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Blog do Desemprego Zero

Archive for outubro, 2008

Theotônio dos Santos, colaborador do Desemprego Zero, recebe Doutorado Honoris Causa da Universidade de San Marcus

Postado em 13 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Theotonio Dos Santos*, professor visitante da Fundação Getúlio Vargas e membro do Projeto de Pesquisa sobre Administração Pública Brasileira, na mesma instituição, dirigida por Paulo Emílo Martins, segue para o Peru para receber o Doutorado Honoris Causa da Universidade de San Marcus (a decana das Américas). Entre os honrados com o título encontram-se mais recentemente Mario Vargas Llosa e Inmanuel Wallerstein. Theotonio integra o conselho editorial do MONITOR MERCANTIL e é colaborador do blog Desemprego Zero.

*Coordenador da Cátedra e Rede de Economia UNESCO-UNU de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável; diretor de estudos e professor de diversas instituições de prestígio internacional – Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, Maison Des Sciences de L’homme, Universite de Paris VIII, State University of New York e Universidade Nacional Autônoma do México.

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A teoria e a lógica desenvolvimentista

Postado em 13 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

* Heldo Siqueira

Freqüentemente nos deparamos com a distinção entre economistas liberais e desenvolvimentistas. Trata-se de um entendimento incompleto, afinal, em certo sentido, todos os economistas são desenvolvimentistas, no sentido de buscarem, ao menos em discurso, o desenvolvimento econômico através da elaboração das recomendações de política econômica.

Os liberais, por um lado, acreditam que o motor do desenvolvimento é a busca pelo lucro individual. A impessoalidade do mercado garante a justiça das negociações, favorecendo o espírito empreendedor e levando a eficiência econômica. Por isso, defendem a liberalização dos mercados, para fazer florescer esse espírito competitivo, levando ao desenvolvimento econômico. Nesse caso, a atuação do Estado, frequentemente voltada para alguns grupos específicos, gera ineficiência econômica, pois garante remunerações a agentes ineficientes. A tarefa do Estado, nesse caso, se encerrara em garantir o cumprimento das regras do mercado (segurança, marco jurídico, marco regulatório, e em alguns casos, saúde e educação). Leia o resto do artigo »

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Crise financeira global (três visões)

Postado em 13 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Folha de S. Paulo, 5.10.08

1. NOURIEL ROUBINI

A crise é fruto dos excessos do liberalismo e do laissez-faire destes últimos dez anos. Os reguladores acreditaram nas virtudes do livre mercado e da auto-regulamentação. O julgamento deles foi incorreto. A lição é clara: precisamos de uma regulamentação melhor. O paradoxo, hoje, é que, para resolver esses excessos, o Estado americano está se excedendo no sentido inverso. Ele injeta aqui US$ 200 bilhões para nacionalizar Freddie Mac e Fannie Mae, os dois gigantes do refinanciamento hipotecário, ali US$ 85 bilhões para recapitalizar a seguradora AIG. Os USA se tornam URSSA, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas da América. O governo age de maneira precipitada, tomando decisões que terão conseqüências profundas. Temos a sensação de estarmos numa república de bananas! Dessa maneira, passamos de um extremo ao outro. A via mais correta é a do meio, com uma regulamentação mais rígida que, entretanto, não crie obstáculos à inovação. Sem dúvida chegaremos a isso depois de algum tempo.

Será que o Velho Oeste selvagem (do sistema financeiro) faz parte do passado? É preciso ser prudente. Daqui a alguns anos é possível que tudo isso tenha sido esquecido.

Já passamos por muitas crises: a dos anos 1980, a recessão dos anos 1990, a implosão da bolha da internet em 2001. A cada vez, uma bolha se refaz com dinheiro fácil e reguladores que parecem estar dormindo. Vamos ver o que vai acontecer.

NOURIEL ROUBINI é professor de economia da Universidade de Nova York e presidente do Roubini Global Economics Monitor.

2. DANIEL COHEN

O mercado financeiro precisa ser inteiramente revisto. Desde a crise de 1929, a atenção voltou-se principalmente aos bancos comerciais. Tendo o pânico dos depositantes sido o principal vetor da crise dos anos 1930, a regulamentação foi concentrada sobre os bancos de depósitos. E isso funcionou razoavelmente bem. Não houve nenhuma crise de grandes proporções no sistema bancário dos EUA após a guerra.

Um dos objetivos principais do mercado financeiro era sair do ambiente regulamentar imposto aos bancos. As regras clássicas obrigam os bancos a manterem US$ 1 de capital, mais ou menos, para cada US$ 12 de crédito. O mercado financeiro permitiu a seus atores darem US$ 32 de crédito para cada US$ 1 de capital! Os bancos de investimento, os fundos de hedge e as seguradoras se beneficiaram de brechas na regulamentação para multiplicar o montante de suas operações.

Os bancos comerciais, por sua vez, criaram “veículos” que não constam de seus balancetes, para poderem passar ao largo da regulamentação. O resultado é o que estamos vendo agora.

Todo o trabalho dos próximos anos vai consistir em traçar regras que vão recolocar a pasta dental do capitalismo financeiro dentro de seu tubo. Será preciso impor regras de prudência novas ao conjunto dos atores, regulamentar a titularização dos créditos, fiscalizar as agências de classificação, rever as normas contábeis.

DANIEL COHEN é professor da École Normale Supérieure, em Paris.

3. NICOLAS BAVEREZ

A expressão “capitalismo financeiro de tipo anglo-saxão” cria a impressão de que apenas EUA, Reino Unido e Irlanda estão em crise. Na realidade, o choque abalou o capitalismo globalizado, do qual o sistema financeiro é a ponta-de-lança. Os países que poupam e exportam, como China, Alemanha e Japão, são afetados. China, Rússia e Brasil correm para socorrer seus bancos.

Estamos assistindo a uma deflação pela dívida, como ocorreu em 1929: a explosão de uma bolha de crédito leva a uma contração violenta de patrimônios, receitas, atividade e emprego. Duas grandes lições podem ser tiradas dos anos 30: frear a cascata das quebras de bancos e privilegiar soluções cooperativas no plano internacional, para evitar a espiral de barreiras protecionistas e desvalorizações competitivas. O resgate dos bancos já iniciou, mas nacionalmente. A ajuda internacional é inexistente.

O capitalismo vai sair da crise profundamente transformado. A prioridade será dada à segurança em lugar do risco, com conseqüente redução do crescimento potencial; reequilíbrio entre Estado e mercado; nova valorização da indústria, em detrimento do setor financeiro; mudança do modelo econômico dos bancos, com uma concentração dos atores e novo foco sobre os bancos comerciais; declínio relativo dos países desenvolvidos -especialmente os EUA- e aceleração da passagem para um sistema econômico multipolar e heterogêneo.

NICOLAS BAVEREZ é economista-historiador.

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Refazendo uma análise do legado de Greenspan

Postado em 12 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Por Peter S. Goodman

Estadão

O proeminente financista George Soros evita usar os contratos financeiros conhecidos como derivativos “porque não entendemos realmente como funcionam”. Felix G. Rohatyn, banqueiro de investimento que salvou Nova York de uma catástrofe financeira na década de 70, qualificou os derivativos de “bombas de hidrogênio” em potencial. E há cinco anos Warren E. Buffett, previdentemente, observou que os derivativos eram “armas financeiras de destruição em massa, contendo perigos que, embora hoje latentes, são potencialmente letais”.

Um importante personagem do mundo das finanças, contudo, por longo tempo entendeu o contrário. E suas opiniões tiveram enorme influência nos debates sobre a regulamentação e o uso dos derivativos – contratos exóticos que prometem proteger os investidores contra perdas, com isso estimulando práticas mais perigosas que levaram à crise financeira. Por mais de uma década, o ex-presidente do Federal Reserve (banco central americano) Alan Greenspan se opôs a que os derivativos fossem objeto de vigilância no Congresso ou em Wall Street.

“O que concluímos com os anos no mercado é que os derivativos têm sido um veículo extraordinariamente útil para transferir o risco daqueles que não deveriam assumi-lo para aqueles que assim o desejam e são capazes de agir assim”, disse Greenspan ao Comitê de Bancos do Senado, em 2003. “Achamos que seria um erro” regulamentar de modo ainda mais forte esses contratos.

Hoje, mesmo com o mundo apanhado por uma tempestade econômica que Greenspan descreveu recentemente como “o tipo de crise financeira devastadora que ocorre apenas uma vez num século”, sua fé nos derivativos continua inabalável.

O problema não é que os contratos falharam, diz ele. Mais exatamente, as pessoas que os utilizaram é que ficaram gananciosas. Uma falta de integridade engendrou a crise, disse Greenspan num discurso proferido há uma semana na Universidade Georgetown, sugerindo que aqueles que negociaram com derivativos não eram tão confiáveis como “o farmacêutico que avia a receita encomendada pelo nosso médico”.

Mas outros têm opinião totalmente diferente de como os mercados globais se livram da crise e do papel que Greenspan teve na criação desse tumulto.

“Claramente, os derivativos são a peça central da crise e Greenspan foi o principal proponente da desregulamentação desses derivativos”, disse Frank Partnoy, professor de direito na Universidade de San Diego e especialista no campo da regulamentação financeira.

O mercado de derivativos hoje é de US$ 531 trilhões, comparado com seu valor em 2002, de US$ 106 trilhões. Com a finalidade, teórica, de limitar o risco e proteger de problemas financeiros, esses contratos, pelo contrário, atiçaram a incerteza e, de fato, propagaram o risco em meio à dúvida sobre como as empresas os avaliam. Para muitos economistas, se Greenspan tivesse agido de modo diferente como presidente do Fed, de 1987 a 2006, a atual crise poderia ter sido evitada ou contida. Leia o resto do artigo »

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Europa debate medidas anticrise; Sarkozy pede “plano ambicioso”

Postado em 12 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Folha On-line

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou neste domingo, antes da Cúpula do Eurogrupo em Paris, que espera a adoção de um “plano ambicioso, coordenado, que dê soluções” para a crise financeira. Os chefes de Estado e de governo dos países do Eurogrupo, além do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, se reúnem hoje.

“Espero um plano ambicioso, coordenado, que dê soluções”, afirmou o presidente em exercício da União Européia, ao receber o presidente da Comissão européia, Jose Manuel Barroso.

Os dois se encontraram antes de uma reunião em Paris que terá chefes de Estado e de governos dos 15 países da zona euro. Ainda antes da Cúpula, Sarkozy e Barroso se reúnem ainda com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que não faz parte do Eurogrupo.

“Receberemos o primeiro-ministro britânico para explicar-lhe o que vamos propor ao Eurogrupo. Quarta-feira tentaremos colocar toda a Europa na mesma direção coordenada e ambiciosa”, disse o presidente francês. ‘Isto é o que eu espero, é que a Europa fale em uma só voz.”

A chanceler alemã, Angela Merkel, se encontrou com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, para discutir medidas contra a crise 

O objetivo do encontro de Paris passa por abrir a porta a uma nacionalização parcial dos bancos, coordenar as intervenções de cada Estado, garantir os depósitos dos poupadores, garantir os intercâmbios diários entre entidades e controlar as remunerações dos dirigentes

Ontem, porém, Sarkozy e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, rejeitaram um plano conjunto de resgate financeiro nos moldes do aprovado pelos Estados Unidos. Apesar disso, segundo as palavras ditas ontem por Merkel, “somente um ato de Estado pode devolver a confiança necessária”.

Uma cúpula européia dos 27 países-membros da UE ocorrerá quarta e quinta-feira em Bruxelas. A de hoje reúne apenas as 15 nações da zona euro.

Neste domingo, Barroso afirmou, por sua vez, que a Europa deve ir além das decisões do G7, tomadas sexta-feira em Washington. Os ministros das finanças dos sete países mais industrializados do mundo anunciaram um acordo sobre as medidas coordenadas para recapitalizar os bancos em dificuldades e desbloquear o crédito do mercado interbancário, sem no entanto especificar como irão colocar em prática tais compromissos.

Medidas européias

Segundo diversos veículos de comunicação locais, as medidas que o Eurogrupo adotar podem ir na mesma linha que as adotadas por Londres, que pôs à disposição dos bancos um fundo de 35 bilhões de libras para facilitar os créditos em troca de as entidades permitirem ao Estado vigiar sua gestão e a remuneração de seus dirigentes.

Além disso, o governo britânico se comprometeu a garantir os intercâmbios bancários para facilitar o funcionamento diário do sistema financeiro. Leia o resto do artigo »

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As provas são irrefutáveis

Postado em 11 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Mino Carta

“Agora sou eu quem pergunta aos meus pacientes botões qual seria a razão pela qual figuras como Gilmar Mendes, ou como Daniel Dantas, contam com o pronto amparo da mídia nativa. Arrisco-me a um palpite: antes de qualquer outro interesse eventualmente em jogo, trata-se talvez de exercer a proteção corporativa, pontual e inexorável entre aqueles que, de uma forma ou de outra, participam dos mesmos privilégios e os mantêm com a ferocidade necessária. Os donos do poder, dispostos a vender a alma para deixar as coisas como estão”.

Que diria o atento leitor, o cidadão honrado, ao ser informado que o supremo representante da Justiça brasileira compra terrenos de 2 milhões de reais por um quinto do valor? E que diria ao verificar que, ao aliar à atividade de magistrado a de empresário da educação, fecha contratos sem licitação para cursos diversos com entidades estatais as mais variadas, desde a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional até o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação? É de se supor que o cidadão em pauta ficaria entre atônito e espantado. Leia o resto do artigo »

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Quem acredita no poder da magia das finanças?

Postado em 11 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Por Rodrigo L. Medeiros

“O episódio eufórico é protegido e sustentado pela vontade dos envolvidos, a fim de justificar as circunstâncias que os tornam ricos. E é igualmente protegido pela vontade de ignorar, exorcizar ou condenar aqueles que exprimem dúvidas” – John Kenneth Galbraith (1908-2006).

Há alguns anos trás, John Kenneth Galbraith escreveu: “Em Wall Street, como em toda parte, há uma fé profunda no poder da magia. A magia preventiva requeria que um importante número de pessoas repetisse com o máximo de firmeza que isso [a queda do mercado] não aconteceria”. O livro ‘1929: o colapso da bolsa’, originalmente publicado em 1955, se tornaria um clássico.

Não há dúvidas quanto ao fato do momento presente ser outro. No entanto, a clássica descrição de Galbraith merece ser revisitada. O “apoio organizado”, por exemplo, captura o quadro da recente concertação em torno da redução das taxas básicas de juros realizada por vinte bancos centrais. Segundo Galbraith, “apoio organizado significava que os homens poderosos se organizariam para manter os preços dos valores em níveis razoáveis”. Irving Fisher, professor e especulador, declarou na época que a queda do mercado traduzia apenas a eliminação dos irracionais. Mesmo assim, o pânico não cederia.

Uma onda de fusões ocorreu na década de 1920. Cada nova fusão demandou, invariavelmente, algum novo capital e novas emissões de títulos. Tratou-se também de uma época de consolidação. Entre as motivações, destaca-se a eliminação ou regularização da concorrência. Thorstein Bunde Veblen (1857-1929) havia identificado tal tendência quando analisou a sabotagem que os capitães de indústrias e finanças operavam para manter os lucros estavelmente elevados pela via da regulação do output para impedir que a oferta ultrapassasse gradualmente a demanda.

À análise crítica de Galbraith não escapou o fato de que se há alguma diferença entre o oráculo caldeu e um economista moderno ela se deve ao “detalhe” de que as previsões de chuva ou seca do caldeu não influíam no clima. Os rumos da economia dependem, cada vez mais, das previsões dos tomadores de decisão. Conforme alertou a UNCTAD, em seu TDR 2008, as estratégias dos bancos comerciais e das outras instituições financeiras influenciam a concessão do crédito e a alocação de recursos na economia. A crítica de Galbraith encontra-se em consonância com os movimentos atuais da Casa Branca, incluindo o Federal Reserve System, e os bancos centrais do Primeiro Mundo. Quanto ao fim da magia, Galbraith afirmou: “o milagre da alavancagem permitia realizar essa operação relativamente sem custos ao homem situado no final de toda a cadeia de grupos”. O socorro de instituições financeiras integra esse imbróglio sociológico. O “incesto fiscal” no âmbito das grandes corporações mostrou-se um instrumento de estímulo da alavancagem.

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“De todos os mistérios da Bolsa de Valores nenhum é tão impenetrável quanto a razão de sempre haver um comprador para cada vendedor. Ninguém sabia, mas nunca é demais ressaltar, que para a eficácia da magia o conhecimento não é nem necessário nem presumido. Um banqueiro não precisa ser popular; de fato, um bom banqueiro em uma sociedade capitalista coerente deve, provavelmente, ser objeto da reprovação geral. As pessoas não desejam confiar seu dinheiro a um cidadão complacente, mas a um misantropo que pode dizer não. Entretanto, um banqueiro não deve parecer fútil, ineficaz ou vagamente tolo” – J. K. Galbraith.

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Não se pode dizer que a disciplina de mercado mostrou-se capaz de monitorar os abusos do sistema. Onde estariam as virtudes da auto-regulação do mercado no momento em que elas são mais necessárias? Pois bem, essa ainda é uma questão atual. A crise de 1929 testemunhou uma queda do prestígio dos banqueiros. Longe de ajudar a estabilizar o mercado, o pool de banqueiros de então estava buscando se livrar do papelório. Leia o resto do artigo »

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Crise financeira nos EUA (para entender as notícias)

Postado em 11 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Luís Nassif

1. Não dê muita atenção a entrevistas com economistas. Quem tem informações a dar são os operadores, os tesoureiros, os financistas especialistas em sistema financeiro. No tiroteio atual, modelos macro-econômicos não servem para nada.

2. Dentre os economistas, dê atenção aos que têm pensamento sistêmico e conhecimento histórico. Vale muito mais a visão de conjunto de Delfim Netto, Nakano. Quando ler um economista falando sobre inflação e Selic (Schwartsman) ou contas públicas (Velloso), pode passar batido: é falta do que falar, porque é falta de entender.

3. Conforme alertei no último post sobre “como entender”, o ponto central era a capitalização (isto é, a nacionalização) do sistema bancário mundial (particularmente EUA e Europa). Essa discussão já está vencida. Você precisa prestar atenção, agora, ao noticiário sobre o tamanho do rombo comparado com a capacidade dos Tesouros nacionais. Se o rombo for muito maior, a saída será emissão desenfreada e inflação mundial.

4. No caso brasileiro, o ponto imediato a ser analisado é a conversa que o BC terá com bancos e empresas que entraram na aventura do swap reverso. Se Henrique Meirelles fosse minimamente pró-ativo e responsável, em vez de ir aos EUA receber prêmios inexpressivos, estaria em reunião direta com esses atores, buscando saídas para o impasse. Na próxima semana, se não houver essa concatenação promovida pelo Banco Central, vão pipocar ações judiciais de empresas não querendo pagar e bancos sem recursos. E mais pólvora no noticiário.

5. Fique atento também aos leilões de dólares por parte do BC. Se começar a gastar as reservas por aí, trate você também de comprar dólares, porque o piloto sumiu.

6. Nos próximos dias, caso o BC não atue rapidamente, o travamento da liquidez começará a afetar as empresas da economia real. Haverá uma sucessão de notícias ruins. O papel do BC será o de garantir linhas de financiamento do comércio exterior e prover crédito direto para as empresas. Se se limitar a soltar o compulsório, não vai destravar o crédito. Dinheiro que cair no caixa do banco, o banco não passará para frente. Possivelmente, cairá lentamente a ficha das autoridades monetárias, que logo à frente acionarão os bancos públicos para prover essa liquidez. Leia o resto do artigo »

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