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Blog do Desemprego Zero

Archive for novembro 6th, 2008

O mundo precisa de alternativas, não só de regulações

Postado em 6 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Fonte: Carta Maior

Nós não podemos nos satisfazer em falar apenas na crise financeira e na necessidade de regulação. Se não se fizer nada, de 20% a 30% de todas as espécies vivas poderão desaparecer daqui a um quarto de século. O nível e a acidez dos mares aumentarão perigosamente, o que pode gerar entre 150 e 200 milhões de refugiados climáticos a partir da metade do século XXI.

Por François Houtart

Painel sobre a crise financeira proferido na Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no dia 30 de outubro de 2008.

O mundo tem necessidade de alternativas e não somente regulações. Não é suficiente renovar um sistema, trata-se de transformá-lo. É um dever moral e para compreendê-lo, adotar o ponto de vista das vítimas permite ao mesmo tempo fazer uma constatação e exprimir uma convicção; a constatação que o conjunto das crises, financeiras, alimentares, energéticas, hídricas, climáticas, sociais, assinala uma causa comum, e a convicção que podemos transformar o curso da história.

A constatação

Quando 850 milhões de seres humanos vivem abaixo da linha de pobreza e seu número aumenta, quando a cada vinte quatro horas, dezenas de milhares de pessoas morrem de fome, quando dia após dia desaparecem etnias, modos de vida, culturas, pondo em perigo o patrimônio da humanidade, quando o clima deteriora-se e quando se pergunta se vale ainda a pena viver [ao modo de] uma Nova Orleans, ou Sahel, nas Ilhas do Pacífico, na Ásia central onde se é cercado pelos oceanos, nós não podemos nos satisfazer apenas em falar de crise financeira.

Já as conseqüências sociais desta última [crise financeira] são sentidas bem além das fronteiras da sua própria origem: desemprego, encarecimento da vida, exclusão dos mais pobres, vulnerabilização das classes médias e alongamento no tempo da lista das vítimas. Sejamos claros, não se trata somente de um acidente de percurso ou de abusos cometidos por alguns atores econômicos que será necessário sancionar. Confrontamo-nos com uma lógica que percorre toda a história econômica dos dois últimos séculos. [Lógica] de crises em regulações, de desregulações em crises, o desenrolar dos fatos responde sempre à pressão das taxas de lucro: em aumento ela desregula, em baixa controla-se, mas sempre em prol da acumulação do capital, ela mesma definida como o motor do crescimento. Aquilo que se vive hoje em dia não é, por conseguinte, algo novo. Não é a primeira crise do sistema financeiro e alguns dizem que não será a última.

Entretanto, a bolha financeira criada durante as últimas décadas, graças, entre outras coisas, ao desenvolvimento das novas tecnologias da informação e das comunicações, tem subdimensionado todos os dados do problema. A economia tornou-se cada vez mais virtual e as diferenças de rendimentos explodiram. Para acelerar as taxas de lucros, uma arquitetura complexa de produtos derivados foi instaurada e a especulação instalou-se como um modo operacional do sistema econômico. Contudo, aquilo que é novo, é a convergência lógica entre as desregulamentações que conhece, hoje em dia, a situação mundial.

A crise alimentar é um exemplo. O aumento dos preços não foi, primeiramente, o fruto de uma maior ou menor produção, mas o resultado combinado da diminuição das existências, manobras especulativas e a ampliação da produção de agro-combustíveis. A vida das pessoas, por conseguinte, foi sujeitada à busca de lucros. Os números da bolsa de Chicago são a ilustração. Leia o resto do artigo »

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Tão vulnerável quanto com FH

Postado em 6 dEurope/London novembro dEurope/London 2008

Por Rogério Lessa*

DINHEIRO DE RESERVAS SERVE APENAS PARA DAR LASTRO A FUGA DE CAPITAIS, COMO ACONTECEU NA QUEBRA DO REAL

O economista José Luiz Oureiro, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), discorda do ministro Guido Mantega, da Fazenda, para quem o Brasil está em situação muito mais favorável para enfrentar crises externas do que na década de 70, por acumular cerca de US$ 200 bilhões em reservas internacionais.

“Dividindo o montante de reservas pelo total da moeda circulante e dos títulos públicos (M2) o índice é apenas um pouco melhor do que em 1997: subiu apenas para 0,25%. Ou seja, ainda muito distante de 1″, comentou. Leia o resto do artigo »

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