Com Norte-Sul, o Atlântico fica mais perto
Escrito por lucianasergeiro, postado em 30 dEurope/London setembro dEurope/London 2008
Por: José Augusto Valente*
Publicado em: Logística e Transporte
O clima de bucolismo senegalês esconde o curso acelerado de mudanças profundas que devem não só transformar Colinas, uma cidade paradoxalmente plana, como toda a região do Centro e do Norte do Tocantins, impactando o Nordeste do Mato Grosso, o Maranhão, o Piauí e o Oeste bahiano.
Lá será instalado o centro nervoso de um dos mais importantes projetos de infra-estrutura logística que estão sendo realizados no país: um dos principais pontos de operação da Ferrovia Norte-Sul.
Até dezembro de 2009, a Valec, estatal criada no fim dos anos 80 com o único objetivo de construir a ferrovia, garante que colocará o último dos 720 quilômetros de trilhos que ligarão Palmas à cidade maranhense de Açailândia, por onde passa a Estrada de Ferro dos Carajás, que vai desembocar no Porto de São Luís.
Apesar de sua importância ser praticamente ignorada por boa parte da população local, o consenso entre produtores agrícolas, órgãos governamentais, investidores e empresas de logística é de que a Norte-Sul será responsável pela abertura de uma nova e pujante fronteira agrícola no país.
Não sem razão a Vale, que é dona da Estrada de Ferro dos Carajás, aceitou pagar quase R$ 1,5 bilhão para controlar a Norte-Sul por 30 anos e, assim, ter sob seu domínio todo o corredor logístico que está sendo criado entre o interior do Tocantins e São Luís, que tem o porto brasileiro mais próximo dos mercados americano, europeu e asiático.
Por sua posição geográfica, a cidade de Colinas é estratégica nesse plano ambicioso de redirecionar a expansão agrícola nacional. Vários pontos de transbordo serão instalados ao longo da ferrovia, mas é no grande terminal que está sendo construído a 30 quilômetros da praça principal da cidade que a Vale pretende embarcar a maior parte das quase 9 milhões de toneladas de grãos que espera estar transportando pela ferrovia em 2013.
Já no próximo ano, sem que toda a infra-estrutura de armazéns esteja pronta, a companhia acredita que irá embarcar em Colinas algo próximo a 500 mil toneladas de soja produzidas, principalmente, no Nordeste do Mato Grosso.
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Leia mais no site da NTC.
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Tive a honra de ser um dos projetistas da Norte-Sul, em 1987, pela empresa de consultoria ECL.
Este trecho ficava na altura de Miracema do Norte e não sei o nome que tem hoje.
Desde aquela época tinha um entendimento da importância de ligações rodoviárias e ferroviárias, no sentido norte-sul, pois permitem integrar vários estados brasileiros, além de integrar as malhas mais antigas, que eram quase todas no sentido oeste-leste.
As ferrovias Norte-Sul e Nova Transnordestina contribuirão para a revolução que está sendo feita no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, antes relegados a um segundo plano.
E o presidente Lula entrará para a história como o timoneiro dessa revolução silenciosa que gerará condições para o desenvolvimento econômico e social dessas regiões, por décadas e décadas.
A conclusão da Norte-Sul e a Nova Transnordestina são obras resultantes da teimosia do presidente, já que não faltaram técnicos nem políticos para “jogar água nessa fervura”.
* José Augusto Valente: engenheiro e trabalho há 35 anos na área de transportes. Fui Presidente do DER-RJ em 2002 e titular da Secretaria de Política Nacional de Transportes, do Ministério dos Transportes, no período de maio/2004 a junho/2007. Atualmente atuo como Consultor em Logística e Transporte. Currículo. Meu e-mail para contato é: joseaugustovalente@gmail.com Logística e Transporte










