Europa debate medidas anticrise; Sarkozy pede “plano ambicioso”
Escrito por Imprensa, postado em 12 dEurope/London outubro dEurope/London 2008
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou neste domingo, antes da Cúpula do Eurogrupo em Paris, que espera a adoção de um “plano ambicioso, coordenado, que dê soluções” para a crise financeira. Os chefes de Estado e de governo dos países do Eurogrupo, além do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, se reúnem hoje.
“Espero um plano ambicioso, coordenado, que dê soluções”, afirmou o presidente em exercício da União Européia, ao receber o presidente da Comissão européia, Jose Manuel Barroso.
Os dois se encontraram antes de uma reunião em Paris que terá chefes de Estado e de governos dos 15 países da zona euro. Ainda antes da Cúpula, Sarkozy e Barroso se reúnem ainda com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que não faz parte do Eurogrupo.
“Receberemos o primeiro-ministro britânico para explicar-lhe o que vamos propor ao Eurogrupo. Quarta-feira tentaremos colocar toda a Europa na mesma direção coordenada e ambiciosa”, disse o presidente francês. ‘Isto é o que eu espero, é que a Europa fale em uma só voz.”
A chanceler alemã, Angela Merkel, se encontrou com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, para discutir medidas contra a crise
O objetivo do encontro de Paris passa por abrir a porta a uma nacionalização parcial dos bancos, coordenar as intervenções de cada Estado, garantir os depósitos dos poupadores, garantir os intercâmbios diários entre entidades e controlar as remunerações dos dirigentes
Ontem, porém, Sarkozy e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, rejeitaram um plano conjunto de resgate financeiro nos moldes do aprovado pelos Estados Unidos. Apesar disso, segundo as palavras ditas ontem por Merkel, “somente um ato de Estado pode devolver a confiança necessária”.
Uma cúpula européia dos 27 países-membros da UE ocorrerá quarta e quinta-feira em Bruxelas. A de hoje reúne apenas as 15 nações da zona euro.
Neste domingo, Barroso afirmou, por sua vez, que a Europa deve ir além das decisões do G7, tomadas sexta-feira em Washington. Os ministros das finanças dos sete países mais industrializados do mundo anunciaram um acordo sobre as medidas coordenadas para recapitalizar os bancos em dificuldades e desbloquear o crédito do mercado interbancário, sem no entanto especificar como irão colocar em prática tais compromissos.
Medidas européias
Segundo diversos veículos de comunicação locais, as medidas que o Eurogrupo adotar podem ir na mesma linha que as adotadas por Londres, que pôs à disposição dos bancos um fundo de 35 bilhões de libras para facilitar os créditos em troca de as entidades permitirem ao Estado vigiar sua gestão e a remuneração de seus dirigentes.
Além disso, o governo britânico se comprometeu a garantir os intercâmbios bancários para facilitar o funcionamento diário do sistema financeiro.
Segundo fontes da Presidência francesa, o Eurogrupo apostará pôr em plano um meio-termo entre o aprovado nos Estados Unidos e o idealizado por Brown.
Na França, já existe um organismo pronto para ajudar os bancos, mas por enquanto não tem atribuição orçamentária, já que Paris considera que suas entidades estão suficientemente capitalizadas.
G20
Diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn (à direita), em reunião ontem
Ontem, em Washington, o G20 financeiro, o grupo que reúne os principais países ricos e emergentes, comprometeu-se a “utilizar todos os instrumentos econômicos e financeiros para assegurar a estabilidade e o bom funcionamento dos mercados financeiros”, segundo comunicado final divulgado após a reunião do órgão, realizada em Washington.
A reunião contou com a presença do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que se sentou ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que preside atualmente o G20. A sua direita, estavam o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (o BC americano), Ben Bernanke.
FMI
Horas antes, os mesmos atores da reunião do G20 participaram da reunião do IMFC (Comitê Monetário e Financeiro Internacional, na sigla em inglês), principal órgão diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional). Nesta reunião, eles resolveram dar um apoio “enérgico” ao plano de ação contra a crise financeira internacional do G7 (Grupo dos Sete, que reúne os sete países mais ricos do mundo: Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França).
“Os 185 membros estão comprometidos com o plano de ação” do G7, disse Youssef Boutros Ghali, ministro das Finanças do Egito e presidente do IMFC.
Do mesmo modo, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse esperar que os investidores “entendam” a importância do sinal enviado neste sábado aos governos de todo o mundo.
Em sua declaração, o IMFC também alertou que muitos países emergentes podem ser prejudicados pela crise e disse que o FMI está pronto para ajudá-los ‘rapidamente’ com empréstimos de emergência. “É fundamental que os países avançados e as economias emergentes coordenem ações conjuntas”, afirma a nota.
G7
O plano do G7 foi anunciado na noite de sexta-feira e é baseado em um “plano de ação” de cinco pontos para enfrentar a crise financeira internacional.
“O G7 concorda que a atual situação exige uma ação urgente e excepcional”, destacou um comunicado do Tesouro dos Estados Unidos. “Nos comprometemos a prosseguir trabalhando juntos para estabilizar os mercados financeiros, restaurar o fluxo de crédito e apoiar o crescimento econômico global.”
O G7 também se comprometeu a fazer o necessário para desbloquear o mercado de crédito hipotecário e destaca a necessidade de se conceder aos bancos a capacidade de elevar seu capital junto aos setores público e privado, visando a restabelecer a confiança.
Veja os cinco pontos:
1 – Adotar ações decisivas e utilizar todas as ferramentas disponíveis para apoiar as instituições financeiras importantes para o sistema e evitar sua falência.
2 – Dar todos os passos necessários para descongelar os mercados de crédito e câmbio e garantir que os bancos e outras instituições financeiras tenham amplo acesso à liquidez e fundos.
3 – Garantir que bancos e outros intermediários financeiros maiores possam, segundo sua necessidade, reunir capital de fontes públicas e privadas, em volumes suficientes para restabelecer a confiança e prosseguir com os empréstimos para famílias e negócios.
4 – Assegurar que os respectivos seguros nacionais de depósitos e programas de garantias sejam suficientemente robustos e consistentes para que os pequenos correntistas mantenham a confiança no sistema.
5 – Atuar, quando for apropriado, para reativar os mercados secundários para hipotecas (os mercados de compra de hipotecas por entidades financeiras).










