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Blog do Desemprego Zero

Archive for outubro, 2008

A queda do fundamentalismo de mercado

Postado em 24 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Greenspan discute com Adam Smith: cadê o manual de instruções?

Estadão

Em depoimento à Câmara dos EUA, Alan Greenspan, o mitológico presidente do Federal Reserve, guru da desregulamentação do mercado nas últimas décadas, declarou: “Eu cometi um erro ao presumir que os interesses das organizações, especificamente de bancos e outras, eram tais que seriam o melhor meio de proteger seus próprios acionistas”. Numa espécie de revisão crítica que remonta a Adam Smith, cuja “Riqueza das Nações” foi considerada por Greenspan como “uma das grandes conquistas da humanidade”, ele afirmou, sobre a ideologia do livre mercado: “Encontrei um defeito. Eu não sei quão significativo ou permanente ele é. Mas estou bastante preocupado com isso”.

Um deputado quis saber se, de fato, Greenspan estava renegando tudo aquilo que passou a vida defendendo. “Totalmente”, respondeu. “Sabe, esta é precisamente a razão pela estou chocado, porque eu passei os últimos 40 anos com evidências bastante consideráveis de que [o livre mercado] estava funcionando excepcionalmente bem”. Leia o resto do artigo »

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Let’s Get Fiscal

Postado em 24 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

By PAUL KRUGMAN

NYT

The Dow is surging! No, it’s plunging! No, it’s surging! No, it’s …

Nevermind. While the manic-depressive stock market is dominating the headlines, the more important story is the grim news coming in about the real economy. It’s now clear that rescuing the banks is just the beginning: the nonfinancial economy is also in desperate need of help.

And to provide that help, we’re going to have to put some prejudices aside. It’s politically fashionable to rant against government spending and demand fiscal responsibility. But right now, increased government spending is just what the doctor ordered, and concerns about the budget deficit should be put on hold.

Before I get there, let’s talk about the economic situation.

Just this week, we learned that retail sales have fallen off a cliff, and so has industrial production. Unemployment claims are at steep-recession levels, and the Philadelphia Fed’s manufacturing index is falling at the fastest pace in almost 20 years. All signs point to an economic slump that will be nasty, brutish – and long.

How nasty? The unemployment rate is already above 6 percent (and broader measures of underemployment are in double digits). It’s now virtually certain that the unemployment rate will go above 7 percent, and quite possibly above 8 percent, making this the worst recession in a quarter-century.

And how long? It could be very long indeed.

Think about what happened in the last recession, which followed the bursting of the late-1990s technology bubble. On the surface, the policy response to that recession looks like a success story. Although there were widespread fears that the United States would experience a Japanese-style “lost decade,” that didn’t happen: the Federal Reserve was able to engineer a recovery from that recession by cutting interest rates.

But the truth is that we were looking Japanese for quite a while: the Fed had a hard time getting traction. Despite repeated interest rate cuts, which eventually brought the federal funds rate down to just 1 percent, the unemployment rate just kept on rising; it was more than two years before the job picture started to improve. And when a convincing recovery finally did come, it was only because Alan Greenspan had managed to replace the technology bubble with a housing bubble.

Now the housing bubble has burst in turn, leaving the financial landscape strewn with wreckage. Even if the ongoing efforts to rescue the banking system and unfreeze the credit markets work – and while it’s early days yet, the initial results have been disappointing – it’s hard to see housing making a comeback any time soon. And if there’s another bubble waiting to happen, it’s not obvious. So the Fed will find it even harder to get traction this time.

In other words, there’s not much Ben Bernanke can do for the economy. He can and should cut interest rates even more – but nobody expects this to do more than provide a slight economic boost.

On the other hand, there’s a lot the federal government can do for the economy. It can provide extended benefits to the unemployed, which will both help distressed families cope and put money in the hands of people likely to spend it. It can provide emergency aid to state and local governments, so that they aren’t forced into steep spending cuts that both degrade public services and destroy jobs. It can buy up mortgages (but not at face value, as John McCain has proposed) and restructure the terms to help families stay in their homes.

And this is also a good time to engage in some serious infrastructure spending, which the country badly needs in any case. The usual argument against public works as economic stimulus is that they take too long: by the time you get around to repairing that bridge and upgrading that rail line, the slump is over and the stimulus isn’t needed. Well, that argument has no force now, since the chances that this slump will be over anytime soon are virtually nil. So let’s get those projects rolling.

Will the next administration do what’s needed to deal with the economic slump? Not if Mr. McCain pulls off an upset. What we need right now is more government spending – but when Mr. McCain was asked in one of the debates how he would deal with the economic crisis, he answered: “Well, the first thing we have to do is get spending under control.”

If Barack Obama becomes president, he won’t have the same knee-jerk opposition to spending. But he will face a chorus of inside-the-Beltway types telling him that he has to be responsible, that the big deficits the government will run next year if it does the right thing are unacceptable.

He should ignore that chorus. The responsible thing, right now, is to give the economy the help it needs. Now is not the time to worry about the deficit.

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No colo do estado

Postado em 23 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa

CartaCapital

A semana pareceu começar bem para as bolsas. Depois de despencarem por um precipício que parecia sem fundo, os índices tiveram uma forte recuperação na segunda-feira 13, dando aos mais otimistas – ou ingênuos – a impressão de que a crise já chegara ao fundo do poço.

O fato novo era o compromisso de seis países da Zona do Euro com um total de 1,32 trilhão de euros (1,8 trilhão de dólares) para garantir empréstimos interbancários e capitalizar seus bancos. A Alemanha reservou 500 bilhões, a França, 360 bilhões, Holanda, Espanha, Áustria e Portugal mais 460 bilhões. Somando os 400 bilhões de libras do Reino Unido e os 350 bilhões de coroas da Noruega, a vaquinha européia totaliza 1,87 trilhão de euros ou 2,55 trilhões de dólares. Além disso, a Itália prometeu disponibilizar “o quanto for necessário” e a Suécia e a Polônia sinalizaram planos semelhantes. Na quinta-feira 16, a Suíça anunciou que compraria 60 bilhões de dólares em ativos hipotecários do UBS, além de uma participação de 9% por 5,25 bilhões.

Com isso, a região, que até então não articulava uma política conjunta ante a crise, cobriu a aposta dos Estados Unidos. Um dos piores temores do mercado financeiro, o colapso do euro e da União Européia, foi afastado. O mercado financeiro europeu reagiu com euforia e o resto do mundo o acompanhou. O Índice Dow Jones saltou 11,1%, para 9.388 – uma alta de 936 pontos, a maior da história -, e o Ibovespa teve alta de 14,7%, a maior em dez anos.

Foi como se um doente conseguisse do SUS os recursos para iniciar o tratamento de uma cirrose recém-diagnosticada e comemorasse com uma bebedeira homérica. Mas a sobriedade retornou à maioria dos mercados na tarde de terça-feira e à Europa na quarta. No final do pregão da quarta-feira, os ganhos da segunda haviam sido devolvidos. Que os governos europeus mostrem disposição e capacidade de luta conjunta contra o risco de uma depressão é, sem dúvida, uma boa notícia. Nenhum mercado vale mais que o governo que o garante e se dispõe, na emergência, a converter empréstimos privados em dívida pública – sendo a Islândia (quadro à página 30) o contra-exemplo definitivo. Mas os efeitos da crise sobre a economia real mal começaram a aparecer, bem como a verdadeira extensão dos prejuízos causados pela turbulência dos últimos meses. A queda catastrófica das bolsas talvez tenha reduzido o preço de certas empresas a patamares atraentes. Mas é muito provável, ao menos no caso dos EUA, que seja maior o número das que estão em dificuldades piores do que deixaram transparecer até agora e que acabarão por vir à tona em breve, juntamente com outras notícias economicamente negativas. Leia o resto do artigo »

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George Soros, o novo arauto da economia verde?

Postado em 23 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Estadão

Em tempos de crise financeira global, até o megainvestidor e megaespeculador George Soros ficou verde. É o que mostra o vídeo acima, em inglês, de uma entrevista de Soros ao jornalista americano Bill Moyers.

O húngaro naturalizado americano Soros está promovendo seu mais recente livro “The New Paradigm for Financial Markets: The Credit Crisis of 2008 and What It Means”, que será lançado no Brasil nas próximas semanas. No livro, já defende “novos paradigmas” para a retomada da economia global. “Os negócios verdes podem ser o novo motor da economia mundial”, diz Soros, na entrevista.

Ao ser questionado sobre o que é preciso fazer para combater a atual crise financeira, Soros disse que, além de lidar com o rombo das hipotecas e recapitalizar os bancos, é preciso investir em soluções para o aquecimento global. Como reduzir o consumo, diminuir a dependência do petróleo e apostar em uma matriz energética mais limpa.

“Nos últimos 25 anos o motor da economia mundial tem sido o consumo dos americanos, que gastaram mais do que pouparam, certo? Só que esse motor mudou. Esse motor está sendo desligado. Acabou, não pode continuar mais. Precisamos de um novo motor. E temos um grande problema, o aquecimento global, que requer muito investimento. E este pode ser o motor da economia mundial nos próximos anos.”

Com uma fortuna estimada em US$ 8,5 bilhões, ninguém pode acusar Soros de não ouvir o chamado do dinheiro. Farejador de tendências, já faz alguns anos que ele vem investindo mais na ‘economia real’ do que na financeira. Inclusive com investimentos no etanol brasileiro.

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O excesso de pró-atividade

Postado em 23 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Luís Nassif

Desde que começou a crise, Lula caiu de cabeça em um ritmo frenético de trabalho. Não passa dia sem que o governo tome decisões.

É bom? De um lado, sim: mostra capacidade de decisão. De outro lado, não. Não basta decidir. Nem basta tomar medidas consideradas corretas sem avaliar todos seus desdobramentos.

Tome-se o caso de ontem. Uma Medida Provisória permitindo aos bancos públicos adquirirem bancos privados. Segundo o governo, uma medida meramente defensiva visando aumentar a segurança do mercado. Segundo o mercado, uma medida que prenunciava uma crise bancária. Ou seja, o resultado foi o inverso do esperado.

Outro caso, a crise do subprime brasileiro. O Banco Central está feito barata tonta, sem ter conseguido ainda mapear os estragos. Enquanto não mapeia, permite toda sorte de boatos e um trancamento adicional do crédito – ninguém vai emprestar para uma empresa sem saber a totalidade da sua exposição nesse jogo.

Quando defendi, aqui, uma espécie de Sala de Situação, o objetivo era uma estrutura formal que organizasse as informações. Há um sem-número de desdobramentos da crise que exige discernimento e visão sistêmica do que está ocorrendo, assim como das implicações sobre os diversos setores de medidas tomadas.

Nessas horas, hiperatividade é tão ruim quanto a inação.

Nos tempos das vacas gordas, o Banco Central – através desse gênio da raça, o Alexandre Schwartsman – tomou a decisão de permitir ao exportador mais tempo com os dólares fora antes de interná-los.

A idéia seria reduzir o fluxo cambial para impedir uma maior apreciação do real. Era uma tolice completa, conforme foi alertado. Enquanto a situação estivesse calma e os juros internos muito acima do internacional, o exportador continuaria trazendo dólares normalmente. A medida seria inócua.  Quando o quadro invertesse, não traria mais dólares. A medida acentuaria a crise. Leia o resto do artigo »

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Oportunidade e ofertas de emprego, estágios e concursos públicos – 22 de outubro

Postado em 22 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Semanalmente estaremos divulgando uma lista com oportunidades de emprego, estágios e concursos públicos aqui no blog do Desemprego Zero. Confira a lista abaixo com oportunidades para o estado do Rio de Janeiro.

***

GRUPO PÃO DE AÇÚCAR: 500 VAGAS EFETIVAS

O Grupo Pão de Açúcar seleciona moradores da cidade do Rio de Janeiro para 500 chances de emprego em diversos cargos, inclusive para profissionais com deficiência. O processo de seleção será realizado de terça (21) a sexta-feira (24), às 8 horas, mediante a entrega de 1 mil senhas e análise do currículo. 

As oportunidades são para atuação nas áreas de caixa, mercearia, FLV (seção de frutas, verduras e legumes), carnes e aves e padaria e frios, entre outros. Os cargos são de açougueiro, operador de loja (júnior e pleno), padeiro, assistente administrativo, operador de empilhadeira, cartazista, locutor, técnico em manutenção, cozinheiro, fiscal de prevenção, subgerente, gerente de área, gerente de setor e líder de seção. 

Para concorrer a uma vaga, é indispensável que os candidatos sejam maiores de 18 anos e tenham disponibilidade de horário. Além disso, para grande parte das funções, é preciso possuir ensino médio completo e é desejável experiência na área. Apenas para padeiro, açougueiro e cozinheiro basta ter o ensino fundamental completo.

Os aprovados receberão benefícios como convênio médico, seguro de vida, cesta básica e alimentação no local, além de vale transporte, garantido por lei. O valor da remuneração varia conforme o cargo de interesse. Os interessados devem comparecer para o processo seletivo munidos carteira profissional, identidade e currículo. 

Travessa do Paço, 14, sobreloja (ao lado do Fórum Regional, atrás da Igreja São José), Centro, Rio de Janeiro. Leia o resto do artigo »

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PAUL KRUGMAN – Nobel de Economia defende aumento de gastos públicos contra a crise

Postado em 22 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Carta Maior

Para enfrentar a ameaça de degradação social, desemprego e recessão, em função da crise financeira, o Prêmio Nobel de Economia propõe fortes investimentos em políticas públicas nas áreas de saúde e seguridade social, aumento dos impostos para os mais ricos e fortalecimento do poder de negociação dos sindicatos. Para Krugman, o aumento do poder dos sindicatos permitiria aumentar o número de empregos e a renda destinada à classe média

Nesta entrevista, Paul Krugman analisa a contradição entre a sociedade aberta que os Estados Unidos pretendem ser e a política de favorecimento dos ricos posta em prática pelo governo Bush. Ao mesmo tempo, o colunista do New York Times expõe suas idéias sobre as medidas que deveriam ser tomadas para assegurar uma retomada do crescimento econômico e social pós-crise: um modelo muito próximo do que, conceitualmente, deveria imperar no Brasil… a começar, por um SUS universal, em dimensão norte-americana.

- Os Estados Unidos experimentaram recentemente um importante ciclo de expansão econômica. Entretanto as desigualdades e a pobreza aumentaram. Como explicar isso?

Paul Krugman: Isto se dá, em grande parte, diante de uma mudança nas relações políticas de força. A massa dos assalariados perdeu muito de seu poder de negociacão, e como explico em meu último livro, as condições políticas têm uma influência essencial na distribuição da renda.

Qual foi o papel das políticas implementadas pelo governo Bush?

Paul Krugman: Bush fez duas coisas. Mudou o sisitema fiscal num sentido muito regressivo, com reduções muito fortes nos impostos sobre as rendas mais altas, os dividendos e os lucros do capital. Ele benfeciou os mais ricos e ao mesmo tempo reduziu os fundos disponíveis para as políticas públicas e para a ajuda aos mais necessitados. Podemos fazer uma estimativa: entre 30% e 40% das reduções de impostos de Bush beneficiaram as pessoas que ganham mais de 300 mil dólares por ano [mais ou menos 600 mil reais], o que representa uma redistribuição [de renda] em favor daqueles que estão em melhor condição de pagar impostos. O governo Bush, por outro lado, acelerou a perda de poder de negociação dos assalariados, reduzindo em muito toda possibilidade de organização sindical.

Qual é o papel da globalização no aumento das desigualdades?

Paul Krugman: Ela deveria, em princípio, contribuir, mas embora as forças da globalização afetem todos os países desenvolvidos da mesma forma, a distribuição de renda é diferente de país para país. Os Estados Unidos fazem parte daqueles países em que as desigualdades cresceram muito. Isso não acontece do mesmo modo no Canadá, que está tão aberto quanto nós, e menos ainda na Europa continental. As desigualdades cresceram muito no Reino Unido [Grã-Bretanha], embora isso tenha acontecido, sobretudo, nos anos de Thatcher. Predominam as condições nacionais sobre a globalização, e foi nos Estados Unidos que se criou um aumento massivo das desigualdades.

Podem os norte-americanos contar com uma forte mobilidade social para combater as desigualdades?

Paul Krugman: Não. Alguns indivíduos conseguem subir na escala social, mas não tanto quanto a gente gostaria de imaginar. As histórias das pessoas que saem da pobreza e se tornam muito rica são poucas. Só 3% das pessoas que nascem entre os 20% da população mais pobre termina sua vida entre os 20% mais ricos. Entre os países desenvolvidos, os EUA parecem ter o grau menor de mobilidade social. Leia o resto do artigo »

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Subestimar a crise: a retórica brasileira

Postado em 22 dEurope/London outubro dEurope/London 2008

Carlos Lessa

Publicado no Valor Econômico, 22/10/2008

A globalização financeira construiu um gigantesco castelo de cartas com dimensão cósmica e uma multiplicação de andares. O PIB mundial, ou seja, a totalidade da atividade econômica, em um ano, de todos os países do mundo, soma, segundo o International Settlements, pouco mais de US$ 65 trilhões; os ativos financeiros (toda a dívida primária) estariam acima de US$ 130 trilhões; os derivativos e outras alquimias financeiras são estimados por aquele estabelecimento (ninguém tem certeza), com prudência, em mais de US$ 600 trilhões.

Sobre a base real, em duas décadas e meia, os bancos e os agentes do mercado de capitais montaram este “palácio de ficções” e “soldaram as cartas” com a cola da confiança recíproca. A atual crise dissolveu a cola e o encolhimento de confiança vem desmontando seções e andares do edifício financeiro. As cartas não se depositam apenas sobre o PIB, mas transmitem a enfermidade dos andares superiores para o piso da economia real. Auxílios de governo, desde o Proer americano até as estatizações parciais de bancos europeus, tentam restaurar a confiança, porém parecem, dialeticamente, tornar mais escassa a confiança recíproca.

Nos EUA, é cada vez mais freqüente o prognóstico de uma recessão em 2009. O governo espanhol já anunciou que entrará, necessariamente, numa recessão. A Islândia (que o discurso neoliberal exaltava como modelo de êxito) estatizou seu principal banco e anuncia um pacote de resgate de com o FMI. O bancos da OECD vacilam. Na conservadora Suíça, o UBS, seu maior banco, já falou de perdas de US$ 40 bilhões. As Bolsas de Valores e de Mercadorias vivem, aos solavancos, trajetórias inequivocamente descendentes. A China anuncia declínio de sua taxa de crescimento. A Argentina fala em estatizar a previdência privada complementar. Os preços das commodities desabam. Em todo o mundo interligado surgem problemas de crédito (menos na China, que participou da globalização mercantil mas jamais permitiu a articulação financeira interna com o castelo de cartas). Bancos quebram, ou desaparecem. Os governos improvisam “Proers”, reduzem juros e – suprema heresia em relação ao neoliberalismo – assumem participações acionárias, bloqueiam pagamentos de dividendos e reduzem os salários dos executivos dos bancos semi-estatizados.

Enquanto isso, num país tropical “deitado eternamente em berço esplêndido”, se sucedem declarações como “a crise não atravessará o Atlântico”, para mais à frente afirmar que o Brasil “será atingido apenas por uma marolinha”. O mais alto dirigente do país recomendou que as pessoas mantenham o consumo e, pouco depois, em outro local, aconselhou a poupança; o presidente da Febraban declarou que não havia “problema de crédito no país”; o ministro do Planejamento afirmou que “meteria a faca” no gasto público. A projeção oficial afirma que o país crescerá, em 2009, 4%.

O presidente do Banco Central diz que o Brasil está “blindado contra a crise”. Adverte, contudo, que “mesmo um carro blindado pode tombar por um erro de direção”, insinuando que é motorista experiente em “dirigir carros blindados”. Leia o resto do artigo »

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