MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES: “CAMINHAMOS PARA UM MUNDO MULTIPOLAR”
Postado em 17 dEurope/London dezembro dEurope/London 2008
O portal Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, publicou ontem a seguinte entrevista realizada por Claudio Leal com a economista Maria da Conceição Tavares. A crise da globalização financeira não permite ilusões à economista Maria da Conceição Tavares. Crítica de primeira hora do neoliberalismo, ela não vê um éden oriental como alternativa à hegemonia dos Estados Unidos.
Nesta entrevista a Terra Magazine – que integra uma série sobre as transformações irrompidas pela crise financeira -, a professora identifica sinais de mudanças culturais, mas acredita que os efeitos do caos em Wall Street ainda vão se aprofundar antes de produzir um novo cenário.
- Hoje há uma cultura de massa. E, como tal, todo mundo copiou o modelo americano, inclusive os chineses, em matéria de consumo.
Maria da Conceição identifica laços entre a crise do capitalismo inglês, no século 19, e a atual turbulência na economia, apontada como a maior desde a década de 1930.
Há diferenças notáveis. Em substituição à cultura de elites da Inglaterra, os EUA ajudaram a fundar uma cultura de massa. Isso se reflete na adesão do Oriente ao modelo de desenvolvimento ocidental e ao consumismo. Por ironia, a reação é mais evidente na Corte.
- De alguma forma, os Estados Unidos vêm reagindo a esse modelo cultural. Isso não é rápido, não é imediato. O Oriente ainda não oferece uma reação. Os ingleses passaram a hegemonia para os americanos, mas os americanos não têm pra quem passar a hegemonia.
Confira a entrevista concedida por Maria da Conceição Tavares na Câmara de Vereadores do Rio, antes de um debate sobre a esquerda e a crise financeira global.
TERRA MAGAZINE – ESSA CRISE NÃO É APENAS ECONÔMICA, HÁ TAMBÉM TRAÇOS COMPORTAMENTAIS, DE UMA ERA DE FAZEDORES DE FUMAÇA. A SENHORA ACREDITA EM UMA MUDANÇA RADICAL NAS RELAÇÕES FINANCEIRAS E HUMANAS?
MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES – Depois que a crise terminar, sempre há. Mas tem que esperar. Por isso que ela é duradoura. Tem que eliminar trilhões de dólares que não valem nada, são uma sombra, as finanças-sombra. Depois disso, tem que fazer de novo a regulação do sistema. Mas eu não creio que agora, este ano, nas reuniões que estão por haver não saia nada. Não chegou ao fim da crise. E tem trilhões de prejuízos. Nunca houve uma crise dessa extensão financeira. Quer dizer, não sei se vai dar uma depressão no estilo do século 19 e de 1930. Mas é certo que não é uma recessão e, depois, uma recuperação em V. Não é. Todo mundo diz que vai ser perna cumprida, uma coisa em L. Mas a recessão nem começou. É o primeiro trimestre que o Japão e a Alemanha apresentam. Nem os Estados Unidos estão em recessão técnica. Ainda demora. Leia o resto do artigo »
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