Publicado em: Valor Econômico (conteúdo restrito a assinantes)
Por Genilson Cezar
Celso Furtado em 2000: ponto central do documentário, que estréia nesta sexta, é uma entrevista de quatro horas, a última filmada, que o economista concedeu em 2004, cinco meses antes de morrer. O filme mescla cenas documentais de importantes fases da vida política econômica brasileira, desde Getúlio Vargas, passando pelos governos JK, Jânio e Jango, com depoimentos dos mais expressivos economistas do país, como Francisco de Oliveira, José Israel Vargas, João Manuel Cardoso de Melo, Maria da Conceição Tavares, Osvaldo Sunkel e Ricardo Bielschowsky, que também participou como consultor do filme.
O economista Celso Furtado, paraibano de Pombal, nascido em 26 de julho de 1920, viveu intensamente. Esteve nas fileiras da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial. Ajudou a reconstruir uma estrada de ferro numa região da antiga Iugoslávia (hoje Bósnia), no pós-guerra. Integrou o primeiro núcleo de economistas da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), criada em 1949, em Santiago, no Chile. Escreveu em 1954 uma obra clássica, “Formação Econômica do Brasil”, na qual combina teoria macroeconômica e história. Criou e dirigiu a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), no governo de Juscelino Kubitschek, em 1959. Foi ministro do Planejamento no governo Jango Goulart, ministro da Cultura no governo Sarney e deu aula na Sorbonne, em Paris, França, durante 20 anos. Celso Furtado morreu no seu apartamento, em Copacabana, no Rio, em 20 de novembro de 2004.
Mas seu pensamento sobre a realidade brasileira continua atual, conforme depoimento do economista Antônio Barros de Castro no documentário “O Longo Amanhecer”, dirigido por José Mariani, que estréia no Rio e em São Paulo nesta sexta.
“Celso Furtado é atual, não pelo que ele escreveu sobre a atualidade. É o conjunto do pensamento dele que coloca vigorosamente a necessidade de um projeto social para o Brasil. Ainda que se possa discutir que cara vai ter esse projeto, nós temos de ter um projeto de desenvolvimento nacional. Nosso crescimento está bloqueado por uma descomunal dívida externa, que tem de ser renegociada, e por uma dívida interna insuportável, que também mobiliza o Estado e o transforma num guichê pagador de juros. Desde quando Celso Furtado formulou seu pensamento econômico para cá, as coisas pioraram muito no país. Hoje, dois terços dos trabalhadores brasileiros ganham um salário ridículo, não há geração de empregos, o sistema de saúde funciona mal, a educação pior ainda”, avalia Castro. Leia o resto do artigo »