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O Pós-Consenso neoliberal
Posted By Katia Alves On 13 agosto, 2008 @ 1:44 pm In Assuntos,Desenvolvimento,Política Econômica | No Comments
Por Katia Alves [1]
No artigo abaixo, o autor afirma que as idéias consagradas pelo Consenso de Washington estão sendo superadas e o receituário de medidas postas em prática nas décadas recentes produziu estagnação econômica e muito pouca melhoria nas condições de vida do conjunto da população, ou seja, as conseqüências para os países que adotaram fielmente a lista proposta pelo “Consenso” foram desastrosas.
Alguns especialistas afirmam que a imposição de uma agenda única teria sido a razão do fracasso do Consenso de Washington. Ela teria falhado por não levar em consideração as especificidades culturais e políticas de cada formação social, impondo uma forma política e institucional de organizar a vida econômica e política de cada país.
Publicado no Monitor Mercantil [2]
Por Ranulfo Vidigal
Uma leitura crítica com relação aos desdobramentos e conseqüências do projeto conservador, posto em prática na América Latina a partir dos anos 1990, nos leva a crer que estejamos vivenciando um momento histórico, onde as idéias consagradas pelo Consenso de Washington estão sendo superadas. De fato, o receituário de medidas postas em prática nas décadas recentes produziu estagnação econômica e muito pouca melhoria nas condições de vida do conjunto da população.
A lista do “Consenso”, segundo seu criador, não teria se tratado de imposição, mas sim de uma convergência universal, em torno das medidas que o mainstream acreditava como sendo necessárias para a retomada do crescimento econômico, a partir da superação da crise da dívida vivida pela América Latina, ao longo dos anos 80. Para fundamentar esta afirmação o “pai” do “Consenso” John Willianson aponta que não somente a disciplina macroeconômica, como a estabilidade fiscal vieram para ficar.
A agenda original que vigorou na fase mais dura da implantação da doutrina conservadora listava disciplina fiscal, política monetária restritiva, liberação dos mercados de crédito e trabalhista, taxa de câmbio competitiva, liberação comercial, livre entrada de investimentos estrangeiros, privatização e garantia dos direitos de propriedade.
As conseqüências para os países que adotaram fielmente a lista proposta pelo “Consenso” foram desastrosas. Além disso, o mantra da diminuição do papel do Estado, bem como a despolitização da economia foi voz corrente a todo o momento. A realidade, entretanto mostra que as teses de despolitização é radicalmente fantasiosa, na medida em que, qualquer decisão que tenha sido tomada por qualquer governo e suas conseqüências é fruto de opções políticas complexas, entre a elite local e suas relações estreitas com as congêneres do primeiro mundo.
Não satisfeitos com os parcos resultados obtidos até então, Willianson advoga que as reformas estavam incompletas e propões uma nova agenda. A principal meta era reduzir a vulnerabilidade dos países às crises externas, através de uma política anticíclica; responsabilidade fiscal nos diversos níveis de governo; câmbio flexível, supervisão preventiva do sistema bancário, aumento da popança doméstica pública e políticas sociais compensatórias.
Alguns especialistas afirmam que a imposição de uma agenda única teria sido a razão do fracasso do Consenso de Washington. Ela teria falhado por não levar em consideração as especificidades culturais e políticas de cada formação social, impondo uma forma política e institucional de organizar a vida econômica e política de cada país.
Olhando sob a ótica brasileira não podemos negar que houve uma redefinição da agenda pública, nas quais se destacaram: integração da economia brasileira na nova ordem mundial globalizada e o conseqüente abandono de estratégias desenvolvimentistas; implantação de programas de estabilização monetária, reformas orientadas pelo mercado, abertura externa e ajuste fiscal em detrimento das metas sociais. Somos um país com alta desigualdade e baixo controle social sobre as políticas públicas.
A atual globalização é, na verdade, mais uma fase do capitalismo. E este não pode existir sem revolucionar constantemente os instrumentos de produção, e as relações sociais de produção. Neste ambiente, as transformações contínuas da produção e a insegurança geral estarão presentes. Assim, este movimento faz o capitalismo necessitar estabelecer e criar vínculos em todos os lugares e continentes do globo terrestre imprimindo um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países.
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[2] Monitor Mercantil: http://www.monitormercantil.com.br/
[3] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/
[4] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/
[5] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/
[6] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/
[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/
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