Postado em 5 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Delfim Netto
Fonte: CartaCapital
A maior demonstração de que a economia não é uma ciência é que ela é (e provavelmente continuará) dividida em escolas (neoclássicos, keynesianos, marxistas e institucionalistas, entre outros). Ainda que uma delas seja hoje dominante na academia (outras já foram no passado), suas conclusões não têm a capacidade de converter as outras – pela lógica apoiada na pesquisa empÃrica – e levá-las a acreditar em afirmações apodÃcticas do tipo: se modificarmos a variável A em x% hoje, a variável B modificar-se-á em y% dentro de tanto tempo. A única verdade que todas as escolas aceitam (algumas com grande dificuldade) são as identidades da Contabilidade Nacional, isto é, aquilo que a economia importou da técnica de registro inventada por Luca Pacioli no século XV.
Mas então o que é a economia? Ã? um conhecimento que deve ajudar na criação de mecanismos eficientes de cooperação entre os homens, para atender eficientemente à s suas necessidades materiais. Ela procura descobrir normas e comportamentos de cooperação social (e, logo, moral) que tornam possÃvel o processo civilizatório. Ela não precisa se limitar ao que “é”. Pode invadir sem remorso o terreno do que “deve ser”: Ela não é, como disse Keynes, a civilização, mas a possibilidade dela. Leia o resto do artigo »
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Postado em 5 dEurope/London maio dEurope/London 2008
“O reaproveitamento da palha da cana, que representa 1/3 do que sobra na produção de etanol, é uma das alternativas para a diversificação energética. Dessa forma estaremos recuperando as reservas de água, assegurando os níveis. O aproveitamento do bagaço também ajudará a diminuir o preço da energia no mercado.”
*Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Projeto Brasil
A diversificação da matriz energética e a construção de novos modelos de usinas como as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) estão no centro das discussões que tratam do futuro da produção de megawatts no país.
Durante o 1º Painel do 53º FPB – A nova matriz energética em período de crise, o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tomalsquim, destacou as condições que temos hoje para evitar um novo período de escassez no setor, como o que ocorreu em 2001.
“Hoje nós temos um maior grau de integração energética graças ao aumento das linhas de transmissão, que são capazes de mandar água para outros reservatórios. De 2001 para os dias de hoje, a capacidade de recepção da região sudeste foi duplicada e a do nordeste aumentou em duas vezes e meia”, declarou. Leia o resto do artigo »
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Postado em 5 dEurope/London maio dEurope/London 2008
As crises tornam-se cíclicas e, na sociedade, a vigência de duas verdades marca a distância entre os de cima e os de baixo.
JOSÉ LUÍS FIORI
Fonte: CartaCapital, n.81, set/1998.
“O que se vê forma mais aguda é a maneira pela qual essa forma de gestão da moeda induz a um ajustamento à globalização que só pode ser feito com alto custo social, baixo crescimento e diminuição da margem de manobra dos governos.”
UM ANO DEPOIS, O QUE FOI QUE MUDOU e o que se pode prever para eventual segundo mandato do presidente Cardoso? A direção econômica é essencialmente a mesma e as tendências de médio prazo de aumento do desequilíbrio externo, do déficit e das dividas, assim como do declínio do crescimento e do aumento do desemprego, se mantiveram ou foram apenas aceleradas pela “crise asiática”. Mas algumas decisões tomadas, neste último ano, aprofundaram ainda mais a submissão do governo e da sociedade à gestão da sua moeda, cada vez mais fictícia. Primeiro, foi a “crise mexicana”, depois a asiática, logo a “crise russa” e assim sucessivamente, mas este governo se mantém inabalável, aplicando doses cada vez mais fortes da mesma terapia e caminhando em direção à “morte anunciada”. Porque essas crises não são fatos excepcionais ou isolados, ao contrário do que nossas autoridades insistem em fazer crer. Elas vieram para ficar e se repetirão, de forma cada vez mais extensa, porque são um componente essencial e cíclico da dinâmica da globalização financeira.
Os países, como o Brasil, dependentes de capitais externos abundantes e baratos para equilibrar suas contas externas e sustentar sua estabilização monetária, enquanto não mudarem sua estratégia e política econômica, deverão repetir, periodicamente, novos ajustamentos cambiais e fiscais de natureza recessiva. Portanto, nada de novo por ai, nem no horizonte previsível. Leia o resto do artigo »
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Postado em 4 dEurope/London maio dEurope/London 2008
“A vitória do ex-bispo Fernando Lugo nas eleições no Paraguai pôs fim a quase 61 anos de predomínio do Partido Colorado que manteve o poder político no país. Ao longo desses anos, o Paraguai, um país de grandes recursos naturais, apresentou um grande atraso econômico, político e cultural, além da condenação à pobreza.”
*Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Correio da Cidadania
Por Atílio Boron
O triunfo do ex-bispo Fernando Lugo nas eleições desse domingo põe fim a quase 61 anos de predomínio do Partido Colorado. A maior parte desse período transcorreu sob o signo de uma das mais ferozes e reacionárias ditaduras da América Latina presidida por Alfredo Stroessner que tomou o poder mediante um golpe de Estado em 1954 e permaneceu nele até 1989. Desde então, até o domingo de 20 de abril, o Partido Colorado manteve o poder político no país.
Ao longo desses anos, o Paraguai, um país que, como a Bolívia, possui grandes recursos naturais e uma população relativamente pequena (não chega a sete milhões de habitantes), aprofundou o seu atraso econômico, político e cultural, condenando à pobreza a grande maioria dos seus filhos e ‘prendendo’ aqueles que não emigraram sob um sistema corrupto até a medula, no qual os mais altos funcionários do Estado eram, com poucas exceções, os organizadores do saque praticado contra a nação guarani.
Com o triunfo de Lugo caiu o último bastião do despotismo que assolou a região durante a segunda metade do século passado. O do Paraguai foi mais longe; mudou de pele como uma serpente e engendrou, para perpetuar a ditadura, a continuidade do mesmo bloco dominante sob uma roupagem que apenas formalmente parecia democrático. O transformismo de que falava Gramsci foi uma verdadeira escola entre a classe política paraguaia e as mudanças que aconteceram logo após a saída de Stroessner serviram, com dizia Gatopardo, para que tudo continuasse igual. Leia o resto do artigo »
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Postado em 4 dEurope/London maio dEurope/London 2008
“Copom realizou um aperto relativamente superior ao esperado por boa parte dos analistas, que indicavam que o Comitê iria elevar a meta da Selic em 0,25 ponto percentual. Sugerindo assim que, o aperto monetário pode ser mais forte do que o suposto e a taxa de juros pode atingir níveis mais elevados.”
*Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Gazeta Online (restrito a assinantes)
Por: Rogério Mori
“Considerar apenas projeções do mercado pode levar a decisões equivocadas”
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de elevar em meio ponto percentual a meta da taxa básica de juros (Selic) gerou repercussões em vários níveis no contexto econômico nacional. As preocupações do BC, nesse sentido, remontam à perspectiva de um ambiente inflacionário corrente e prospectivo não tão favorável quanto a alguns meses atrás em um contexto de aquecimento econômico. Sob essa perspectiva, a aceleração recente da inflação medida pelo IPCA aponta para a possibilidade concreta de um resultado superior à meta em 2008 em um quadro em que o crescimento do produto para este ano sinaliza para um patamar superior a 4%.
Dentro desse cenário, a perspectiva de uma alta da taxa de juros no primeiro semestre de 2008 era relativamente dada desde fins do ano passado, a partir dos sinais emitidos pelo próprio BC. Ainda assim, o Copom realizou um aperto relativamente superior ao esperado por boa parte dos analistas, que indicavam que o Comitê iria elevar a meta da Selic em 0,25 ponto percentual. Esse movimento por parte da autoridade monetária, ao que tudo indica, sugere que o aperto monetário pode ser mais forte do que o suposto inicialmente e a taxa de juros pode atingir níveis mais elevados. Claramente, esse quadro pode se tornar uma realidade concreta se o BC, de fato, mira em uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica. Esse movimento, sob essa ótica, teria que ser suficientemente forte para conter o impulso da expansão do crédito privado e seus efeitos sobre o ritmo da economia brasileira.
A lógica do Copom no que tange à decisão recente tem sido amplamente debatida e vários argumentos têm sido apresentados, contrapondo essa decisão e apresentando críticas à decisão do BC. Leia o resto do artigo »
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Postado em 4 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Reinaldo Marques/Terra
O jornalista Luís Nassif, autor de “Os Cabeças-de-Planilha – Como o Pensamento Econômico da Era FHC Repetiu os Equívocos de Rui Barbosa”
Daniel Bramatti do TERRA MAGAZINE
Às vésperas do lançamento oficial do Plano Real, em 1994, o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, assegurava publicamente que haveria paridade entre a nova moeda e o dólar. Não foi o que aconteceu. O real entrou em cena valendo mais que a moeda norte-americana, e sua cotação subiu ainda mais com o passar do tempo. As conseqüências da sobrevalorização foram desastrosas: explosão das importações, déficit em conta corrente e desaceleração da economia, em razão da necessidade de manter juros altos para atrais capitais especulativos.
Para o jornalista Luís Nassif, não houve um simples erro na condução da economia na época, mas uma “operação de mercado”. Ele vê uma ação deliberada dos formuladores e implementadores do plano com o objetivo de beneficiar a si próprios e a grupos aliados. “Eles tomaram um conjunto de medidas técnicas cuja única lógica foi permitir enormes ganhos para quem sabia para onde o câmbio ia caminhar. E o grande vitorioso desse período é o André Lara Resende, que é um dos formuladores dessa política cambial”, disse Nassif, em entrevista a Terra Magazine.
A interpretação do jornalista sobre a formulação e a crise do Plano Real está no recém-lançado livro “Os Cabeças-de-Planilha – Como o Pensamento Econômico da Era FHC Repetiu os Equívocos de Rui Barbosa”. No livro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que as reclamações contra a alta carga tributária no país são “choradeira” (leia aqui).
Leia a seguir trechos da entrevista.
Logo na dedicatória do livro o senhor diz que vivemos “anos de desatino”. Por quê?
Algumas vezes na história um país consegue juntar um conjunto de idéias e políticas relevantes que permitem uma mudança de patamar. Em 1994 houve uma dessas situações. O país estava pronto para dar o grande salto da economia fechada para uma economia de integração competitiva. E isso foi jogado fora com a apreciação cambial da saída do Real, de julho de 1994. Segundo as minhas investigações, não foi um erro técnico. Foi uma operação de mercado que resultou em um desastre mais adiante. E depois houve a perpetuação desse erro por conta de um presidente vacilante e com pouca visão de futuro.
No livro o sr. fala que a preocupação com o câmbio existia na preparação do Plano Real e que isso sumiu logo adiante.
Esse é o ponto central. Às vezes um grande erro pode ser atribuído a uma cegueira teórica, o economista fica prisioneiro de uma determinada teoria que ele defende. Comecei a prospectar as razões desse erro de partida do Plano Real, que foi um erro crasso. Dois meses depois o país já estava com déficit em conta corrente e, em março de 1995, o Brasil teve de parar todo o processo de crescimento. Eu tentei entender a lógica desse pessoal para ver se foi um erro teórico, e nada indicava isso. Eles eram muito preparados e muito competentes para ser um erro teórico um desastre daquelas proporções. E depois do desastre eles insistiram no erro. Quando foram divulgados os planos preliminares do Real, quando eles começam, um ano antes, a discutir o plano entre si, ficou claro que eles tinham percebido todos os riscos decorrentes da decisão que tomaram. Então por que tomaram?
E qual é a resposta? Leia o resto do artigo »
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Fed deve cortar juro em 0,25 ponto e encerrar ciclo de baixa, diz LCA
Publicado originalmente na Folha
O Fed (banco central dos EUA) deve anunciar hoje um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, para 2% ao ano, e encerrar o ciclo de reduções, de acordo com relatório da consultoria LCA. “Os juros norte-americanos já estão muito baixos e reduzi-los ainda mais teria eficácia limitada”, diz Luís Suzigan, economista da LCA . Daqui por diante, diz a consultoria, o governo norte americano irá preferir intensificar o uso de linhas emergenciais de crédito para fornecer liquidez ao mercado.
Suzigan afirma que as linhas emergenciais vão direto na raiz do problema, que é a restrição de liquidez. “As instituições financeiras estão cobrando muito caro para emprestar recursos, com medo de ficarem descobertas. A liquidez está restrita porque está todo mundo segurando os recursos.”
De acordo com a LCA, as cotações de juros nos mercados futuros se alinharam a essa expectativa, pois há indícios de que a intensidade da recessão americana é branda. Até meados de março, a expectativa do mercado futuro para o final deste ano era de juros entre 1,25% e 1,5% ao ano. Leia o resto do artigo »
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“A tributação sobre o faturamento é uma solução moderna e em consonância com o que se faz no resto do mundo e o problema é calibrar isso de forma que não crie distorções e aumento de encargos”, afirmam especialistas.
Por Katia Alves
Por Cibelle Bouças e Marta Watanabe
Publicado originalmente no Valor
A proposta de agenda mínima para promover mudanças no regime trabalhista, apresentada pelo ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, foi recebida com surpresa por instituições que representam as indústrias. Procuradas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) informaram que não tinham conhecimento do documento.
Para o professor de relações do Trabalho da USP e consultor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Pastore, o financiamento da Previdência pelo IVA federal, em substituição à atual contribuição patronal sobre a folha de pagamento, pode afetar os preços relativos atuais. Ele observa que hoje os gastos com recolhimento do INSS em folha variam de setor a setor, dependendo da quantidade de mão-de-obra exigida.
A proposta de mudança não deixa claro se o IVA teria alíquotas diferentes para cada setor, variando de acordo com o volume de recursos recolhidos hoje à Previdência via folha. “A substituição precisa ser esclarecida. A adoção do IVA como fonte de arrecadação da Previdência exigiria uma operação bastante complexa e difícil de se quantificar. É preciso esperar por mais detalhes para avaliar a proposta.” De acordo com Pastore, o setor industrial não foi consultado sobre a proposta de mudanças. Leia o resto do artigo »
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