A ditadura do Copom
Escrito por lucianasergeiro, postado em 30 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008
“Quando me convidaram eu disse que aceitava, mas que teria que ser do meu jeito. Todas as vezes em que foi necessário, recordei minhas palavras e mantive a mesma posição” - Henrique Meirelles.
É muito comum ouvir que atualmente o mundo vive sobre a ditadura dos mercados financeiros. Mas, em nenhum lugar isso é tão verdadeiro quanto no Brasil do governo Lula.
Qualquer estrangeiro que analisasse a situação de forma isenta veria a arrogância e o poder dos membros do Copom é completamente fora de propósito. Todos os servidores públicos estão sujeitos a questionamentos e têm que prestar contas de seus atos, seja de seus superiores hierárquicos, ou de instituições, como o TCU e o CGU, os da sociedade. Todos menos os membros do Copom. Ninguém nem o presidente da República, nem a sociedade pode criticar ou mesmo opinar sobre as decisões do Copom. Desde o início do governo Lula, o Copom ou seus defensores alegam que o BC sempre decide por uma política mais conservadora, quando são muito pressionados. Nesse cenário nonsense, a culpa pelos juros mais altos recai sobre os críticos. O BC teria que provar sua autonomia. Incrível que a sociedade tenha que pagar um enorme custo fiscal e menor crescimento da renda e do emprego apenas para a diretoria do BC fazer demonstração de poder.
As regras de uma sociedade democrática não valem para os membros do Copom. É muito inusitado que decisões que irão definir o custo da dívida pública, o nível de emprego, de competitividade e de crescimento da economia não podem ser criticadas pelo presidente eleito, por sindicalistas, empresários e outros membros da sociedade civil. A explicação para a eliminação do debate democrático é que os membros do Copom e os defensores do juros mais altos do mundo seriam os únicos seres iluminados no Brasil. Não importa a evidência de que o Brasil foi a única economia importante no mundo que aumentou a taxa de juros reais em 2008. Não importa que o praticamente todos os países do mundo estão reduzindo os juros em doses cavalares, mesmo que a maioria dos países já estão com taxa de juros reais negativas. As únicas exceções são países que estão quebrados e tendo que recorrer ao FMI e o Brasil. Não importa que a FGV estima que a produção industrial caía 6% em novembro e as vendas de carros estão despencando. Não importa que os bancos vão utilizar a redução do compulsório para investir em títulos públicos. Mesmo com taxa de juros baixa, os bancos no mundo todo estão empoçando liquidez, imagine com uma taxa de juros tão alta quanto a do Brasil. A falta de qualquer argumento técnico para a manutenção fez com que eles se justificassem nas incertezas em relação ao futuro. Essa desculpa poderia ser justificada se houvesse dúvidas se a inflação e a atividade econômica iria se acelerar ou desacelerar. A inflação está caindo e vai cair mais. A FGV estima que a produção industrial caía 6% em novembro e as vendas de carros estão despencando.
Desde o início do governo Lula o Copom errou diversas vezes, sempre por excesso de conservadorismo: a injustificável e brutal elevação dos juros em 2004-5 foi a responsável pela forte desaceleração em 2005, que ficou muito conhecida pelo discurso o Brasil só cresceu mais do que o Haiti; a demora em reduzir os juros manteve o crescimento baixo em 2006 e provocou uma valorização irracional da moeda brasileira, provocando uma elevação brutal do déficit em conta corrente em um período de preços elevadíssimo das commodities. Em um país normal, a ameaça de demissão coletiva dos membros do Copom seria visto com um alívio: já foi tarde. O mais estranho é que a petulância e a arrogância de se acharem a última bolacha do biscoito é respondida pelo presidente da República assinando embaixo da demonstração de força do Copom. Aí, se for confirmada a possibilidade de queda forte da inflação e de recessão, a sociedade assistirá quieta reduções de juros completamente ineficazes de 0,25 ou 0,5 pontos a cada um mês em meio, enquanto a economia do país desaba? Será que vale a pena pagar para ver? Sim vale a pena, se o espectador torce para que a eleição do Serra em 2010 torne-se uma certeza. Como disse um blogueiro da extrema-direita: “Tchau, Lula. Quem manda é Henrique Meirelles, presidente do Banco Central.” (para verificarem esse dizer basta procurar Lula Meirelles no google, é o primeiro que aparece).










