Alimentação e desenvolvimento
Postado em 9 dEurope/London junho dEurope/London 2008
Ricardo Abramovay – professor titular do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP – faz uma seguinte interrogação: uma maior abertura comercial ajuda no combate à fome?
Os que contestam a essa associação direta entre liberalização comercial e combate à fome se apóiam em três argumentos importantes:
Com que recursos os mais pobres pagariam os alimentos importados. Importar exatamente aqueles bens que -na qualidade de habitantes do mundo rural- essas pessoas poderiam e deveriam produzir significa perpetuar sua dependência da ajuda internacional.
Elevar a produção em regiões ecologicamente frágeis é agronomicamente viável? O indiano M. S. Swaminathan – personalidade da ciência agronômica mundial – responde que sim, sendo necessário elevar superar as técnicas que marcaram a conhecida Revolução Verde
A luta contra a pobreza absoluta passa, antes de tudo, pelo acesso à terra, à educação, a novas tecnologias produtivas e, sobretudo, a instituições estáveis que permitam melhorar a participação dos mais pobres em mercados dinâmicos e promissores.
*Por Katia Alves
Por Ricardo Abramovay
Publicado originalmente na Folha on Line
Uma maior abertura comercial ajuda no combate à fome?
Não
DESDE QUE Josué de Castro publicou a “Geografia da Fome”, já se sabe que a humanidade é capaz de produzir o necessário para banir do planeta o problema da subalimentação. Os progressos nos últimos 50 anos foram imensos: o consumo calórico nos países em desenvolvimento aumentou 30%.
Das sete nações com mais de 100 milhões de habitantes (China, Indonésia, Brasil, Índia, Paquistão, Nigéria e Bangladesh), só Bangladesh mantém nível de consumo per capita muito baixo. Em 1990, a ingestão calórica aquém das necessidades individuais básicas atingia 32% dos habitantes da Terra. Hoje, os 850 milhões de pessoas que não conseguem preencher as necessidades alimentares correspondem a menos de 15% da população mundial.
Apesar do avanço, dificilmente o horizonte estabelecido pela ONU de reduzir esse contingente pela metade até 2015 será alcançado. Por quê? A resposta que domina a cena internacional é que a fome no mundo persiste por causa do protecionismo dos países ricos. Que essa resposta seja conveniente aos interesses do Brasil é compreensível. Mas isso não a torna mais consistente.
A fome, hoje, concentra-se em países da África subsaariana (e, em menor proporção, na Índia e no Paquistão). A esmagadora maioria dos que não conseguem preencher suas necessidades básicas vivem em regiões rurais, e a escassa renda que obtêm deriva da agricultura. Leia o resto do artigo »
Postado em Assuntos, Desenvolvimento, O que deu na Imprensa | Sem Comentários »



Por José Augusto Valente*