarde desta segunda-feira a Prefeitura de Juiz de Fora (MG) com a promessa de promover um “choque de moralidade” na administração municipal. Araújo entra no lugar de Carlos Alberto Bejani (PTB), que renunciou ao cargo hoje pela manhã após ser acusado de participar de um esquema de desvio de dinheiro público.

Folha Online: Vice assume Prefeitura de Juiz de Fora e promete “choque de moralidade”

A presença e o apoio do governador Jaques Wagner, do PT, partido que tem candidato próprio, foi a surpresa da convenção do PMDB que oficializou no domingo a candidatura à reeleição do prefeito João Henrique Carneiro, que tem como vice na chapa o tributarista Edivaldo Brito.

Reuters: Jaques Wagner apóia PMDB e diz ter dois candidatos em Salvador

Economia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, durante homenagem na BM&F Bovespa por conta da obtenção de grau de investimento pelo Brasil, que o país não é província, mas potência no mercado de capitais. Lula destacou a fase de crescimento do pais e comparou à chegada ao paraíso.

Folha Online:  Lula compara fase de crescimento do país ao paraíso

 O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que o Brasil entrou em um círculo virtuoso uma vez que adotou medidas duras, porém necessárias, para que as oportunidades de crescimento fossem concretizadas. ´O Brasil entra em um círculo virtuoso, depois de medidas duras, porém absolutamente necessárias para o crescimento do país”, afirmou.

JB Online: Brasil entra em círculo virtuoso após medidas duras

O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, minimizou nesta segunda-feira, 16, o aumento das projeções de inflação na Pesquisa Focus do Banco Central. “Se vc for pesquisar a Focus vai ver que o índice de acerto não é muito grande”, disse, após participar de evento no Banco do Brasil para lançamento de programa de vendas subsidiadas de geladeira.  

O Estadão: Índice de acerto da Focus não é muito grande, diz Bernardo

O combate à inflação permanece à frente das preocupações do governo brasileiro, afirmou nesta segunda-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a investidores nacionais. Ele também cobrou o comprometimento da sociedade nesta luta e responsabilizou a alta do petróleo e o maior consumo dos alimentos pelo aumento de preços.

Reuters: Combate à inflação é prioridade, diz Lula a investidor

Internacional

Cristina Gallach, porta-voz do chefe da diplomacia da UE (União Européia), Javier Solana, afirmou que o bloco formado por 27 países concordou, em princípio, sobre a necessidade de sanções mais severas contra o Irã, mas que o encontro de ministros das Relações Exteriores europeus em Luxemburgo não formalizou hoje a decisão.

Folha Online:  UE está pronta para novas sanções contra o Irã, diz porta-voz

Cerca de 70.000 pessoas começaram a ser retiradas da área afetada pelo terremoto no sudoeste da China, que no momento sofre com as fortes chuvas. O governo decidiu pela retirada dos moradores, que haviam se refugiado em Wenchuan depois do terremoto de 12 de maio, pelo temor de avalanches na região montanhosa, informa o jornal Beijing News.

JB Online: Chuvas obrigam 70.000 pessoas a abandonar casas na China

O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, disse na segunda-feira estar animado pela redução da violência no Iraque, mas reafirmou seu apoio à retirada das tropas norte-americanas do país.

Reuters: Obama se diz animado com queda da violência no Iraque

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Alcançar os países desenvolvidos

Postado em 16 dEurope/London junho dEurope/London 2008

O Relatório de Crescimento da Comissão sobre Crescimento e Desenvolvimento, criado com o apoio de quatro países (Austrália, Holanda, Suécia e Reino Unido), do Banco Mundial e de uma fundação privada americana recoloca questões de como o Brasil vai alcançar o mesmo padrão de vida dos países desenvolvidos.

Infelizmente o nosso país não vai alcançar os países desenvolvidos com essa nossa retomada do investimento. Pois o relatório sugere que a partir de 1980 não fomos capazes de aproveitar o potencial dinâmico da economia global, descuidamos das exportações e, com isso, não incorporamos a fronteira tecnológica na nossa estrutura produtiva, perdendo a posição relativa no mercado mundial.

Por Katia Alves

Por Yoshiaki Nakano

Publicado originalmente na Folha online

Para o Brasil alcançar os países desenvolvidos em 2050, nossa renda per capita teria de crescer 5,3% ao ano

SERÁ QUE algum dia o povo brasileiro poderá desfrutar do mesmo padrão de vida dos atuais países desenvolvidos? Quando, e como, vamos alcançar e ser tão ricos quanto os países desenvolvidos? Essas questões deveriam ser a maior preocupação das nossas lideranças políticas, dos intelectuais e dos governantes. O Relatório de Crescimento da Comissão sobre Crescimento e Desenvolvimento, criado com o apoio de quatro países (Austrália, Holanda, Suécia e Reino Unido), do Banco Mundial e de uma fundação privada americana, recoloca essas questões como centrais e sugere uma estratégia de desenvolvimento. Da mesma forma, no relatório do Banco Mundial sobre renascimento da Ásia, o “catch-up mentality” e “developmental dictatorship” surge como a base comum do extraordinário desenvolvimento de países tão díspares como Japão, Tailândia, China e Índia.

Para responder tais questões, a comissão mencionada, presidida por Michael Spence, Prêmio Nobel de Economia, definiu como casos de sucesso países que cresceram 7% ao ano ou mais por 25 anos, pelo menos, e encontraram 13 países ou episódios. Verificou-se que o que há são caminhos comuns, construídos e trilhados de forma diferente. Todos se aproveitaram da ampla e elástica demanda mundial, do estoque de conhecimento e da tecnologia dos desenvolvidos, isto é, aceleraram as exportações para importar mais; estimularam o investimento e a poupança; Leia o resto do artigo »

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São Jorge não tem só uma lança

Postado em 16 dEurope/London junho dEurope/London 2008

No artigo abaixo, o autor Paulo Nogueira Batista Jr. escreve que a inflação desde 2007 não é um fenômeno brasileiro, mas sim por causa do choque internacional de preços de alimentos, petróleo e outras matérias-primas, mas o aumento da demanda interna acaba contribuindo nos preços também.

É necessário conter a inflação, no entanto deve-se ter cuidado com as medidas que serão adotadas. O autor observa que devem ser usados vários instrumentos para o combate e não apenas a elevação da taxa de juros.

Pois taxas altas têm como conseqüência: atingir o investimento e comprometer o crescimento; sobrecarrega o custo da dívida pública e o déficit governamental. Parte da dívida pública está atrelada à taxa básica de juro e o seu prazo médio ainda é relativamente curto e reforça as pressões para a valorização do real em relação a moedas estrangeiras, afetando as contas externas.  

Outras medidas que podem ser usadas são: contenção do crédito, diminuição dos gastos governamentais que não são prioritários e o governo pode atuar também pelo da oferta.

Por Katia Alves

Por Paulo Nogueira Batista Jr.

Publicado originalmente na Folha online  

A inflação voltou ao centro das atenções. Fala-se até no despertar do dragão. Os indicadores não chegam a ser alarmantes, mas a preocupação é natural.

O Brasil tem antecedentes monetários deploráveis. O nosso processo inflacionário até meados dos anos 90 foi dos mais intensos e prolongados da história mundial. Assim, todo cuidado é pouco – tanto mais que a inflação costuma atingir com mais força as camadas de baixa renda, especialmente quando ela é liderada pelos alimentos, como ocorre agora. Tendo em vista que a alimentação pesa mais no orçamento dos pobres, a subida dos preços dos alimentos corrói o salário real na base da pirâmide social e provoca concentração da renda.

A aceleração da inflação desde 2007 não é um fenômeno brasileiro. A grande maioria dos países está experimentando aumento da inflação na esteira do choque internacional de preços de alimentos, petróleo e outras matérias-primas. Em vários casos, esses choques externos se combinam com pressões internas decorrentes de um excesso de demanda agregada. Leia o resto do artigo »

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“Lula corre risco muito grande de déficit externo”

Postado em 16 dEurope/London junho dEurope/London 2008

Segundo o economista Luiz Gonzaga Belluzo, um dos principais conselheiros econômicos do presidente Lula, a valorização do câmbio reflete um equívoco intertemporal da política monetária, quando ocorreu à melhoria do cenário externo o Brasil deveria ter baixado ainda mais os juros para impedir a valorização do câmbio.

Para Belluzo a elevação do superávit amenizaria a alta das taxas dos juros, impedindo que a inflação saia do controle. Mostra-se de acordo com a elevação dos gastos públicos sugerido por Armínio Fraga, se o PIB cresce a 5% ao ano, o gasto público cresceria até 2%, 2,5%.

Além da questão inflacionária interna a entrevista também aborda questões pertinentes a crise dos EUA, ao papel desempenhado pela Europa, China e Índia; questiona a política adotada pelo Banco Central e as demais instituições financeiras.

Por: Luciana Sergeiro

Publicado em: Folha de S. Paulo

Por: KENNEDY ALENCAR

Entrevista da 2ª / Luiz Gonzaga Belluzzo

Economista quer frear crédito e diz que erro do BC eleva custo de combate à inflação

O PAULISTANO Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, 65, um casal de filhos, “duas ex-mulheres ótimas”, é um dos principais conselheiros econômicos informais do presidente Lula. Classifica-se ideologicamente como “keynesiano socialista reformista”. Nesta entrevista, esse bem-humorado palmeirense revela as sugestões que dá ao corintiano Lula. Fala da crise internacional e defende ação do governo em negócios privados. 

FOLHA – O maior problema da nossa economia é a inflação ou o câmbio valorizado?

LUIZ GONZAGA DE MELLO BELLUZZO – Os dois. A valorização do câmbio reflete um equívoco intertemporal, palavra feia, da política monetária. Quando ocorreu a grande melhoria do cenário externo, o Brasil deveria ter baixado os juros mais do que baixou para impedir que o câmbio se valorizasse tanto. Hoje, é um problema pensar numa desvalorização cambial porque estamos no meio de um choque de commodities.

FOLHA – Agora estamos elevando uma taxa de juros real, a mais alta do planeta, por causa da inflação.

BELLUZZO – Exatamente. Estamos nessa situação porque o passado importa, ao contrário do que dizem os economistas. Há países em situação pior por conta da maior vulnerabilidade ao choque de commodities.

Não podemos separar os fatores internos e externos. É claro que há um choque externo que pega a economia num momento de grande aceleração da demanda, e isso tem efeitos para contaminar o resto dos preços. É só olhar o núcleo da inflação. A inflação cheia está se acelerando, mas o núcleo também está.

FOLHA – O que é o núcleo?
BELLUZZO – Excluem-se os preços mais voláteis, como energia e alimentos. Com a demanda acelerada, a inflação começa a se espalhar pelo sistema de preços como um todo. Leia o resto do artigo »

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“Desenvolvimento sustentável é abstração”

Postado em 16 dEurope/London junho dEurope/London 2008

 Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, edição de domingo (15/06/2008), o Ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos do Brasil Mangabeira Unger confessou que se sente feliz, que graças ao convite do Presidente Lula para assumir uma pasta ministerial devotada a projetos de longo prazo, conseguiu finalmente espaço institucional para defender suas idéias, as quais batalha há décadas. Idéias de um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil abandonando a idéia da construção de uma Suécia Tropical.

Segundo Unger o seu maior desafio é a coordenação do Plano Amazônia Sustentável, PAS, que teria despertado a mágoa derradeira de Marina Silva, levando a abandonar o Ministério do Meio Ambiente. A grande convergência nacional sobre a Amazônia ainda se vale de uma abstração. Em diferentes lugares tenho dito o seguinte: a Amazônia não é só a maior coleção de árvores do mundo, é também um grupo de pessoas. Sem alternativas econômicas, essas pessoas serão impelidas, inexoravelmente, a atividades que resultarão na devastação da floresta.

O Ministro procurou formular estratégias de longo prazo pensando em ações concretas, tangíveis, como se fossem as primeiras prestações do futuro Identificando cinco áreas: oportunidade econômica, oportunidade educativa, qualidade da gestão pública, defesa e Amazônia. Nesta área, imaginei outros sete conjuntos de iniciativas. Estou convencido de que é a partir da Amazônia que se pode pensar o futuro do país.

Unger crê na vitalidade brasileira e aposta na posição de destaque que o Brasil terá no mundo. A entrevista a seguir detalha claramente o plano de longo prazo do ministro.

Por: Luciana Sergeiro

Publicado em: O Estado de S. Paulo

Por: Laura Greenhalgh

Ambientalistas radicais se acautelem: o ministro quer desfolhar a tese de que a Amazônia seja preservada como santuário de árvores, rios, bichos e humanos sem perspectivas

Quem entra no gabinete do ministro de Assuntos Estratégicos, o filósofo e jurista Roberto Mangabeira Unger, depara-se com a solene reprodução de um retrato de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, emoldurada em dourado e pendurada no salão de despachos em estilo clean. Não se trata de idolatria confessa, mas de um daqueles presentes de grego com que parlamentares costumam brindar ministros recém-empossados. Respeitável conhecedor de história do Brasil, o ministro explica com o sotaque americanizado que a infância vivida nos Estados Unidos colou indelevelmente na sua biografia: “Não faça comparações. Este aí teve poderes quase ditatoriais no Império. Eu não tenho poder algum”.

O futuro dirá. Neto de um célebre político baiano, o governador Octávio Mangabeira, professor titular de Direito em Harvard e considerado brilhante pensador do mundo jurídico americano, Mangabeira Unger, 61 anos, confessou algo pessoal nesta entrevista ao Aliás: sente-se feliz. Graças ao convite do presidente Lula, feito em outubro do ano passado, para assumir uma pasta ministerial devotada a projetos de longo prazo, conseguiu finalmente espaço institucional (e meios) para defender idéias pelas quais batalha há décadas. Como a de que o Brasil precisa criar um novo modelo de desenvolvimento, jogando fora o formulário de soluções importadas e desistindo da idéia de ser uma “Suécia tropical”. A felicidade é tanta que o ministro parece uma parabólica, antenando todos os setores da vida nacional. Fala de meio ambiente, educação, política, trabalho, agricultura. Com idéias para tudo, mais parece um organizador-geral da Nação. Sobre aquele que já foi alvo de suas críticas mais ácidas, faz outra revelação: “Ousaria dizer que o presidente tem tido tolerância crescente comigo…” E desata a rir. Também aprecia o senso de humor de Lula.

Mangabeira Unger filosofa alto, mas traduz idéias quase ao rés do didatismo. Sabe que corre contra o relógio – tanto pelo que resta do segundo mandato de Lula quanto pelo fato de tocar um ministério que pisa em campos minados. Seu maior desafio, hoje, é a coordenação do Plano Amazônia Sustentável, o PAS, que teria despertado a mágoa derradeira de Marina Silva, levando-a a abandonar o Ministério do Meio Ambiente há um mês. “Não tinha sentido o PAS ficar num ministério setorial, como o de Marina. Mas sempre nos demos tão bem, por que ela decidiu sair?”, indaga um inconformado Mangabeira Unger, bem menos enfático em relação ao sucessor da ministra, Carlos Minc. “Eu o conheci agora, estamos conversando.”

Seu pensamento gira em torno de um feixe de convicções, entre elas, a de que é preciso crer na vitalidade brasileira – “isso é revolucionário”, sublinha – e apostar na posição de destaque que o Brasil terá no mundo. Chega a dizer que o País será, fatalmente, o parceiro preferencial dos Estados Unidos. De política americana, entende um bocado, embora se mantenha discreto ao falar da campanha eleitoral em curso. Sabe-se que Barak Obama foi seu aluno em Harvard, “um aluno talentoso, com qualidades morais e intelectuais”, e que a amizade perdura. Mas o ministro, que não se diz político, herdou a esperteza do avô: “McCain também tem biografia respeitável”. Não é hora de declarar favoritismos.

Quando esta entrevista chegar aos leitores, o senhor estará em viagem de trabalho pela Amazônia, em pleno fim de semana. Sinal de que o PAS decolou?

O PAS não é planilha. É um conjunto de diretrizes e compromissos, cuja implementação está sendo feita. Já perdemos muito tempo com essa guerra entre desenvolvimentistas e ambientalistas. Uma falsa guerra, aliás. Pela primeira vez a Amazônia ocupa o centro da atenção nacional. Porque o Brasil está descobrindo, até intuitivamente, que esta não é uma causa regional. A Amazônia é a nossa grande fronteira, não só em termos geográficos, mas imaginários. São poucos os brasileiros que ainda se batem pela idéia de que a região tem de ser um santuário vazio de gente e ação econômica. Como também poucos aceitam a idéia de que o preço do desenvolvimento inclui todas as formas de produção, até as predatórias. A grande maioria dos brasileiros rejeita as duas posições, insistindo na tese do desenvolvimento sustentado. O problema é que esta tese é uma abstração. Leia o resto do artigo »

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A estratégia das políticas de desenvolvimento

Postado em 16 dEurope/London junho dEurope/London 2008

Antonio Corrêa de Lacerda

Fonte: Valor Econômico (13/06/08)

O anúncio da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) tem gerado um interessante debate sobre o espaço e o papel das políticas de desenvolvimento na atual fase da economia mundial. As críticas à iniciativa ocorrem em dois sentidos. A primeira, de cunho mais liberal, daqueles que não vêem sentido e espaço para iniciativas do Estado, por acreditarem que o mercado possa dar conta do desafio. A segunda, daqueles que consideram que, com a globalização da economia, não é mais possível adotar ações de política industrial, que teriam se tornado “coisa do passado”.

Como se os países hoje desenvolvidos não tivessem utilizado para chegarem onde estão. Ou mesmo a experiência dos países em desenvolvimento bem-sucedidos que não sucumbiram ao “canto da sereia” do neoliberalismo e mantiveram a proatividade do Estado em beneficio do desenvolvimento. Quem tiver qualquer dúvida a esse respeito pode consultar o excelente “Chutando a Escada: A Estratégia do Desenvolvimento em Perspectiva Histórica” (Editora Unesp, 2004), do sul-coreano professor de Cambridge Ha-Joon Chang. 

A globalização da economia criou um mito de que as políticas industriais se tornariam desnecessárias. A prática tem demonstrado que as políticas de competitividade se mostram imprescindíveis. O que mudou é que ficou mais complexo fazê-la. Mas, apesar de mais difícil, o pior dos mundos é não tê-la. Para o Brasil, é fundamental fortalecer e criar novas vantagens competitivas e toda iniciativa a esse respeito deve ser apoiada. A PDP não é, como pode parecer a alguns, uma ajuda a setores da indústria. Quem ganha efetivamente é o país, ao favorecer o desenvolvimento.  Leia o resto do artigo »

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