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Blog do Desemprego Zero

Pode “Ela” Acontecer de Novo?

Escrito por Imprensa, postado em 3 dEurope/London novembro dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Fernando Ferrari Filho e Luiz Fernando de Paula*

Em um dos seus livros mais conhecidos, Can ‘It’ Happen Again? (publicado originalmente em 1982), a palavra ´Ela’ (´It’) a que se refere Hyman Minsky é a Grande Depressão. Como se sabe este famoso economista pós-keynesiano formulou sua hipótese de fragilidade financeira mostrando que economias capitalistas em expansão são inerentemente instáveis e propensas a crises, uma vez que a maioria dos agentes apresenta postura especulativa, resultando em práticas de empréstimos de alto risco. O aumento da fragilidade financeira é produzido por um lento e não percebido processo de erosão das margens de segurança de firmas e bancos, em um contexto no qual o crescimento de lucros e rendas “validam” o aumento do endividamento.

Para Minsky, respondendo a pergunta que ele mesmo formulou, a depressão pôde ser evitada ou atenuada por conta da atuação do banco central como emprestador de última instância (“Big Central Bank”) e da adoção de políticas fiscais contra-cíclicas (“Big Government”). Neste sentido em suas próprias palavras: “A evolução das relações financeiras conduz a intermitentes ‘crises’ que colocam claros e presentes perigos para uma séria depressão. Até o momento, intervenções do Federal Reserve e outras instituições financeiras junto com déficits do Tesouro têm sido combinados para conter e administrar essas crises”.

A inspiração de Minsky obviamente veio de John Maynard Keynes que na Teoria Geral havia dito: “é uma característica notável do sistema econômico em que vivemos a de que está sujeito a severas flutuações do seu produto e emprego, mas não é violentamente instável (…) Uma situação intermediária, nem desesperadora nem satisfatória, é o nosso resultado normal”. Assim, Keynes sugere que o problema principal dos economistas não deveria ser explicar a flutuação, mas sim entender como um sistema tão simples não entra em colapso sob peso de suas próprias contradições. O que impede que o sistema seja “violentamente instável” é a existência de convenções e instituições (entre os quais o governo).

Neste sentido, é preciso entender a teoria keynesiana não com uma simples “teoria da depressão”, que explica apenas situações extremas em que o sistema de mercado não funciona, como sugeriu o economista inglês John Hicks, mas igualmente uma teoria que preconiza uma política permanente que assegure condições de prosperidade sustentável e mais eqüitativa em termos sociais. Como sugere outro proeminente economista pós-keynesiano, Paul Davidson, “prevenção de crises ao invés do socorro a crise deve ser o objetivo principal da política de longo prazo”.

Não há dúvida de que as lições de Minsky foram aprendidas no meio do vendaval que varreu os sistemas financeiros em todo o mundo. Os governos dos países desenvolvidos acabaram por atuar ativamente para evitar que uma aguda e profunda crise financeira resultasse em uma grande e prolongada depressão. Assim de um “Momento Minsky” (de uma crescente fragilização financeira que resulta em uma crise financeira) passamos para um “Momento Keynes”, em que os governos dos países desenvolvidos (EUA e Europa) passaram a adotar uma política fiscal expansionista, face a crescente deterioração no estado de expectativas dos agentes, o que limita, nessas condições, o impacto da política monetária sobre a demanda agregada.

Em que pese que as lições de Keynes e Minsky tenham sido apreendidas, após algumas vacilações por parte dos governos (em particular dos EUA) em perceber a gravidade da crise, estamos sem dúvida vivendo a mais profunda crise financeira mundial desde a Crise de 1929. O que deu errado? O sistema financeiro na época em que Minsky escreveu seus textos (anos 1970 e 1980) era caracterizado pela segmentação e especialização: cada instituição especializada (um banco comercial ou um banco de poupança) só poderia atuar em um segmento específico do sistema financeiro. A idéia subjacente era evitar que uma crise em um segmento do sistema se propagasse para o sistema financeiro como um todo. Por exemplo, a crise no segmento das instituições de poupança, que atuavam no mercado de crédito imobiliário, nos anos 1980 foi profunda, mas não contagiou o resto do sistema. A novidade na crise atual é que temos uma crise das finanças desregulamentadas, ou seja, um mundo “livre” de crescente globalização das relações financeiras entre países e de complacência com vários instrumentos financeiros sofisticados. Somente isto explica porque uma crise em um sub-segmento do setor imobiliário norte-americano (subprime) acabe resultando em uma crise financeira mundial de grandes proporções.

Os propalados benefícios da globalização, duvidosos no período de prosperidade para os menos assistidos, são seriamente questionados. A todo o momento fala-se na necessidade de re-regulamentação e até mesmo de se implantar uma nova arquitetura financeira mundial, um novo Bretton Woods. Seremos agora todos keynesianos?

Leia mais em: Associação Keynesiana Brasileira

*Respectivamente, Presidente e Vice-Presidente da Associação Keynesiana Brasileira.



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2 Respostas para “Pode “Ela” Acontecer de Novo?”

  1. Anna falou:

    Gostaria de saber, qual o setor cresce em meio a essa crise financeira??

  2. beatriz falou:

    Oi Anna! Aí vai a sua resposta:
    No Brasil, os setores que vendem produtos de baixo valor unitário (como alimentos) para as classes mais pobres ainda está crescendo bem, porque não precisam ser financiados e porque o aumento do salário mínimo vai aumentar a demanda.
    Alguns setores de confecções, textêis e calçados também parecem estar respondendo bem à crise porque a desvalorização da taxa de câmbio, está permitindo que tenham melhor competitividade contra os produtos chineses.
    Fornecedores da Petrobrás também estão bem, pois ela está crescendo muito.
    Há também outros setores, mas são sempre situações especiais.

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