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Brasil, Argentina e Venezuela: a crise esmaga as montadoras
Posted By lucianasergeiro On 9 dezembro, 2008 @ 10:18 am In Desenvolvimento,O que deu na Imprensa,Política Brasileira,Política Econômica | No Comments
As montadoras instaladas nos três países mais ricos da América do Sul – Brasil, Argentina e Venezuela – já sentem os impactos da crise financeira desencadeada nos Estados Unidos. O caso venezuelano é exemplar: a venda de automóveis no país registrou uma impressionante queda de 68,1% em novembro, em relação ao mesmo mês de 2007.
Publicado em: Vermelho Online [1]
A informação foi divulgada na sexta-feira (5) pela Câmara Automotiva Venezulana (Cavenez). Ao todo, 16.802 veículos novos foram vendidos em novembro de 2008, contra 52.658 em novembro do ano passado, Segundo o relatório mensal da Cavenez.
Dos automóveis comercializados em outubro, 8.574 foram montados na Venezuela, 8.215 foram importados e nenhum foi exportado. O acumulado de vendas de veículos entre janeiro e novembro de 2008 chegou a 252.375 unidades – cifra 43,9% menor que o total comercializado no mesmo período do ano anterior, quando 449.549 automóveis foram vendidos.
Na Argentina, para superar a crise, as montadoras automotivas venderão modelos mais básicos a preço de custo, por meio de empréstimos subsidiados pelo Estado. A ação faz parte de um plano para proteger empregos na terceira maior economia da América Latina ante o declínio econômico global.
Fábricas locais da Renault, General Motors, Peugeot, Ford e outras montadoras participarão do plano do governo de proteger 150 mil empregos da indústria e evitar que a produção caia fortemente no próximo ano. “Concordamos com os fabricantes de que esses carros serão oferecidos sem margem de lucro – e as concessionárias também reduzirão sua margem”, disse o secretário da Indústria, Fernando Fraguio, em uma coletiva de imprensa neste sábado (6).
O programa de empréstimos ao setor automotivo do governo – de US$ 890 milhões – é parte de um pacote de estímulo econômico de US$ 3,8 bilhões anunciado na quinta-feira pela presidente Cristina Fernandez. Cada montadora oferecerá dois de seus modelos mais econômicos para o plano, enquanto o governo vai fornecer três diferentes pacotes de financiamento com taxa de juros muito mais baixas que as do mercado. Os novos valores serão financiados pelo sistema de seguridade social.
A produção de veículos da Argentina é estimada em 600 mil a 610 mil unidades neste ano – uma alta de 12% ante a produção do ano passado. Autoridades disseram que cerca de 150 mil pessoas estão empregadas no setor, incluindo as áreas de autopeças e de vendas.
O setor automotivo da Argentina – que representa 36% das exportações industriais do país – tem sido um dos primeiros a sentir as conseqüências de uma desaceleração econômica. Executivos prevêem uma redução de 15% na produção para o próximo ano – justamente o que o plano do governo pretende evitar.
Trimestre difícil
No Brasil, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, diz que as montadoras já sofrem ao fazerem os planejamentos de 2009. “Para a indústria automobilística – que puxa uma cadeia longa -, está sendo difícil fazer as projeções de produção para o primeiro trimestre, que são feitas com antecedência. Isso dificulta, por exemplo, encomendas de peças aos fornecedores, que por sua vez têm dificuldades para encomendar matérias primas”, explica.
Mesmo com o setor automobilístico tendo apresentado queda na produção em novembro e anunciado férias coletivas maciças como não se via há muito tempo, Miguel Jorge vê nisso um ajuste. Segundo ele, o crescimento de 25% da indústria automotiva visto antes da crise estava se mostrando “insustentável”, ao exigir turno de três horas em sete dias por semana.
“Se (o setor) crescer 10% (em 2009), será muito bom comparado ao resto do mundo. Na construção civil, a mesma coisa” afirma. O ministro menciona o estado de apelo do setor nos Estados Unidos, que há meses vem pedindo socorro, e diz que um eventual socorro financeiro às matrizes do setor automotivo americano não deve ter nenhum reflexo para a operação brasileira.
“Não interfere em nada. As multinacionais no Brasil tem desempenho muito positivo em faturamento e lucratividade. A unidade brasileira é certamente a mais lucrativa da GM no mundo todo”, disse o ministro, citando o caso específico da maior montadora dos Estados Unidos, que pede US$ 4 bilhões imediatos para não ter que entrar em concordata.
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