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Blog do Desemprego Zero

Um pouco mais sobre o tempo, artigo de Marcelo Gleiser

Escrito por Imprensa, postado em 19 dEurope/London novembro dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Fonte: Folha de SP, 16/11

Na semana passada, escrevi sobre o tempo, essa misteriosa entidade que tanto define nossas vidas. Expliquei que existiam essencialmente dois tipos de tempo, ou duas percepções dele. Na newtoniana, que é a do nosso dia-a-dia, o tempo passa sempre no mesmo ritmo, inexoravelmente, feito um rio. Sua passagem é independente da nossa percepção dela, absoluta e universal.

Na relativística, as coisas são bem diferentes. A passagem do tempo depende de quem o está medindo. Mais precisamente, do estado de movimento do observador. Dois observadores munidos dos mesmos relógios, um em movimento e outro parado na calçada, discordam se duas bolas de basquete batem no chão ao mesmo tempo. Fenômenos que são simultâneos para um observador não são para o outro. A simultaneidade é relativa.

Essa relatividade do tempo confunde muita gente. O que ela afeta de fato? Os mecanismos dos relógios? Relógios em movimento batem mais devagar, diz a teoria de Einstein. Será que o coração do observador em movimento também bate mais devagar segundo o observador parado?

Para esclarecer um pouco as coisas, é necessário entender que a teoria da relatividade é uma teoria sobre a estrutura do espaço e do tempo, e não sobre mecanismos de relógios ou sobre a fisiologia cardíaca. Ao contrário do que ocorre com a física newtoniana, na relatividade o espaço e o tempo agem conjuntamente: o tempo passa a ser uma dimensão onde medimos “distâncias” e não segundos. O presente é a origem. Pontos no passado e futuro ficam a uma certa distância dele.

A grande inovação da teoria da relatividade foi tornar a velocidade da luz a velocidade limite na natureza. Nada pode viajar mais rápido do que ela. É ela que determina a velocidade com que a informação é trocada entre observadores e que limita a percepção de cada um dos observadores quando se deparam com um fenômeno. Além disso, a velocidade da luz é sempre a mesma, não importa se sua fonte está ou não se movendo. Ela é um absoluto da teoria. Ninguém sabe por que, mas ela é assim. Isso a torna muito peculiar. Todos os efeitos “estranhos” da relatividade, como a dilatação temporal, são conseqüência dessa propriedade da luz.

Como traduzir isso tudo? Segundo a relatividade, existimos numa espécie de cama elástica, o espaço-tempo. Não é o mecanismo do relógio nem as batidas do coração que são alterados, mas a própria estrutura do tempo e do espaço. Imagine uma rua reta numa cidade, com um lampião a cada esquina. Cada lampião pisca com uma freqüência, digamos a cada segundo para quem está em pé ao lado. Agora imagine que você passa muito rápido por essa rua. Você vê os lampiões se aproximarem uns dos outros como se a rua fosse feita de material elástico.

Já a luz demora mais de um segundo para piscar. Quanto mais rápido você passar, mais os lampiões se aproximam e maior o intervalo entre duas piscadas. O que Einstein mostrou foi que essas contorções são conseqüência da luz e das suas peculiaridades. E do movimento relativo entre o observador e o observado. Nossa percepção da realidade com o tempo e o espaço rígidos é uma ilusão, produto de nossas baixíssimas velocidades quando comparadas com a da luz. Se pudéssemos viajar mais rápido, veríamos tudo diferente. Somos míopes por sermos lentos. Não são relógios ou corações que batem mais devagar. É o próprio fluir do tempo que muda, em sua estrutura mais íntima.

Relógios e corações seguem o fluxo desse tempo elástico, como se viajassem num rio cheio de correntes, ora mais rápidas, ora mais lentas.

Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro “A Harmonia do Mundo”.



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