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A queda do fundamentalismo de mercado
Posted By Imprensa On 24 outubro, 2008 @ 9:32 am In Conjuntura,Destaques da Semana,Internacional,Política Econômica | No Comments
[1]Greenspan discute com Adam Smith: cadê o manual de instruções?
[2]Estadão [3]
Em depoimento à Câmara dos EUA, Alan Greenspan, o mitológico presidente do Federal Reserve, guru da desregulamentação do mercado nas últimas décadas, declarou: “Eu cometi um erro ao presumir que os interesses das organizações, especificamente de bancos e outras, eram tais que seriam o melhor meio de proteger seus próprios acionistas”. Numa espécie de revisão crítica que remonta a Adam Smith, cuja “Riqueza das Nações” foi considerada por Greenspan como “uma das grandes conquistas da humanidade”, ele afirmou, sobre a ideologia do livre mercado: “Encontrei um defeito. Eu não sei quão significativo ou permanente ele é. Mas estou bastante preocupado com isso”.
[4]Um deputado quis saber se, de fato, Greenspan estava renegando tudo aquilo que passou a vida defendendo. “Totalmente”, respondeu. “Sabe, esta é precisamente a razão pela estou chocado, porque eu passei os últimos 40 anos com evidências bastante consideráveis de que [o livre mercado] estava funcionando excepcionalmente bem”.
Crise acabou com “ditadura dos mercados”, diz Sarkozy
FSP [5]
[6]O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quinta-feira que “a ideologia da ditadura dos mercados e do Estado impotente morreram com a crise financeira”.
Para Sarkozy, “tudo converge para reflexões sobre a redefinição do papel do Estado na economia”.
Segundo o presidente francês, uma revolução intelectual e moral está em andamento e “de agora em diante, nada mais na economia mundial será como antes”.
“Pensávamos que a política não era algo necessário. Isso acabou”, disse o presidente francês, considerado, no entanto, um liberal. “Haverá agora maior atuação política.”
Sarkozy fez as declarações durante um discurso nos arredores de Annecy, no sudeste da França, onde anunciou medidas de apoio à economia francesa, que deve, segundo projeções, entrar oficialmente em recessão no terceiro trimestre deste ano.
“A Europa não deve deixar suas empresas à mercê dos predadores”, afirmou o presidente francês, que também ressaltou a atuação dos países europeus diante da crise.
Fundo soberano
Sarkozy anunciou nesta quinta-feira a criação de um tipo de fundo soberano francês, chamado de Fundo Estratégico de Investimento, para apoiar empresas consideradas fundamentais para a economia do país.
O fundo deve ser lançado até o final do ano, segundo o presidente francês.
“Os produtores de petróleo fazem isso, os chineses e os russos também”, disse Sarkozy. “Não vejo razão para que a França não faça o mesmo.”
Em um discurso no Parlamento Europeu na terça-feira, o presidente francês já havia defendido a criação de fundos soberanos europeus para investir em empresas afetadas pela crise econômica, mas a proposta foi rejeitada pela Alemanha.
O fundo francês tomaria recursos nos mercados e interviria quando uma empresa considerada estratégica precisasse de capital.
Segundo Sarkozy, o fundo não teria impacto sobre o déficit público francês porque a participação que os fundos teriam no capital das empresas serviria como contrapartida.
“A crise é mundial, estrutural e não é um parênteses que será fechado em breve’, afirmou. ‘Não podemos, após esta crise, continuar a governar o mundo com os mesmos instrumentos, instituições e idéias do passado.”
Sarkozy também anunciou que o governo vai investir 175 bilhões de euros nos três próximos anos para favorecer a retomada da atividade econômica.
Os recursos seriam investidos em pesquisas, universidades e na ampliação do setor digital na França.
Greenspan admite que errou e classifica crise como ‘tsunami financeiro’
O Globo [7]
O ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan e outros antigos responsáveis pela supervisão do sistema financeiro americano se declararam, nesta quinta-feira, surpresos com a ”tsunami financeira” que afeta os Estados Unidos e que não conseguiram prever. Segundo ele, os mercados financeiros foram tragados por “uma tsunami que se vê uma vez a cada século”. Em audiência no Comissão de Supervisão e Reforma do Governo, na Câmara dos Representantes, Greenspan disse que os mercados deveriam estar mais regulados e reconheceu que esteve ”parcialmente” equivocado quando apostou na desregulamentação do mercado e se opôs a uma maior regulamentação dos derivativos e à regulação de bancos.
Ele frisou ainda que as instituições financeiras não protegeram os investidores e aplicações tão bem quanto ele previa.
- Sim, encontrei uma falha. É exatamente por isso que fiquei chocado, pois acompanhei 40 anos ou mais de evidências bastante significativas de que (o modelo baseado nessa ideologia) estava funcionando excepcionalmente bem – disse diante dos deputados da Comissão de Supervisão e Reforma do Governo
Alan Greenspan foi o presidente do Fed por 18 anos, deixando o cargo em 2006. Durante esse período, era considerado uma das pessoas mais influentes do mundo, já que suas decisões a respeito da condução da economia americana afetavam diretamente todo o sistema financeiro global.
O presidente do Comitê, o democrata Henry Waxman, da Califórnia, acusou Greenspan de ter em suas mãos ”a autoridade para impedir as práticas de empréstimos irresponsáveis que levaram à crise das hipotecas de alto risco”.
- Muitos o aconselharam a não fazê-lo e, agora, toda nossa economia paga o preço.
Greenspan – que durante seu período à frente do Fed discursou em linguagem quase indecifrável em dezenas de audiências semelhantes – disse que as empresas e os mercados financeiros ”deveriam estar muito mais regulados para impedir a pior tsunami financeira do último século”. Durante o período em que Greenspan esteve à frente ao Federal Reserve, o banco central americano, nos EUA, se acelerou o processo de desregulamentação, enquanto que nos mercados financeiros se multiplicaram os sofisticados ”instrumentos” de investimento especulativo.
Dirigindo-se aos membros do Comitê encarregado da reforma governamental, Greenspan enfatizou que, na atual situação, “os bancos centrais e os governos se vêem obrigados a adotar medidas sem precedentes” e que os Estados Unidos dificilmente “evitarão um aumento das demissões e do desemprego”.
O ex-presidente do Fed, que esteve acompanhado no ex-secretário do Tesouro, John Snow, e do presidente da Comissão de Valores, Christopher Cox, reconheceu durante a sessão que esteve ”parcialmente equivocado” quando se opôs à regulação de alguns aspectos da especulação financeira. Em um discurso pronunciado em maio de 2005, Greenspan afirmou, com seu estilo característico, que a ”regulamentação privada demonstrou que é muito mais adequada que a regulamentação governamental para constranger a depreciação dos riscos”.
Greenspan reiterou sua “perplexa descrença” na capacidade das empresas financeiras de exercer a “vigilância” necessária sobre suas parceiras para evitar prejuízos.
- Aqueles que confiaram no interesse das instituções de crédito para proteger o patrimônio do acionista – inclusive eu – estamos atônitos e em estado de perplexa descrença – afirmou.
Por sua vez, Cox reconheceu que os responsáveis no governo pela vigilância e regulamentação dos mercados financeiros cometeram ”erros fatais” que levaram o sistema financeiro global à beira do caos. O presidente da Comissão de Valores disse ainda que ele e outros responsáveis por organismos reguladores ”aprendemos muitas lições e a principal delas é que a regulamentação voluntária não funciona”. Ele pediu que o Congresso ”tape os buracos nas regulamentações” que continuam pondo em perigo a estabilidade econômica.
- As lições desta crise de crédito apontam, todas elas, para a necessidade de uma regulamentação forte e eficaz, mas sem grandes brechas – afirmou.
Durante o ano, o Governo dos Estados Unidos assumiu o controle de entidades hipotecárias, como Freddie Mac e Fannie Mae; nacionalizou parte do negócio de seguros ao intervir na American International Group (AIG); iniciou a compra de ações de bancos privados; e garantiu as letras comerciais num esforço para desbloquear o crédito. Com isso, tentou devolver a confiança aos mercados e dar liquidez ao mercado de crédito, que se encontra contraído.
A crise financeira está prejudicando também as famílias, que enfrentam execuções sem precedentes de hipotecas, e a queda dos preços das propriedades e de outros ativos.
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[2] Image: http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.algosobre.com.br/images/stories/assuntos/biografias/adam_smith.jpg&imgrefurl=http://www.algosobre.com.br/biografias/adam-smith.html&h=377&w=340&sz=18&hl=pt-BR&start=1&usg=__IevKu56Dv9JWCx0Y0RobmcvozTI=&tbnid=YZNeieKMLfTxYM:&tbnh=122&tbnw=110&prev=/images%3Fq%3Dadam%2Bsmith%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR
[3] Estadão: http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/
[4] Image: http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.pensionriskmatters.com/wildlife-monkeys-hear-no-evil-see-no-evil-speak-no-evil.jpg&imgrefurl=http://gustavo-livrexpressao.blogspot.com/&h=600&w=800&sz=75&hl=pt-BR&start=18&usg=__xduHY5qdug_dAqr6Qu-IMoWROxE=&tbnid=twaa911bf9oOcM:&tbnh=107&tbnw=143&prev=/images%3Fq%3Dcrise%2Bfinanceira%2Bnos%2Beua%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR
[5] FSP: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u459437.shtml
[6] Image: http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.agoravox.fr/IMG/NicolasSarkozy.jpg&imgrefurl=http://listentheworld.wordpress.com/2007/04/page/2/&h=448&w=597&sz=17&hl=pt-BR&start=15&usg=__w7pZ8IUDJ2tburuuEl-P6IUr16U=&tbnid=Obb5a1p8e5_gPM:&tbnh=101&tbnw=135&prev=/images%3Fq%3Dsarkozy%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR
[7] O Globo: http://oglobo.globo.com/economia/mat/2008/10/23/greenspan_admite_que_errou_classifica_crise_como_tsunami_financeiro_-586089840.asp
[8] Sobre o papel do Estado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/sobre-o-papel-do-estado/
[9] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/
[10] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/
[11] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/
[12] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/
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