Perguntas Sem Resposta
Escrito por lucianasergeiro, postado em 29 dEurope/London setembro dEurope/London 2008
“Onde estudar ECONOMIA?”
Por: Gilson Schwartz
Algumas perguntas, nos muitos debates que ocorreram durante os 25 anos desde que comecei a escrever sobre economia em jornais e na internet, permanecem em aberto.
Nesse momento de crise profunda do centro financeiro mundial, re-coloco-as na mesa. Os autores das propostas estapafúrdias continuam por aí, escrevendo, dando aulas e até (ainda!) no governo. São (ainda!) considerados gênios das finanças e da teoria econômica, ostentando nas paredes seus diplomas obtidos em escolas do Primeiro Mundo.
É uma satisfação ao João, que escreveu ontem perguntando onde é melhor estudar economia no Brasil, já que Harvard, Chicago, MIT e semelhantes abasteceram os “templos” do saber financeiro que agora desabam.
Bem, João, infelizmente a maioria das escolas de economia brasileiras nada mais são que ombros para papagaios que, por sua vez, repetem o que aprenderam nessas escolas do Primeiro Mundo. USP, FGV, PUC-RJ… as filias espalharam-se pelo Brasil e os PhDs fizeram mil e uma trapalhadas nas últimas décadas.
Onde foi parar a turma que defendia a dolarização da economia brasileira para acabar de vez com a inflação e integrar o país ao Primeiro Mundo? Continuam instalados em confortáveis fundos de investimento.
E o pessoal da privatização? Além dos que viraram consultores ou dirigentes das empresas que ajudaram a vender, nenhum deles vem a público explicar porque nunca avançou a regulamentação dos setores privatizados no Brasil. Enquanto isso, como lembrei no comentário de ontem, o mundo dos países emergentes marcha batido rumo à reestatização de setores estratégicos.
E a galera da “incerteza jurisdicional”? Esses gênios da economia matemática (Bacha, Arida e outros da PUC-RJ) embarcaram na tese de que os juros no Brasil são altos porque nosso sistema jurídico e institucional dificulta o resgate de dívidas e contratos financeiros. Nenhum deles está agora comentando a tentativa de redução a tacape dos riscos pelo Fed e pelo Tesouro dos EUA somada à injeção de bilhóes de dólares frente à “incerteza jurisdicional” em Wall Street.
Tem também a escuderia dos microreformistas, que há anos alertam para a necessidade de “reformas microeconômicas” para que o Brasil volte a crescer a taxas chinesas. Bernard Appy, agora meio que encostado no Ministério da Fazenda, virou um desses escudeiros. Deverá continuar encostado por um bom tempo, pois no centro do capitalismo mundial estão agora correndo atrás de uma reforma que precisa mesmo é ser macroeconômica, estrutural.
Vamos torcer para ele acompanhar detalhadamente os novos arranjos que os “mestres” de Washington estão formulando, às cegas.
Glória precária também ao pessoal, mais à esquerda, que por anos defendeu um modelo de distribuição de renda fundado no crédito ao consumo popular, apontando para a incorporação do povo ao mercado como caminho para a emancipação nacional. Depois de um surto de farra consumista (Collor teve o seu, Itamar, idem, FHC surfou nessa esparrela, Lula também), aparece a conta: o vôo da galinha chega ao fim. Mais uma vez fica evidente, como aliás também ilustra a crise norte-americana, que o capitalismo não evolui pelo consumo das massas, que esse processo é resultado, não causa de desenvolvimento. Querer inverter a coisa é o mesmo que fabricar bolhas especulativas (não apenas nas Bolsas) que, no final, sacrificam justamente os mais pobres, quando a inflação, os juros altos e a reversão do ciclo de liquidez global cobram o seu preço.
Essas “turmas” estão todas por aí, cavando seus caraminguás em instituições financeiras, agências de governo e escolas de economia (sem esquecer das redações de jornais e telejornais).
João, pense bem antes de prestar vestibular! Afinal, outra das teses desses gênios é que o mundo agora é movido por “capital humano”. Não vai ser fácil, pois milhares de papagaios formados nas melhores escolas estão no olho da rua. Competindo com você.










