Efeitos da crise em dose dupla
Escrito por Imprensa, postado em 19 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008
O que não veio em outubro para a indústria paulista devido ao crescimento inusitado da produção nos segmentos farmacêutico e de equipamentos de transporte (aviões) poderá vir em “dose dupla” em novembro. Segundo o Sinalizador da Produção Industrial, SPI – elaborado em parceria entre a Fundação Getulio Vargas e a AES Eletropaulo -, a produção industrial no Estado de São Paulo pode ter caído 6,0% em novembro com relação a outubro, na série com ajuste sazonal. Ao se considerar as estimativas do SPI de novembro juntamente com a série da produção industrial de São Paulo do IBGE, a qual vai até outubro, o produto da indústria paulista apresentaria uma brusca retração (de 6,3%) em novembro deste ano com relação ao mesmo mês de 2007. Ou seja, se os dados de outubro já mostraram uma queda generalizada da atividade industrial – que só não foi pior porque a crise não chegou ao estado paulista como em outras regiões -, o quadro para o mês de novembro poderá ser mais adverso.
De fato, ao se tomar o setor mais atingido pela crise no Brasil ou no mundo, qual seja, o automobilístico, os dados da Anfavea mostram que a produção de veículos sofreu uma queda de 29,5% em novembro frente a outubro, descontados os efeitos sazonais, o maior recuo desde o início da série em 2000. Na comparação com novembro de 2007, o decréscimo foi de 28,2%. Nos últimos 12 meses, a produção do setor ainda apresenta taxa de variação positiva (13,4%), mas em forte desaceleração (21,3% em agosto, 20,9% em setembro e 18,0% em outubro). Além desses resultados na área industrial, cabe destacar a desaceleração mais acentuada do consumo de energia elétrica no mês de novembro no País. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a carga média do Sistema Interligado Nacional (SIN) elevou-se 2,6% em novembro frente igual mês de 2007, variação bem inferior às de novembro de 2006 e 2007 (4,9% e 4,7%, respectivamente) e aos resultados dos últimos meses (5,4%, 5,3%, 5,0%, 3,7% e 3,1%, nessa ordem, de junho a outubro).
No comércio, os indicadores da Associação Comercial de São Paulo mostram resultados negativos. O número de consultas ao sistema Usecheques, o qual pode ser considerado uma aproximação do nível de vendas varejistas à vista, apresentou variação de -0,8% em novembro com relação ao mesmo mês do ano passado e, nos últimos doze meses até novembro, de 4,6% – taxa inferior à observada no acumulado de igual período de 2007 (5,8%). Já o nível de atividade das vendas a prazo no varejo, observado por meio do número de chamadas ao sistema SCPC, registrou queda de 1,9% em novembro com relação ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Esse foi o segundo recuo consecutivo, visto que em outubro essa variação foi de -7,5%. Por fim, de acordo com os dados da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), o fluxo de veículos pesados nas rodovias concessionárias, que é um indicador de nível de atividade da economia, apresentou grande retração (-2,0%) em novembro frente a outubro, na série com ajuste sazonal. Na comparação com novembro de 2007, o fluxo de ônibus e caminhões caiu 1,0%, após 28 meses consecutivos de altas.










