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Brasil precisa investir R$ 10 bilhões, nos próximos cinco anos, para alavancar sistema de inovação. Parques Tecnológicos são estratégicos…
Posted By Imprensa On 25 novembro, 2008 @ 1:40 pm In Desenvolvimento,Desenvolvimento Regional,Política Brasileira,política industrial | No Comments
TIC Brasil Mercado, 19 de novembro de 2008:
[1]A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) divulgou, na última quinta-feira (13), durante a 4º edição da Nanotec, um dos maiores eventos de nanobusiness da América Latina, que aconteceu em São Paulo, o estudo “Parques Tecnológicos no Brasil”. De acordo com a pesquisa, o país precisaria de investimentos, públicos e privados, da ordem de R$ 10,2 bilhões, nos próximos cinco anos, para que seu sistema nacional de inovação e empreendedorismo dê um salto de qualidade. A condição é que o salto seja impulsionado com a aplicação desses recursos na estruturação de cerca de 20 Parques Tecnológicos em regiões estratégicas do país. O estudo sobre os Parques tecnológicos no Brasil e no mundo apresenta um conjunto de proposições de políticas públicas para alavancar o segmento no país. O trabalho foi realizado em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), no período de fevereiro de 2007 a março de 2008, sob encomenda dos ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Segundo a pesquisa, que servirá como ponto de partida para futuras ações do MCT, o Brasil está atrasado quando o assunto é inovação e empreendedorismo, mas encontra-se em um processo de recuperação do tempo perdido. Em entrevista exclusiva à TIC Mercado, o professor José Eduardo Fiates, diretor da Anprotec, falou sobre os principais resultados da pesquisa. Para Fiates, o Brasil deve adotar uma política pública abrangente de apoio aos Parques Tecnológicos e às empresas instaladas neles.
TIC – O estudo mostra que o Brasil precisaria de investimentos da ordem de R$ 10,2 bilhões, nos próximos cinco anos, para que o sistema nacional de inovação e empreendedorismo seja de qualidade. Estrategicamente, para onde deve ser direcionado esse recurso?
[2]José Eduardo Fiates – O estudo realizado apresenta subsídios e sugestões de estratégias para planejamento e apoio ao processo de desenvolvimento dos Parques Tecnológicos no Brasil. Dentre as principais sugestões, destacam-se a proposta de uma taxonomia para classificação e ordenação dos Parques Tecnológicos brasileiros, as diretrizes para implantação de uma Política Pública sistêmica e abrangente de apoio aos Parques e um conjunto de programas de apoio para viabilização dos Parques Tecnológicos e apoio a empresas instaladas em Parques. Importante ressaltar que estas propostas foram geradas com base na opinião de lideranças brasileiras do governo, academia e setor privado com interesses na área, bem como nas experiências internacionais mais bem sucedidas, seja pelos resultados econômicos ou pelos avanços científicos e tecnológicos que geraram. Estima-se que serão necessários entre R$ 70 milhões e R$ 120 milhões ao ano em investimentos provenientes da esfera pública para que 20 Parques, já existentes, consigam alavancar suas atividades, tornando-se centros de excelência naquilo que desempenham. Outros R$ 500 milhões devem vir da iniciativa privada. Esses 20 Parques deverão estar aptos a gerar 7.500 empregos diretos cada, com cerca de R$ 150 milhões retornando aos cofres públicos no formato de impostos. Atualmente, temos 65 projetos de Parques no País, apenas 11 estão em operação. Os demais estão em fase de estudos ou implantação. Precisamos destravar aspectos burocráticos, ligados à legislação, para que facilitemos a captação de recursos e parcerias. Vale lembrar que no próximo 16 de dezembro, a Anprotec se reunirá com a Comissão Interministerial MCT & MDIC para que se trate especificamente o tema “Política Pública de Parques Tecnológicos no Brasil”. A reunião contará com a presença do Secretário Executivo do MCT, Luis Antônio Rodrigues Elias, além dos demais membros da Comissão. O objetivo é apresentar a situação dos Parques Tecnológicos no Brasil e discutir demandas e oportunidades para a implementação de programas de apoio ao tema. Para realizar a reunião, a Anprotec se comprometeu em apresentar um portfólio objetivo com informações executivas sobre os Parques Tecnológicos em operação, implantação ou planejamento.
TIC – Qual o papel dos Parques Tecnológicos para promover a inovação?
José Eduardo Fiates – Os Parques Tecnológicos podem e devem operar como plataformas para potencializar o processo de criação, atração e fortalecimento de empresas inovadoras numa determinada região, visando, especialmente, o desenvolvimento de setores econômicos com vocação e potencial de crescimento. Os Parques Tecnológicos promovem a integração com universidades e centros de pesquisa, facilitam o acesso a informações e recursos de fomento do sistema nacional de ciência e tecnologia, além de fortalecer o posicionamento estratégico e mercadológico das empresas instaladas no Parque junto ao mercado nacional e internacional.
TIC – Que estratégias o estudo propõe ao país para a criação de uma indústria do conhecimento de qualidade?
José Eduardo Fiates – O grande desafio é trabalhar uma cultura voltada ao empreendedorismo dentro das próprias universidades, sejam estas públicas ou privadas, estimulando a inovação. Além disso, para atingir resultados é preciso haver uma estratégia clara de posicionamento dos Parques Tecnológicos e também de crescimento. Em geral, o planejamento dos Parques depende do direcionamento do governo. Não é necessário criar uma lei específica sobre Parques Tecnológicos. Temos que aproveitar as regulamentações já existentes, como a Lei do Bem e a Lei da Inovação, para trabalhar melhor com todo esse processo. O País necessita melhorar sua infra-estrutura por meio da construção de estradas, realização de obras públicas, construção civil etc. Mas, também precisa financiar a estrutura empresarial para consolidação das entidades que lidam com empreendedorismo e inovação.
TIC – É possível avaliar o futuro do sistema de Parques Tecnológicos em cinco anos?
José Eduardo Fiates – Sim. O estudo evidencia que o movimento de Parques Tecnológicos tem se fortalecido de forma significativa no âmbito internacional, especialmente nos países emergentes e nos países desenvolvidos que focam a inovação como estratégica de crescimento. No caso do Brasil, esta expansão também se confirma pelo grande número de projetos em fase de operação ou implantação. Em função disso, o estudo consolida a visão de que os Parques Tecnológicos tem um papel cada vez mais fundamental como plataformas para o desenvolvimento econômico e tecnológico de países que pretendem se posicionar como líderes na chamada sociedade do conhecimento.
TIC – Em qual posição o Brasil se encontra no cenário internacional de Parques Tecnológicos?
José Eduardo Fiates – Atualmente, nenhum dos Parques Tecnológicos brasileiros contribui de maneira efetiva para o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico do País. É preciso que haja estratégia política para equilibrar e otimizar o potencial do Brasil. A atuação desses centros precisaria estar mais integrada às necessidades regionais e às prioridades econômicas. Sem esses elementos, tampouco sem o aporte de universidades ou instituições de pesquisa, fica difícil gerar crescimento. Em termos numéricos, temos hoje 11 Parques Tecnológicos em operação no Brasil e cerca de outros 54 estão em fase de estudos ou implantação. O número total pode ser considerado bastante razoável, uma vez que outros países em desenvolvimento como Coréia do Sul, Taiwan e Índia, por exemplo, possuem um complexo de Parques Tecnológicos em torno de 20 ou 30 entidades. Creio que este seja um número também ideal para o Brasil. Ou seja, trabalharmos com cerca de 30 Parques considerados de excelência. Hoje, ainda estamos em uma posição intermediária. Mas, temos muito a evoluir. Cabe ressaltar também que o Brasil possui um dos movimentos mais fortes e dinâmicos do mundo na área de empreendedorismo, representado pelas cerca de 400 incubadoras. Além disso, cada vez mais, as universidades estão criando programas de formação e incentivo ao empreendedorismo, como forma de estimular a transferência de tecnologia para o setor privado e a transformação dos resultados de pesquisas em benefícios sociais e econômicos para a sociedade. Assim, o potencial de fortalecimento do país nesta direção é enorme, bastando consolidar os mecanismos e as políticas públicas de apoio ao setor.
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