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Os emergentes no jogo
Posted By Imprensa On 18 novembro, 2008 @ 12:23 pm In Desenvolvimento,Internacional,Política Econômica | No Comments
Luís Nassif [1]
A reunião do G20, ocorrida neste final de semana em Washington, entrará para a história. Pela primeira vez, os países emergentes entram no centro do jogo global, ante a constatação inevitável de que não se pode pensar em saidas para a crise em o seu concurso. Isto bastaria para convalidar sua importância.
Mesmo assim, é um início de processo onde se definem pontos conceituais básicos, para depois se pensar em discutir os aspectos operacionais.
Dentre esses pontos, podem ser salientados:
Regulação global
Definiram-se vários princípios prudenciais para a regulação do sistema financeiro, como normas de balanço, de capitalização dos bancos, dos mercados futuros. Mas não houve consenso para a criação de uma autoridade supranacional, com poderes para impor as normas sobre todos os países. A solução final pareceu a mais adequada. A ação entre países deve ser consensal e não impositiva.
Comércio aberto
Ponto relevante foi a determinação de que nenhum país adotará medidas protecionistas nos próximos meses; e a proposta de se tentar ressuscitar o Acordo de Doha até o final do ano. Doha dificilmente sairá. O agravamento da crise, em algumas circunstâncias, induz a um melhor entendimento. Em outras – como é o caso do comércio internacional- acirra as disputas.
Novo FMI
Apesar de não endossar a idéia de uma agência internacional de regulação, o encontro reforçou o papel do FMI, como a grande agência a atuar na busca do equilíbrio entre os países. A decisão é importante, assim como a intenção manifesta pelo Japão de alocar mais US$ 100 bilhões no Fundo. Há a percepção clara de que a terceira onda da crise será a queda de economias nacionais. Assim, houve uma preparação para quando o tsunami chegar.
As críticas
Alguns economistas respeitáveis manifestaram ceticismo em relação à reunião. Primeiro, pelo fato dos Estados Unidos estarem representados por um presidente impopular em final de mandato. Depois, pelo fato de não ser uma reunião de trabalho e sim de presidentes.
Há uma angústia justificada por resultados que leva a uma incompreensão sobre a dinâmica desses processos.
Existem diversos grupos de trabalho atuando para definir propostas e detalhá-las operacionalmente. A própria reunião prévia, em São Paulo, visou esses estudos.
Da reunião do G20 saiu uma equipe de três países – entre os quais o Brasil – incumbida de detalhar as propostas para a próxima reunião.
Em artigo para a Carta Maior, o respeitado economista Fernando Cardim levanta esses aspectos e lembra que Bretton Woods consumiu três anos de estudos e trabalhos.
Justamente pela complexidade do desafio, não se pode esperar resultados imediatos, mas a construção de um processo político. Nesse sentido, a reunião do G20 poderá ser histórica se consolidar o grupo como o grande centro de discussões das saídas globais para a crise.
Se o movimento será bem sucedido ou não, são outros quinhentos. Mas o tiro de partida foi bem sucedido.
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