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Blog do Desemprego Zero

Archive for 2008

A construção política das instituições de mercado

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

O mecanismo de preços do mercado já não exerce mais de maneira exclusivista o papel de delinear a alocação de recursos na sociedade. Esse papel começa a ser partilhado com outros mecanismos que atentam para algo mais que apenas os aspectos econômicos dos recursos, mas que observam, na verdade, os efeitos da transformação e do emprego desses recursos na vida social e no meio ambiente. Tais mecanismos prestam-se a evidenciar ao ambiente social a própria necessidade e importância de um determinado mercado.  Esses mecanismos tratam-se dos processos de certificação socioambiental das atividades produtivas privada e pública, que têm ganhado vulto nos últimos anos, principalmente no cenário internacional.

Entidades sociais diversas, como ONGs e movimentos sociais, têm uma forte participação na instituição desses processos, impulsionados muitas vezes pela pressão que essas entidades exerceram e exercem em prol da transparência da atividade produtiva e dos efeitos socioambientais que ela pode gerar. A sociedade não admite mais a ignorância quanto aos processos que a atinge.

Os processos de certificação têm submetido empresas e mesmo setores inteiros da economia a uma avaliação socioambiental cada vez mais austera. Mais do que uma mera preocupação com a imagem de empresas ou setores, a certificação pretende apontar ao conjunto da sociedade os objetivos, compromissos, custos e também os benefícios de um determinado mercado, evidenciando a importância de sua existência ou mesmo sua irrelevância. Objetiva-se nesses processos a exposição pública e clara de indicadores capazes de mostrar as conseqüências da produção e do uso dos produtos no ambiente social e natural.

A sociedade passa a dar maior atenção à forma como a atividade produtiva pode atingi-la e apenas os argumentos econômicos não bastam mais para que determinada atividade seja aceita socialmente.

Isto é o que vem acontecendo com os biocombustíveis. Apesar de todo o argumento econômico a favor desses produtos, eles ainda carecem de um processo adequado de rastreamento das atividades que envolvem a sua produção. As críticas a esses produtos têm resistido a diversos argumentos em seu favor e para superá-las é preciso mais do que o apelo econômico…

* Por Elizabeth Cardoso

Publicado originalmente no Valor Online (restrito a assinantes)

Por Ricardo Abramovay*

Como explicar a tão forte oposição internacional ao etanol brasileiro? Dizer que é uma conspiração dos interesses petrolíferos, não parece consistente, uma vez que as próprias empresas deste setor investem, de forma crescente, em inúmeras modalidades de energias alternativas, inclusive em biocombustíveis. Colocar sob suspeita os países ricos, que não se conformariam com a emergência do gigante adormecido, não bate com o fato de que 15% da produção brasileira de etanol já se encontram sob domínio de grupos estrangeiros. Fundos de investimento e grandes empresas que dominam a industrialização e a comercialização de cereais no Meio-Oeste dos EUA – e, portanto, a produção de etanol daquele país – respondem por aportes de recursos que, nos últimos dois anos, superam os US$ 17 bilhões. O esforço do governo e do setor empresarial para demonstrar o balanço energético positivo do etanol brasileiro, o argumento de que ele não ameaça a floresta amazônica e as informações mostrando seus impactos relativamente reduzidos sobre o abastecimento alimentar, nada disso parece suficiente para calar os críticos.

Esta dificuldade não é específica ao etanol, nem ao Brasil, mas exprime um dos traços mais interessantes e promissores da formação dos mercados no mundo contemporâneo: o mecanismo dos preços vai perdendo seu tradicional monopólio como dispositivo informacional a respeito da alocação dos recursos sociais. Aos preços juntam-se outras formas de organização dos processos concorrenciais que passam pela capacidade de expor de maneira pública e sintética indicadores sobre os efeitos da produção e do uso dos produtos na vida social e no patrimônio natural em que ela se assenta. Não se trata apenas de reconhecer as “externalidades” da economia e enfrentá-las por meio de leis e da intervenção do Estado. Muito mais que isso, trata-se de localizar e medir como cada empresa e cada setor econômico usam recursos cujo caráter privado submete-se a uma avaliação socioambiental cada vez mais exigente.

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A turma da bufunfa e o déficit externo

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

Fonte: Folha de S. Paulo (29/05/2008) 

POSSO ME repetir um pouco, leitor? Não há quem consiga manter uma coluna semanal sem insistir obsessivamente em certos temas. Além disso, como dizia Nelson Rodrigues, tudo o que é dito uma vez, uma única e solitária vez, permanece rigorosamente inédito. 

Gostaria de fazer duas coisas hoje: desancar um pouco mais os bufunfeiros e reclamar do crescente desequilíbrio externo. Os dois temas se ligam de alguma maneira. Não é surpresa: como dizia Anaxágoras, um dos pré-socráticos, “tudo está em tudo”, tudo se relaciona, tudo se comunica. 

Por alguma razão, os bufunfeiros têm uma forte tendência a subestimar os riscos associados ao desequilíbrio externo. Há exceções, algumas notáveis, mas essa é a regra. O déficit público e a inflação são suas “bêtes noires”, mas o déficit do balanço de pagamentos costuma ser visto com certa tolerância. 

Toda vez que a economia acusa uma tendência ao desequilíbrio no balanço de pagamentos em conta corrente, logo aparecem numerosos economistas ligados à bufunfa com argumentos e teorias falsamente tranqüilizadoras. A mais “clássica”, muito usada na primeira fase do Plano Real, é a de que déficits em conta corrente são naturais para um país em desenvolvimento como o Brasil, pois são a contrapartida da “absorção de poupança externa”. 

Essa teoria teve certo apelo, mas está bastante desmoralizada pela aplicação abusiva. Tautologicamente, um déficit em conta corrente corresponde ao aporte de poupança externa. Daí não se infere, contudo, que o aumento do déficit em conta corrente necessariamente amplie a taxa de poupança total e eleve a taxa de investimento. O aumento da poupança externa pode ser acompanhado de diminuição da poupança interna. E poupança não cria investimento. O que prevalece, no curto e no médio prazos, é a relação de causalidade inversa do investimento para a poupança. 

O maior problema associado a déficits elevados em conta corrente é a vulnerabilidade externa. Esse foi o nosso grande pesadelo na década de 90 e no início da década atual. Ainda não recriamos o problema, mas talvez estejamos a caminho de fazê-lo. 

A cada mês que passa, os dados parecem vir piores. No acumulado do ano, a taxa de crescimento do valor das exportações de bens (20%) não chega nem à metade da taxa de crescimento das importações (49%). 

Como resultado, o superávit comercial sofreu um colapso. Outros componentes da conta corrente também registram deterioração acentuada. O déficit com serviços (transporte, viagens, seguros, entre outros) aumentou 47% em janeiro-abril contra o mesmo período do ano passado. O déficit com rendas cresceu 71% na mesma base de comparação, principalmente por causa do aumento explosivo das remessas de lucros e dividendos. 

Não há crise à vista. O déficit em conta corrente vem sendo financiado com grande folga por investimentos estrangeiros diretos. As nossas reservas internacionais nunca foram tão altas. 

Mas o resultado em conta corrente vem piorando com uma rapidez impressionante. Em 2006, tínhamos superávit de US$ 13,6 bilhões. Em 2007, o superávit caiu para US$ 1,5 bilhão. Nos 12 meses encerrados em abril, o déficit alcançou US$ 14,7 bilhões. Portanto, uma virada de nada menos que US$ 16,2 bilhões em apenas quatro meses.

Não vamos nos deixar levar, de novo, pelo canto de sereia da turma da bufunfa!

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Lula defende mais investimentos do Brasil na África

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (27) uma ação mais intensa das empresas brasileiras na busca de oportunidades de negócios no continente africano. “Pouca gente presta atenção, mas países como Angola estão crescendo a 19% ao ano e se o Brasil não tomar cuidado de fazer as parcerias que precisa fazer na África, pode ficar certo que tem gente fazendo”, disse o presidente, em solenidade realizada nas instalações da GE Transportation South America (Gevisa), em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.

Por Luciana Sergeiro

Publicado em: Vermelho Online

Segundo ele, no vácuo da tímida aproximação dos empresários brasileiros com a África, outros países vêm tomando a dianteira e estreitando as relações com os governos locais, entre os quais os grupos estatais da China. “Os chineses estão lá, investindo em ferrovia, em hidrovia e, sobretudo, na busca de minérios, de tudo que possa ter embaixo da terra”, afirmou o presidente, que insistiu na necessidade de uma incursão mais agressiva das empresas nacionais no mercado africano. “O Brasil não pode ficar parado esperando as coisas acontecerem no continente africano, sem a nossa participação.”

Acompanhado dos ministros Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Alfredo Nascimento (Transportes), Lula participou da entrega da primeira locomotiva de grande porte produzida no país. O equipamento, apropriado para transportar, principalmente, minério de ferro, passou a ser fabricado pela Gevisa, fazendo com que o Brasil deixe de ser importador.

Lula aproveitou o evento para defender mais investimentos no setor ferroviário e enfatizar as realizações que vêm sendo feitas na área de transporte durante o seu governo. “O Brasil vai se tornar um grande exportador nos próximos anos e vai precisar melhorar a sua infra-estrutura (de logística), que é o que estamos buscando, ao fazer as ferrovias chegarem aos portos”, disse. Leia o resto do artigo »

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País pode se tornar um dos líderes globais, diz Fiori

Postado em 29 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Os Estados Unidos mesmo após a sua instabilidade econômica ainda tem condições de retomar a liderança, mas terão agora de concorrer com atores que ganham peso na economia global: China, Rússia e Brasil, que é o único país da América do Sul que tem potencial para entrar nessa briga.

O Brasil é o único da região com condições de desempenhar o papel de locomotiva da expansão sul-americana, segundo Fiori. O país possui o maior mercado interno, disponibilidade de alimentos, reservas de minérios, auto-suficiência energética e potencial para expandir a produção de petróleo.

Para tirar melhor proveito desse potencial, porém, o país deveria desenvolver a economia doméstica a ritmo mais acelerado, com crescimentos superiores à média de 5% dos últimos anos.

Por Luciana Sergeiro 

Publicado em: Valor Online

Por: Cibelle Bouças

A instabilidade econômica americana jogou luz sobre o novo cenário geopolítico que se desenha no mercado global desde o fim da Guerra Fria, em 1991. Nesse cenário, os Estados Unidos ainda têm condições de retomar a liderança, mas terão agora de concorrer com atores que ganham peso na economia global: China e Rússia. Na América do Sul, apenas um país tem potencial para entrar nessa briga: Brasil. Mas, para isso, terá de rever os acordos políticos que mantém, sobretudo com os vizinhos sul-americanos. A avaliação é de José Luís Fiori, professor de economia política na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Falta ao Brasil coordenação para desenvolver uma estratégia expansiva que integre a América do Sul. Hoje o país é o único da região com condições de desempenhar esse papel de locomotiva da expansão sul-americana”, avalia Fiori. Ele observa que o país possui o maior mercado interno, disponibilidade de alimentos, reservas de minério, auto-suficiência energética e potencial para expandir a produção de petróleo, fatores que tornam os outros atores capazes de concorrer pela hegemonia geopolítica no século XXI.

Para tirar melhor proveito desse potencial, porém, o país deveria desenvolver a economia doméstica a ritmo mais acelerado, com crescimentos superiores à média de 5% dos últimos anos. E precisa desenvolver uma política econômica regional – Fiori sugere que os recursos do fundo soberano sejam utilizados, por exemplo, para financiar a expansão econômica dos países vizinhos. “Essa é uma hipótese, mas tenho consciência de que a cultura política de integração não existe na América do Sul”, afirma. Além disso, diz, assumir a posição de “locomotiva” significa colocar-se na posição de concorrente dos EUA. “Os governantes atuais não parecem estar dispostos a isso.” Leia o resto do artigo »

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Lula costura acordos estratégicos com líderes da América Central

Postado em 29 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Lula desembarcou nessa quarta-feira em El Salvador, onde vai discutir com os países da América Central diversos temas como fome, pobreza, biocombustíveis e segurança. A Cúpula América Central-Brasil servirá para analisar o estado das relações políticas dos países envolvidos, o estímulo do comércio comum e o investimento e os programas de cooperação para o desenvolvimento de biocombustíveis.

*Por Katia Alves

Publicado originalmente no Vermelho

O Brasil discutirá com os países da América Central possibilidades de acordo nas áreas de combate à fome, erradicação da pobreza, biocombustíveis e segurança. Os temas estarão em pauta na 3ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo das duas regiões, nesta quinta-feira (29), em El Salvador.

Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estarão mandatários de Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá – países que integram o Sistema para a Integração Centro-Americana (Sica) – e República Dominicana.

Lula chegou a El Salvador na noite de quarta-feira (28), acompanhado por seis ministros de Estado e por uma comitiva de empresários brasileiros.

A ministra de Assuntos Exteriores de El Salvador, Marisol Argueta, recebeu o presidente no aeroporto de Comalapa, 44 quilômetros ao sul de San Salvador.

A Cúpula América Central-Brasil servirá para analisar o estado das relações políticas dos países envolvidos, o estímulo do comércio comum e o investimento e os programas de cooperação para o desenvolvimento de biocombustíveis. Além disso, espera-se que os governantes discutam a possibilidade de negociar um acordo comercial entre o Sica e os países-membros do Mercosul. Leia o resto do artigo »

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40 anos da Revolução Sexual: a mulher continua “Brinquedo de Homem”

Postado em 29 dEurope/London maio dEurope/London 2008

1968 foi um ano em que a palavra revolução enchia o coração e as mentes de milhões de jovens pelo mundo afora, falava-se de várias revoluções: na educação, na família, na escola. Mas as principais eram a revolução social e a revolução sexual. A mulher estava lutando para conquistar seu lugar no mundo. Quarenta anos passaram-se e até hoje as mulheres são tratadas apenas como um símbolo, muitos homens ainda vêem as mulheres apenas como um troféu bonito, composto apenas por uma camada exterior bonita e reluzente, porém sem cérebro. O autor do blog Desemprego Zero em seu artigo “40 anos da Revolução Sexual (…)”, explica melhor a relação da mulher após 40 anos ainda ser vista apenas como um brinquedo.

Por Luciana Sergeiro

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40 anos da Revolução Sexual: a mulher continua “Brinquedo do Homem”

Por Vito Giannotti*

Está na moda falar dos 40 anos de 1968. Foi um ano de vendaval contra todas as instituições autoritárias. A palavra revolução enchia o coração e as mentes de milhões de jovens pelo mundo afora. Falava-se de várias revoluções: na educação, na família, na escola, nas religiões. Mas as duas principais revoluções, que iam lado a lado uma da outra eram a revolução social e a revolução sexual. A mulher estava lutando para conquistar seu lugar no mundo. Queria deixar de ser considerada um simples “objeto de cama e mesa” como dizia o título de um livro de Heloneida Studart. Outro livro da mesma autora se intitulava “Mulher brinquedo do Homem”. E isso a mulher não queria ser mais. Queria ser tratada como gente, com direitos iguais aos seus irmãos machos. 

Pois isto era coisa daquele distante 1968.

Hoje, jornais, revistas, programas à la Big Brother e músicas estão cheios de mulheres à moda antiga: pedaços de carne, bundas à vontade e pouco uso do cérebro.  Leia o resto do artigo »

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Mantega deve ceder para proposta sair do papel

Postado em 29 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Mantega recebe aval de Lula para levar adiante o Fundo Soberano. O ministro da Fazenda quer usar o excesso de arrecadação para formar, com o fundo, uma espécie de poupança anticíclica que serviria para compensar perdas de receitas em momentos de menor crescimento.

Após forte crítica dos próprios membros do governo, o ministro esclarece que os recursos orçamentários não são essenciais, é possível ter o fundo mesmo que a opção final seja simplesmente elevar o superávit primário para reduzir o endividamento público.

*Por Katia Alves

Publicado originalmente na Folha on line

Por Sheila D’amorim Valdo Cruz

Depois de uma longa conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de anteontem, o ministro Guido Mantega (Fazenda) obteve aval para levar adiante o projeto de criação do fundo soberano. Mas a definição sobre as fontes de recursos do novo instrumento não foi tomada. Mantega está disposto até a abrir mão de usar recursos do superávit primário (economia feita para pagar juros da dívida pública).

A palavra final será do próprio Lula após uma exposição do ministro da Fazenda para congressistas da base aliada, prevista para a semana que vem. Até lá, Mantega está em campo tentando conseguir aliados para evitar que o fundo seja engavetado. A apresentação ocorreria ontem, mas foi atropelada pelo debate da emenda 29, que destina mais verbas para a saúde, na Câmara.

Ainda assim, o ministro se reuniu com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que não via com bons olhos o fundo, e o deputado Antonio Palocci (PT-SP).  Após o encontro, Mercadante disse estar convencido de que o caráter fiscal do fundo soberano está garantido e que isso é essencial. Mantega mantém a idéia de usar o excesso de arrecadação para formar, com o fundo, uma espécie de poupança anticíclica que serviria para compensar perdas de receitas em momentos de menor crescimento. O impacto dessa operação na contabilidade pública, porém, envolve uma engenharia financeira que é difícil de ser absorvida pelo resto do governo. Leia o resto do artigo »

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Como fabricar uma crise global

Postado em 29 dEurope/London maio dEurope/London 2008

A queda de preços, resultado da liberalização comercial, e a perda do controle sobre as sementes, agora em mãos das empresas de biotecnologia, fazem parte de um problema integral. Na globalização, o camponês ou camponesa perde sua identidade social, cultural e econômica de produtor. Agora, um camponês é ‘consumidor’ das sementes e químicos caros vendidos pelas poderosas corporações transnacionais através de poderosos latifundiários e agiotas locais.

Por: Luciana Sergeiro, Editora

Publicado em: Agência Carta Maior

Por: Walden Bello

Como foi que os mexicanos, que vivem na terra onde o milho foi domesticado, chegaram a depender do grão produzido nos EUA? Como foi que as Filipinas, que exportavam arroz, passaram a ser o maior importador mundial deste produto? Como no México, os agricultores filipinos perderam o apoio do Estado e descobriram os “encantos” da liberalização comercial.

Quando centenas de milhares de pessoas se manifestaram no México, no ano passado, contra o aumento no preço da tortilla, muitos analistas culparam os biocombustíveis. Devido aos subsídios do governo norte-americano, os agricultores desse país estavam destinando mais hectares ao milho para etanol do que para alimentos, fazendo com que os preços disparassem. Esse desvio do uso do milho foi, sem dúvida, uma das causas do aumento dos preços, embora provavelmente a especulação dos atravessadores, com a demanda por biocombustíveis, teve uma influência maior. Contudo, muitos deixaram passar uma pergunta interessante: como foi que os mexicanos, que vivem na terra onde o milho foi domesticado, chegaram a depender do grão norte-americano?

A erosão da agricultura mexicana

Não é possível entender a crise alimentar mexicana sem considerar que nos anos anteriores à “crise da tortilla” a pátria do milho foi transformada em uma economia importadora desse grão pelas políticas de “livre mercado” promovidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Mundial (BM) e por Washington. O processo começou com a crise da dívida, no início da década de 1980. O México, um dos maiores devedores do mundo em vias de desenvolvimento, foi obrigado a implorar dinheiro do BM e do FMI para pagar o serviço de sua dívida com bancos comerciais internacionais. O preço do resgate foi aquilo que um membro do conselho executivo do BM descreveu como um “intervencionismo sem precedentes”, projetado para eliminar tarifas, regulamentações estatais e instituições governamentais de apoio, que a doutrina neoliberal identificava como barreiras para a eficiência econômica. Leia o resto do artigo »

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