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Blog do Desemprego Zero

Archive for agosto, 2008

Os paraísos fiscais e a licença para fraudar

Postado em 25 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Mauro Santayana

JORNAL DO BRASIL – 25.08.08

O procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo, fechou, na semana passada, acordo com a Merril Lynch, a Goldman Sachs, o Deutsche Bank e outras operadoras no mercado de capitais, para que recomprem créditos podres, no valor de US$ 50 bilhões, e paguem mais de US$ 160 milhões de multa. A Merrill Lynch e a Goldman Sachs já se envolveram antes, junto com o Citigroup, a Lehman Brothers, a Morgan Stanley, em fraudes fiscais – sobretudo no caso Enron, de 2001 a 2003 – quando também foram multadas.

O controle das empresas pelo capital financeiro expulsou os empreendedores que as criaram, substituindo-os por profissionais, que, em sua maioria, têm como norma obter grandes e rápidos lucros. O mito da eficiência desses executivos começa a cair, uma vez que as empresas controladas pelas famílias fundadoras mostram mais solidez e melhores resultados operacionais. Falta a esses administradores, indicados pelo poder financeiro, o vínculo cultural com o negócio que comandam. Os escândalos se sucedem, sempre crescentes, principalmente depois da Presidência Reagan nos Estados Unidos. Seu governo isentou de imposto de renda os lucros obtidos pelas empresas norte-americanas no exterior, e assegurou a independência do capitalismo com relação aos governos nacionais. Criaram-se as empresas off-shore e se abriram os paraísos fiscais. Não há, neles, nada de concreto. Na maioria dos casos, endereço único, com caixa postal para dezenas de empresas, que não operam nesses refúgios, porque são off-shore. Flutuam no espaço cibernético, como os barcos corsários flutuavam nos mares, fora da jurisdição dos Estados, com o direito oficial de saquear navios de outras bandeiras. O dinheiro está depositado nos grandes bancos norte-americanos, ingleses, suíços. A contabilidade funciona em rede: as multinacionais controlam, de sua sede, os negócios no mundo inteiro. O pulo do gato está na contabilidade dos negócios que realizam no interior de seu próprio conglomerado empresarial, para sonegar o fisco e cometer outras fraudes, como a remessa indevida de lucros.

Mediante a triangulação nos paraísos fiscais, superfaturam as exportações, obtendo, no retorno, remessas disfarçadas de lucros. Por outro lado, promovem a integralização de capital com sucatas supervalorizadas e o aumento artificial dos custos operacionais. Isso ocorre, sobretudo, quando transferem instalações industriais obsoletas, e as registram com valores altíssimos nos países de destino, o que autoriza pagamento de juros e dividendos fraudados, que, por sua vez, são distribuídos pelas empresas fictícias, normalmente na terceirização de serviços que não existem, em comissões e pagamento de consultoria. É tirar de um bolso, engrossar o bolo, e colocar no outro. Não pagam os tributos devidos em nenhum país. Calcula-se que se encontrem fora de controle, registrados nos paraísos fiscais, mais de US$ 3 trilhões.

Depois do escândalo da Enron e outras empresas, o Congresso dos Estados Unidos aprovou, praticamente por unanimidade, em 2002, o Sarbanes Oxley Act que ampliou para 20 anos a prisão de criminosos de colarinho branco, e instituiu um órgão de supervisão da contabilidade das empresas, o Public Company Accouting Oversight Board. Com isso, cuidaram de proteger os seus investidores. Mas, mesmo assim, não conseguiram.

É hora de o governo brasileiro intervir a fim de impedir a remessa indevida de lucros. Somente no primeiro semestre deste ano, foram remetidos para o exterior, a título de lucros e dividendos, o total de US$ 18,993 bilhões, praticamente o dobro do ano passado (US$ 9,807 bilhões). Entre outras providências saneadoras, está tramitando, no Congresso, proposta de lei do deputado Chico Alencar, do Rio de Janeiro, estabelecendo o imposto de 15% sobre a remessa de lucros – hoje isenta de tributação e do controle nacional.

Para coibir a fraude das empresas multinacionais, os órgãos de representação dos profissionais de contabilidade sugerem legislação que abra a contabilidade das empresas estrangeiras à fiscalização do governo. Só os contadores são capazes de identificar os ilícitos, muitas vezes cometidos com a cumplicidade de autoridades locais. Por isso, o ex-presidente Itamar Franco foi contestado com violência, quando quis nomear um professor de contabilidade para a diretoria do Banco Central.

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Soberania do consumidor?

Postado em 25 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Rodrigo L. Medeiros*

Há cinqüenta anos atrás, John Kenneth Galbraith publicou um clássico livro sobre as transformações que se passavam no capitalismo. A sociedade afluente foi traduzido para diversos idiomas e instigou reflexões sobre os rumos das sociedades industriais. Em um dos capítulos do respectivo clássico, Galbraith questiona até que ponto a soberania do consumidor se sustenta como um fato.

Em síntese: “À medida que uma sociedade se torna mais afluente, as necessidades são cada vez mais criadas pelo processo por meio do qual são satisfeitas” (Galbraith essencial. Futura, 2007. p.47). Uma pessoa com fome não precisa ser informada sobre a sua necessidade de alimento. Ela simplesmente sente uma necessidade. Para as necessidades de segunda classe, isto é, aquelas resultantes do esforço de manter-se adiante ou acima do seu próximo, quanto maior o seu nível, mais altas elas serão. Elas são praticamente insaciáveis, afirmou John M. Keynes.

Como economista institucionalista de corte liberal-democrata, Galbraith afirma que não se deve simplesmente defender qualquer forma de produção para satisfazer as necessidades individuais das pessoas. Em sociedades brutalmente desiguais em termos de distribuição de renda, o quadro analisado por Galbraith torna-se ainda mais dramático. Até que ponto a modernidade associada aos padrões de consumo propagados pelos grandes interesses pecuniários estabelecidos estão em consonância com as reais necessidades das sociedades retardatárias e, em que medida, ela se associa a uma estratégia de desenvolvimento sustentado para essas respectivas sociedades? Leia o resto do artigo »

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Especuladores en las bombas

Postado em 25 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

by Thomas Palley

Versão em inglês

Hasta hace unas semanas, cuando los precios del petróleo estaban en alza, existía un debate encendido sobre los roles relativos de los fundamentos económicos y la especulación a la hora de fomentar los precios del petróleo. Si bien los precios del petróleo ya han caído del pico que alcanzaron, no debe olvidarse ese debate, ya que tiene profundas implicancias políticas que los funcionarios del gobierno harían mal en ignorar.

Por supuesto, si los precios más altos se deben a los fundamentos, los mercados petroleros están funcionando como deberían. Pero si se deben a la especulación, entonces los estrategas políticos deben tomar medidas para refrenar cualquier comportamiento que haya impuesto costos inmensos e innecesarios a la economía global. Y, cuando se confronta la evidencia, todo apunta a la especulación como culpable.

Mientras que muchos participantes del mercado petrolero han culpado a la especulación, la mayoría de los economistas defienden cómo se desempeñaron los mercados petroleros y le apuntan a los fundamentos económicos. Un argumento que utilizan los economistas es que los precios más elevados se deben al dólar débil. Como el petróleo se cotiza en dólares, un dólar débil hace que el petróleo les resulte más económico a los usuarios de otros países, lo que aumenta la demanda global.

Un segundo argumento es que los precios más altos del petróleo se deben a las tasas de interés más bajas y a previsiones de precios más elevados a largo plazo. Eso supuestamente redujo la oferta al alentar a los productores a almacenar petróleo bajo tierra y bombearlo más tarde.

Un tercer argumento es que si ha de culparse a la especulación por los aumentos de precios, debería haberse producido un incremento en los inventarios de petróleo, porque los especuladores no consumen petróleo sino que lo almacenan para una venta posterior. Dado que no se ha producido un aumento en los inventarios, no hubo ninguna especulación.

Los tres argumentos son débiles. El precio del petróleo ha aumentado mucho más de lo que ha caído el dólar. Eso significa que los precios del petróleo aumentaron en otros países, lo que debería haber reducido, no aumentado, la demanda. Es más, son los altos precios del petróleo los que debilitaron al dólar, no viceversa. Esto es porque los altos precios del petróleo hicieron subir la inflación en Estados Unidos, agravaron el déficit comercial norteamericano y aumentaron la posibilidad de una recesión en Estados Unidos al actuar como un impuesto al gasto de los consumidores.

Tampoco hubo ningún informe de recortes inusuales de producción -el eje central del segundo argumento-. Por cierto, la suba de los precios del petróleo en realidad les ofrece a los productores independientes un incentivo para fomentar la producción. La última vez que los precios reales del petróleo alcanzaron los niveles actuales fue en 1980, lo que demuestra que acaparar petróleo bajo tierra puede ser un mal negocio. La OPEP también tiene un fuerte interés en sostener la producción. Quiere mantener más bajos los precios para que perdure la adicción al petróleo de la economía global y para desalentar la sustitución tecnológica con fuentes de energía alternativas.

Finalmente, el argumento del almacenamiento no reconoce los diferentes tipos de inventarios. En consecuencia, los precios especulativos récord probablemente hayan hecho que los operadores de combustible marítimo liberaran inventario, pero esas remesas pueden haber sido compradas por especuladores que hoy son arrendatarios activos de capacidad de almacenamiento comercial. La implicancia es que los especuladores pueden hacer subir los precios y aumentar sus inventarios aunque los inventarios comerciales totales no sufran demasiados cambios.

Por otra parte, la especulación del mercado petrolero puede haber inducido una “especulación en eco”, a través de la cual los usuarios finales compran productos refinados con anticipación para protegerse de alzas de precios futuras. Luego aceptan entregas en sus instalaciones de manera que los inventarios refinados totales aumentan, sin que ese aumento forme parte de los inventarios comerciales reportados.

Demostrar que la especulación es responsable de los precios más altos siempre resulta difícil, porque tiende a producirse en un contexto de fundamentos fuertes. Sin embargo, existe una evidencia considerable que indica claramente una especulación rampante en los mercados petroleros de hoy. Una señal clave es el cambio documentado en el carácter de la comercialización de petróleo, donde los especuladores (es decir, las instituciones financieras y los fondos de inversión) hoy representan el 70% de las operaciones, comparado con el 37% hace siete años.

Con respecto a los fundamentos del mercado, no se han producido cambios en las condiciones de demanda y oferta que expliquen la magnitud del salto no anticipado de los precios del petróleo. Es más, el comportamiento real de los precios del petróleo es consistente con la especulación. En junio, los precios del petróleo saltaron 11 dólares en un día, y en julio volvieron a caer 15 dólares en tres días. Esta volatilidad no encuadra en un mercado movilizado por los fundamentos.

A pesar del tamaño del mercado petrolero, la especulación puede mover los precios debido a la falta de elasticidad de la demanda y la oferta. Los cambios en la demanda de petróleo son lentos debido a la inercia actitudinal y la tecnología fija, mientras que ajustar la producción lleva tiempo. Estas características hacen que el mercado petrolero sea vulnerable a la especulación.

Estas compras especulativas apenas pueden registrarse en los inventarios, porque las compras son pequeñas comparadas con el mercado general, y por los muchos márgenes de acomodamiento del sistema de almacenamiento global. Como resultado, los precios altos impulsados por la especulación pueden persistir un tiempo considerable antes de que los fundamentos económicos los hagan bajar, como finalmente parece estar sucediendo.

Con los precios en caída, el imperativo para actuar inevitablemente tiende a ceder. Esta es la naturaleza de la respuesta actitudinal a la crisis y por qué un mal status quo puede persistir. Pero dejar el sistema sin cambios mantendrá la vulnerabilidad de la economía global a futuros brotes de especulación que no nos podemos permitir.

Consideremos cómo el brote actual hizo aumentar la inflación global, redujo los ingresos de los pobres del mundo, debilitó el dólar, profundizó el déficit comercial norteamericano, agravó la inestabilidad financiera global e incrementó la posibilidad de una recesión global. Ese es un proceso arrollador que merece una acción política urgente.

Thomas Palley fue economista jefe en la Comisión de Revisión Económica y de Seguridad de Estados Unidos-China y es autor de Post-Keynesian Economics (Economía post-keynesiana).

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Para ganhadores do Nobel, o mercado livre nem sempre é justo

Postado em 25 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Valor Econômico (25/08/08) 

A globalização e a tecnologia aumentaram as desigualdades econômicas no mundo, de acordo com quatro ganhadores do Prêmio Nobel de Economia. Para eles, os governos deveriam intervir para ajudar os mais pobres. 

Os Nobéis se reuniram em uma ilha de paisagens pictóricas no sul da Alemanha e no sábado se focaram na crescente disparidade entre ricos e pobres, que passou a ser uma questão importante em eleições ao redor do mundo, inclusive a que definirá a presidência dos Estados Unidos. A discussão se concentrou mais em temas abrangentes do que soluções detalhadas. Mas o principal propulsor era claro: o livre mercado não é sempre justo e economistas deveriam ajudar os governos a achar uma maneira de aliviar o problema. 

“Boa parte da economia trata da relativa eficiência da alocação de mercado”, disse Robert Solow, economista americano que ganhou o Prêmio Nobel em 1987 por separar os componentes de crescimento econômico em trabalho, capital e mudança tecnológica. No entanto, Solow disse que economistas também devem estudar como melhor redirecionar renda “dos que lucram com desenvolvimentos na economia para os que são prejudicados por eles”.  Leia o resto do artigo »

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Samu atende menos acidentados de trânsito em 18 capitais depois da Lei Seca

Postado em 24 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por José Augusto valente*

O número de acidentes de trânsito atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi menor em 17 capitais e no Distrito Federal, no primeiro mês de vigência da Lei Seca, em relação aos 30 dias anteriores .

A lei entrou em vigor no dia 20 de junho. Consideradas as 26 capitais pesquisadas, no total, houve uma redução de 14,86%, em relação ao período anterior (de 21 de maio a 19 de junho), segundo dados divulgados hoje (20) pelo Ministério da Saúde. O número de ocorrências caiu de 11.918 para 10.146.

A redução foi de mais de 20% em seis cidades: Manaus (67,87%), Belém (56,10%), São Luiz (28,57%), Campo Grande (24,58%), Salvador (22,78%) e Macapá (22,62%). Leia o resto do artigo »

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A SEMANA A LIMPO

Postado em 22 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Léo Nunes – Paris

 

 

Brasil

 

O presidente Lula voltou a afirmar que vai fazer seu sucessor em 2010. Nos bastidores, Lula trabalha pelo nome da ministra Dilma Rouseff (Casa Civil). Entretanto, Marta Suplicy e o ministro Tarso Genro (Justiça) correm por fora pela nomeação. O sucesso da empreitada do presidente dependerá da sua capacidade de transferência de votos.

 

Economia

 

Depois dos resultados negativos divulgados pelos países da zona do euro, é a vez da Inglaterra mostrar que sua economia também não vai bem. O crescimento do PIB foi nulo no segundo trimestre do ano. Este é mais um sinal de alerta para o fato de que os ventos da economia mundial estão mudando de lado.

 

Internacional

 

Um acidente com um avião da SpainAir deixou 153 mortos no aeroporto de Barajas, na Espanha. Segundo o diário espanhol El País, horas antes do acidente funcionários da companhia preparavam uma greve contra a demissão maciça de funcionários. A empresa enfrenta graves problemas financeiros.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa, escreve neste espaço às segundas, quartas e sextas-feiras.  Meus Artigos

 

 

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‘A doutrina do choque’.

Postado em 22 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

O tema do novo livro de Naomi Klein

Por Naomi Klein  

 Reproduzimos entrevista com Naomi Klein, que lançou um livro interessante. Pretende unir vários acontecimentos do século  XX com mudanças econômicas, tais como as propagadas por figuras como Milton Friedman e Friedrich Hayek. Daí o título das mudanças econômicas associadas a outros acontecimentos: ‘A doutrina do choque’ :

O golpe de Pinochet no Chile. O massacre da Praça de Tiananmen. O Colapso da União Soviética. O 11 de setembro de 2001. A guerra contra o Iraque. O tsunami asiático e o furacão Katrina. O que todos esses acontecimentos têm em comum? É o que a ativista canadense antiglobalização Naomi Klein explica em seu novo livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism [A doutrina do choque: O auge do capitalismo do desastre] – Naomi Klein em uma longa entrevista para o sítio La Haine, afirma que a história do livre-mercado contemporâneo foi escrita em choques e que os eventos catastróficos são extremamente benéficos para as corporações. Ao mesmo tempo a autora revela que os grandes nomes da economia liberal, como Milton Friedman, defendem o ‘capitalismo do desastre’. A tradução é do Cepat.

O que é exatamente a doutrina do choque?

A doutrina do choque como todas as doutrinas é uma filosofia de poder. É uma filosofia sobre como conseguir seus próprios objetivos políticos e econômicos. É uma filosofia que sustenta que a melhor maneira, a melhor oportunidade para impor as idéias radicais do livre-mercado é no período subseqüente ao de um grande choque. Esse choque poder ser uma catástrofe econômica. Pode ser um desastre natural. Pode ser um ataque terrorista. Pode ser uma guerra. Mas, a idéia é que essas crises, esses desastres, esses choques abrandam a sociedades inteiras. Deslocam-nas. Desorientam as pessoas. E abre-se uma ‘janela’ e a partir dessa janela se pode introduzir o que os economistas chamam de ‘terapia do choque econômico’.

É uma espécie de extrema cirurgia de países inteiros. E tudo de uma vez. Não se trata de um reforma aqui, outra por ali, mas sim uma mudança de caráter radical como o que vimos acontecer na Rússia nos anos noventa, o que Paul Bremer procurou impor no Iraque depois da invasão. De modo que é isso a doutrina do choque. E não significa que apenas os direitistas em determinada época tenham sido os únicos que exploraram essa oportunidade com as crises, porque essa idéia de explorar uma crise não é exclusividade de uma ideologia em particular. Os fascistas também se aproveitaram disso, os comunistas também o fizeram.

Explique quem é Milton Friedman, a quem ataca energicamente nesse livro?

Bem, ataco Milton Friedman porque é o símbolo da história que estou abordando. Milton Friedman morreu em 2006. E quando morreu, vimos como o descreveram em tributos pomposos como se fosse provavelmente o intelectual mais importante do período pós-guerra. Não apenas o economista mais importante, mas o intelectual mais importante. E é verdade que se pode construir um argumento contundente nesse sentido. Foi conselheiro de Thatcher, de Nixon, de Reagan, do atual governo Bush. Deu aulas a Donald Rumsfeld no início de sua carreira. Assessorou Pinochet nos anos setenta. Também assessorou o Partido Comunista da China no período chave da reforma ao final dos anos oitenta. Leia o resto do artigo »

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O Pré-Sal

Postado em 22 dEurope/London agosto dEurope/London 2008

Por Paulo Passarinho*

O assunto virou pauta permanente em rádios, revistas, jornais, telejornais e afins.

O presidente Lula, em mais um arroubo pseudonacionalista, declara que as reservas de petróleo descobertas na chamada área do pré-sal “são do povo brasileiro”. Mas, em seguida, já se emenda e acrescenta que haveria a possibilidade de exploração das reservas pelo capital estrangeiro.

Claro! Uma no cravo, outra na ferradura. Bem ao seu jeito.

Há quem afirme que ele já se definiu pela criação de uma nova estatal, para “cuidar do pré-sal”.

O problema é que agora será difícil conciliar os interesses estabelecidos em torno do negócio do petróleo. Depois da quebra do exercício do monopólio da União pela Petrobrás, no governo de FHC, os interesses privados, e estrangeiros, se impuseram. De lá para cá, o dito monopólio – mantido na Constituição – virou uma quimera.

A atual Lei do Petróleo (nº 9478/97), em seu artigo 3º, garante que “pertencem à União os depósitos de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos existentes no território nacional, nele compreendidos a parte terrestre, o mar territorial, a plataforma continental e a zona econômica exclusiva”. O artigo 4º acrescenta que da pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás, até o refino, importação e exportação, e transportes dos mesmos, tudo é monopólio da União.

Porém, bem ao estilo de nossas tradições formalistas e ambíguas, já no artigo 5º da mesma Lei é definido que “as atividades econômicas de que trata o artigo anterior (…) poderão ser exercidas, mediante concessão ou autorização, por empresas constituídas sob leis brasileiras, com sede e administração no país”.

O artigo 21 volta a falar do monopólio da União, mas para colocar toda a administração da coisa nas mãos da ANP – A Agência Nacional do Petróleo. E o artigo 23 define que as atividades de exploração, desenvolvimento e produção do petróleo e gás natural serão exercidas mediante contratos de concessão.

Como golpe de misericórdia – ou de esperteza, dos interesses privados – o artigo 26 confere ao concessionário a propriedade do petróleo e gás produzidos. Leia o resto do artigo »

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