Tão vulnerável quanto com FH
Escrito por Imprensa, postado em 6 dEurope/London novembro dEurope/London 2008
Por Rogério Lessa*
DINHEIRO DE RESERVAS SERVE APENAS PARA DAR LASTRO A FUGA DE CAPITAIS, COMO ACONTECEU NA QUEBRA DO REAL
O economista José Luiz Oureiro, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), discorda do ministro Guido Mantega, da Fazenda, para quem o Brasil está em situação muito mais favorável para enfrentar crises externas do que na década de 70, por acumular cerca de US$ 200 bilhões em reservas internacionais.
“Dividindo o montante de reservas pelo total da moeda circulante e dos títulos públicos (M2) o índice é apenas um pouco melhor do que em 1997: subiu apenas para 0,25%. Ou seja, ainda muito distante de 1″, comentou.
Para Oureiro, o país ainda está sujeito a uma crise no balanço de pagamentos motivada por fuga de capitais: “O M2 agrega ativos muito líquidos, conversíveis em dólar. Se houver fuga, o dólar dispara e o BC terá de subir juros, como sempre.”
Já Adriano Benayon, da Universidade de Brasília (UnB), adverte sobre o risco de uma nova onda especulativa, dessa vez com o dólar: “Essas turbulências sucessivas indicam colapso, não apenas uma crise. De um mês para cá, o dólar se recuperou contra o euro, atingindo US$ 1,40 por um euro, quando estava US$ 1,70. O ouro e o petróleo também tiveram fortes quedas, este último caindo abaixo de US$ 100 o barril. Tudo indica ser uma jogada especulativa.”
Benayon salientou que a especulação interessa também a países com grandes reservas em dólar, como China: “Por algum tempo, ainda continuarão aceitando a chantagem do dólar. A situação se parece com a do tempo de Delfim Neto na Fazenda. Ele dizia que quem precisa se preocupar com dívida grande é o credor, mas depois vimos o que ocorreu no Brasil”, disse, criticando o governo dos EUA por permitir a manutenção de um nível de renda emitindo dólares indiscriminadamente.”
Liberalismo induz a juros altos
De acordo com o coordenador do grupo Análises e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (GAP/Ipea), Miguel Bruno, a liberalização financeira sobrecarrega a política monetária. “Com os juros, o governo tem de, simultaneamente, combater a inflação (via valorização cambial), o equilíbrio das contas externas e conter a fuga de capitais. É um sistema de grande vulnerabilidade externa por causa da frágil institucionalidade – falta de controle”, destacou.
O comentário foi feito ao comentar a carta de conjuntura do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), que listou uma série de indicadores classificados como positivos, que justificariam a interrupção da trajetória de alta de juros, como reservas internacionais e dinamismo do mercado interno, ficando a economia brasileira, ameaçada muito mais pela crise externa do que pela própria opção de política econômica.
“É sabido que o Brasil detém condições como nunca antes para se proteger de uma crise externa”, diz o Iedi.
Bruno, porém, observa que o próprio juros induz a “profecia auto-realizável”, na qual os agentes antecipam a remessa de divisas diante da menor possibilidade de desvalorização cambial.
*Rogério Lessa Benemond: Jornalista do Monitor Mercantil, colaborador da revista Rumos do Desenvolvimento. Prêmio Corecon- RJ de jornalismo econômico 2006. Meus Artigos
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