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Relatório da Unesco mostra deficiências na educação

Posted By Imprensa On 26 novembro, 2008 @ 8:44 am In Desenvolvimento,Política Brasileira,Política Social | No Comments

Brasil tem a segunda maior taxa de repetência escolar na América Latina, com 18,7% na escola primária…

Fonte:Jornal da Ciência [1]

[2]O Brasil perdeu quatro posições e caiu do 76º para 80º lugar, entre 129 países, no ranking de monitoramento das metas globais que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulga hoje.

O relatório analisa dados de 2006 referentes a matrículas no ensino primário, analfabetismo de jovens e adultos, repetência e evasão e paridade entre gêneros no acesso à escola. Além de países que tradicionalmente aparecem à frente do Brasil nesse tipo de comparação – Cuba, Argentina e México -, o índice brasileiro é inferior ao de Bolívia (75º lugar), Equador (74º), Venezuela (69º) e Paraguai (68º).

No topo da lista, está o Cazaquistão, com índice 0,995, na escala até 1, seguido por Japão, Alemanha e Noruega. Os últimos colocados são todos africanos. Na lanterna, com 0,408, aparece o Chade.

[3]O relatório destaca que o Brasil é a única nação da América Latina com mais de 500 mil crianças em idade escolar sem estudar. Em 2006, segundo o texto, eram 600 mil. Isso deixou o Brasil no grupo de 17 nações nessa situação. Entre elas, Iraque (500 mil), Burkina Faso (1,2 milhão), Índia (7,2 milhões) e Nigéria (8,1 milhões), que está na pior situação. O Brasil tem a segunda maior taxa de repetência latino-americana, com 18,7% na escola primária. Apenas o Suriname tinha indicador pior, com 20,3%. A média na América Latina era de 6,4%, sendo de 2,9% nos países do Caribe.

Unesco prevê cumprimento da meta em 2015

A Unesco prevê, porém, que o Brasil conseguirá cumprir a meta de universalização do ensino primário, reduzindo para 200 mil o número de crianças fora da escola em 2015. O mesmo que Iraque e Senegal.

A entidade alerta que, no atual ritmo, o mundo não atingirá os objetivos de oferta e melhoria do ensino para 2015: pelo menos 29 milhões de crianças continuarão fora da escola primária (eram 75 milhões em 2006) e 700 milhões de jovens e adultos permanecerão analfabetos (era 776 milhões). A Unesco quer que os países ricos doem US$ 7 bilhões por ano às nações pobres para acelerar o ritmo.

“Se persistirem as atuais tendências, o objetivo de universalizar o ensino primário não será alcançado até 2015″, escreveu o diretor-geral da Unesco, Koichira Matsuura, na abertura do Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos (EPT) 2009. “Os países em desenvolvimento não investem suficientemente na educação básica e os doadores não cumprem seus compromissos.” O tema do relatório deste ano é “Superando a desigualdade: por que a governança é importante”.

O texto destaca que as desigualdades educacionais no planeta ameaçam as metas de 2015, que foram fixadas em 2000, sob a chancela da Unesco.

O ranking é elaborado com base no Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos (EDI, na sigla em inglês). Mesmo mantendo o mesmo índice da edição anterior (0,901), referente a 2005, o Brasil caiu porque foi ultrapassado por três países e perdeu outras cinco posições por causa da substituição de nações listadas no ranking.

De 2005 para 2006, o Brasil foi ultrapassado por Turquia, com quem estava empatado, Colômbia e Emirados Árabes Unidos. Mas superou o Líbano e as ilhas de São Vicente e Granadinas, avançando duas posições. A queda seria de uma posição, mas a composição do ranking mudou: nove países foram substituídos, sendo que só dois estavam à frente do Brasil – Chile e Granada. Entre os que entraram, porém, cinco chegaram em melhor posição: Japão, Alemanha, Nova Zelândia, Catar e Belize.

País reduz repetência, mas continua entre os piores, diz Unesco

Relatório mostra que, de 1999 a 2005, índice de reprovação no ensino fundamental caiu de 24% para 19%; média mundial é de 3%

O Brasil conseguiu reduzir a reprovação no ensino fundamental entre 1999 e 2005, mas a melhoria não tirou o país de uma situação incômoda: entre 150 nações comparadas num estudo que será divulgado pela Unesco hoje, apenas Nepal, Suriname e 12 países africanos têm repetência maior.

Segundo o relatório anual da entidade que monitora o grau de cumprimento das metas traçadas em 2000 na Conferência Mundial de Educação, o Brasil conseguiu reduzir sua repetência de 24% para 19%. O patamar é elevado quando confrontado com a média mundial (3%) ou mesmo com a África subsaariana (13%), região mais pobre do mundo.

Taxas altas de repetência não resultaram, no caso do Brasil, em melhoria do aprendizado. O relatório lembra que mais de 60% dos alunos brasileiros não conseguiram passar do nível básico de aprendizado na escala da prova de ciências do Pisa (exame que compara os estudantes em 57 países).

“Nossa taxa de repetência ainda é alta”, diz a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar. A representante do governo Lula afirma que a situação melhorará devido ao Ideb (índice criado pelo governo para monitorar o desempenho das redes, que alia resultados dos exames dos alunos da Prova Brasil e as taxas de aprovação desses estudantes). “O MEC provocou a reflexão na rede, de conjugar aprendizagem com fluxo interessante.”

Desgaste

Professor da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), Ocimar Munhoz Alavarse diz que a taxa de reprovação é “alarmante”. “Com a repetência, a criança perde o convívio com os colegas e fica com a pecha de repetente. Isso só prejudica”, afirma.

“Após ser reprovado, o aluno tem de refazer o mesmo ano, no mesmo formato. A chance de ele aprender é pequena”, diz o coordenador-geral da ONG Ação Educativa, Sérgio Haddad.

A professora da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília) Regina Vinhaes Gracindo afirma que “em muitos países do mundo, como o Japão, nem existe repetência. A criança entra na turma da sua idade, e a escola precisa oferecer a aprendizagem”.

Para Gracindo, que é do Conselho Nacional de Educação, a repetência cairá com a melhora do ensino. “Isso requer docentes bem remunerados e melhores condições materiais.”

A alta repetência é o maior entrave para a melhoria do Brasil no Índice de Desenvolvimento da Educação, que faz um ranking de países segundo o cumprimento das metas estipuladas em 2000. O país ficou na 80ª posição entre 129 para os quais foi possível calculá-lo. Há quatro anos, a posição brasileira era a 72ª em 127 nações.

O índice é composto de quatro dimensões: acesso à escola, desigualdade de gênero, analfabetismo adulto e qualidade. Esse último fator é avaliado pelo percentual de alunos que completam ao menos quatro anos de educação formal. Nesse aspecto, o Brasil cai da 80ª para a 99ª posição. Já quando se trata apenas de acesso à escola, sobe para 59ª.

As metas estipuladas são: ampliar a educação e a assistência à primeira infância; garantir o ensino primário gratuito e obrigatório; promover aprendizagem e habilidades para a vida; aumentar em 50% a alfabetização de adultos; alcançar a igualdade de gêneros; e assegurar a qualidade em todos os níveis de ensino.


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[3] Image: http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://mydejavu.files.wordpress.com/2006/12/inclusaodigital.jpg&imgrefurl=http://alternativasintepe.blogspot.com/2007_07_29_archive.html&usg=__P6sTNL2F6yIpA-12fxiIvG8MAxk=&h=200&w=200&sz=14&hl=pt-BR&start=15&tbnid=4SGobdfOdMLrQM:&tbnh=104&tbnw=104&prev=/images%3Fq%3Deduca%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bp%25C3%25BAblica%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR

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