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Inflação dos mais pobres começa a ceder

Posted By lucianasergeiro On 10 agosto, 2008 @ 12:00 pm In O que deu na Imprensa,Política Econômica | 1 Comment

Por: Luciana Sergeiro [1] 

Após intensa pressão no primeiro semestre deste ano, a inflação para as famílias mais pobres finalmente começa a perder força. Segundo a FGV, 90% da redução da taxa do IPC-C1 resulta da alta menos intensa dos alimentos. Porém, ainda cedo para afirmar que a perda de fôlego da inflação dos alimentos é “sustentável”.  

Publicado em: Folha de S. Paulo

Após intensa pressão no primeiro semestre deste ano, a inflação para as famílias mais pobres finalmente começa a perder força. O IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1) subiu 0,61% em julho, percentual abaixo do 1,29% registrado em junho, segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas).
A desaceleração foi causada pela alta menor dos alimentos, que corresponde a 40% do índice. O IPC-C1 mede a inflação para famílias com renda de 1 a 2,5 salários mínimos.

Em julho, o grupo alimentação subiu 0,98%, menos do que os 2,50% de junho, disse André Braz, coordenador do IPC.

Segundo a FGV, 90% da redução da taxa do IPC-C1 resulta da alta menos intensa dos alimentos. Apesar dos aumentos mais moderados, Braz disse ser ainda cedo para afirmar que a perda de fôlego da inflação dos alimentos é “sustentável”.

É que, diz ele, o cenário de incertezas persiste. “O consumo permanece aquecido e não há no horizonte de curto e médio prazos uma perspectiva de aumento da oferta de alimentos em escala mundial. Esses fatores favorecem repasses.”

Diante disso, afirma, qualquer pressão adicional pode levar a uma nova rodada de alta das commodities agrícolas.

Itens importantes cederam no preço. É o caso de arroz (de 14,37% para 0,72%), feijão (15,57% para 6,01%), hortaliças e legumes (0,96% para -2,41%), massas e farinhas (2,03% para 0,74%), panificados (1,69% para 0,18%) e carne bovina (8,70% para 4,41%). O óleo de soja caiu 0,54% em junho, após retração de 1,78% em junho.

Apesar do refresco em julho, a inflação dos mais pobres segue pressionada no acumulado do ano, com alta de 6,62% de janeiro a julho. A taxa supera a registrada em todo o ano passado: de 5,87%.


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#1 Comment By Bruno On 10 agosto, 2008 @ 12:12 pm

A Superioridade das raças brancas e orientais

Há uma longa discussão nas ciências econômicas a respeito do enorme diferencial do nível de renda per capita entre os países. De acordo com a versão neoclássica, o principal sustentáculo teórico do liberalismo econômico, a diferença se explica por distintos níveis de propensão a poupar e da produtividade, que é vista como inerente. Em outras palavras, o sucesso no capitalismo seria resultado do biênio frugalidade e trabalho. Na visão keynesiana-estruturalista, o diferencial de nível de renda deve-se do desenvolvimento do mercado consumidor e de setores capazes de gerar exportações, o que permitirá grande volume de investimentos e, portanto, expansão da acelerada da capacidade produtiva e da produção. Nessa visão, o que possibilita um alto nível de renda per capita é a combinação de uma determinada diretriz na política de desenvolvimento com condições favoráveis na geração de divisas. É interessante notar, como aponta vários autores, como Ha-Joon Chang, que as políticas dos países que lograram um rápido desenvolvimento guardam muitas similaridades entre si. É interessante notar que houve desde o pós guerra, uma grande mudança do nível de renda no Leste da Ásia. Alguns países, como a Coréia, que atualmente caminha para um nível de renda europeu, era mais pobre que o Haiti em 1950.A China há 30 anos tinha uma renda per capita inferior à África. Se no final do século XIX, os amarelos eram considerados inferiores aos brancos. Hoje são encarados como superiores até aos brancos e à cultura ocidental. No final dos anos 70, o Brasil caminhava para ser um país desenvolvido. Chegamos a ser o segundo maior produtor de navios, um dos poucos países a desenvolver tecnologia de produção de aviões, éramos exportadores líquidos de máquinas e equipamentos. Mas a crise da dívida interrompeu esse processo. Sul coreanos perguntam o que aconteceu com o Brasil, que até então era a inspiração para eles. É interessante que na época do sucesso brasileiro também abundavam explicações culturalista para mostrar as razões do rápido desenvolvimento. Hoje, essas explicações enfatizam nossa “inferioridade”. Deve-se acrescentar ainda que as diferenças de renda entre as nações pobres e ricas chegam a ser de cem vezes. Haja superioridade de um povo sobre o outro.

Contudo, apesar de fortes evidências empíricas e teóricas em favor da perspectiva keynesiana-estruturalista, a visão ortodoxa é dominante na teoria econômica e perante a opinião pública. Até recentemente, com a restrição da utilização das visões de superioridade de uma raça sobre a outra, as explicações dominantes eram culturalistas. Determinada religião ou forma de organização da sociedade fariam com que as pessoas fossem mais trabalhadoras e dedicadas ao estudo.

Atualmente volta com força a versão de superioridades da raça branca e asiática. É interessante que essa visão ressurge com todo o cientificismo, darwinismo e determinismo climático e dos prejuízos da miscigenação brasileira. A entrevista de Richard Lynn para a Época é notável. Vejam trechos dessa entrevista:

“Os negros americanos são mais inteligentes que os africanos porque têm 25% de genes da raça branca”.

“Os japoneses são os indivíduos que na média tem o maior Q.I. (105) entre as raças estudadas. É mais alto que o dos europeus e dos americanos. Em negros da África Subsaariana, o resultado foi 70.”
“O Brasil segue a lógica, um porcentual baixíssimo de ateus (1%) e Q.I. mediano. É um país miscigenado e sofreu forte influência do catolicismo de Portugal e dos negros da África. Fica difícil mensurar a participação de cada raça no Q.I. atual. O que posso dizer é que a historiado país se relfete em sua inteligência.”

“Quando os primeiros humanos migraram da África para a Eurásia, eles encontraram dificuldade para sobreviver em temepraturas tão frias. Esse problema se tornou especialmente ruim na era do gelo. As plantas usadas como alimento não estavam mais disponíveis o ano inteiro, o que os obrigou a caçar, confeccionar armas e roupas e fazer fogo. Ao exercitar o cérebro, na solução desses problemas, tornaram-se mais inteligentes. Há também uma mutação genética que teria acontecido entre asiáticos e dado uma vantagem competitiva a essa raça.” (Uma pergunta: os índios não vieram originalmente da Ásia. Será que o ambiente tropical os fizeram involuir?)

Liguei na hora para um amigo meu que disse “quando esse estudo desse tipo foi publicado, há dez anos atrás, a comunidade científica apontou diversas falhas. Afirmar que alguém em uma comunidade isolada da África tem uma genética de baixa inteligência por causa de um baixo desempenho em um teste de Q.I. é má fé ou ignorância. A criança ao longo da criação desenvolve (ou não) sua inteligência. É improvável que qualquer tribo mais isolada, como os esquimós, independente de que raça, tenha tido um bom desempenho no teste. A ciência moderna tende a convergir de que não existe raças humanas e sim uma raça humana. Não tenho muito conhecimento sobre o assunto. Mas, o que me assusta é a Época por uma entrevista irresponsável dessa e não por nenhum contraponto. Com o domínio da visão de seleção natural, não é simples para alguém que não seja da aérea ter um posicionamento crítico ao pesquisador racista. Além disso, temos uma elite e classe média alta que tem admiração exacerbada pelos europeus e norte-americanos e um desprezo pelo brasileiro médio mestiço. Ouvir comentários negativos sobre o nordestino (baiano no sul e paraíba no Rio) é bastante comum. É triste um país que alguém como o Diogo Mainardi, que só sabe tripudiar no já baixo auto-estima brasileiro, é visto como alguém respeitável por grande parte de nossa elite. Ainda me pergunto porque a Época não publico um contraponto. E eu só tenho uma coisa a dizer para essa elite, para a Editora Globo, e para a Veja: Nós, brasileiros, não somos inferiores ao orientais, norte-americanos e europeus. Na verdade, para mim, é essa a razão do nacionalismo no Brasil é lutar contra uma elite entreguista e que tem nojo do povo brasileiro. Não somos melhores, mas também não somos piores.


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[3] ? A questão dos impostos e juros: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/a-questao-dos-impostos-e-juros/

[4] ? Manifesto Grupo Crítica Econômica: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/manifesto-grupo-critica-economica/

[5] ? O que é política de pleno emprego?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/o-que-e-politica-de-pleno-emprego/

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