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Blog do Desemprego Zero

Em 4 meses, US$ 15 bi deixam o País

Escrito por Katia Alves, postado em 7 dEurope/London agosto dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Por Katia Alves

Investidores e empresas enviaram ao exterior US$ 15,1 bilhões nos últimos quatro meses. Esses números se referem ao saldo das operações de câmbio no segmento financeiro. Em julho, o fluxo cambial fechou com resultado negativo de US$ 2,4 bilhões.

Economistas afirmam que os números refletem a situação externa. Pois a crise nos EUA tem provocado prejuízos seguidos em empresas e investimentos como a bolsa de valores.

Publicado no O Estado S. Paulo

Por Fernando Nakagawa

Investidores e empresas enviaram ao exterior US$ 15,1 bilhões nos últimos quatro meses. Em tempos de crise internacional, dólares têm deixado o Brasil para, principalmente, cobrir prejuízos nos Estados Unidos. No ano, essa saída se aproxima de US$ 20 bilhões, segundo dados do Banco Central.

Esses números se referem ao saldo das operações de câmbio no segmento financeiro – investimentos, aplicações financeiras e pagamentos diversos. Os números do chamado segmento comercial do mercado de câmbio, ligado às operações de importação e exportação, continuam positivos, mas nos últimos dois meses não foram suficientes para cobrir as saídas financeiras.

Em julho, o fluxo cambial fechou com resultado negativo de US$ 2,4 bilhões, o mais elevado desde dezembro de 2006. De janeiro a julho, ficou positivo em US$ 12,4 bilhões, mas o valor caiu 80% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A conta financeira teve resultado negativo pelo quarto mês seguido. Apenas em julho, US$ 5,1 bilhões deixaram o Brasil, depois de resultado também expressivo (US$ 5,6 bilhões) em maio.

Economistas não têm dúvidas que os números refletem a situação externa. A crise nos EUA tem provocado prejuízos seguidos em empresas e investimentos como a bolsa de valores. Para cobrir o rombo e evitar novos tropeços com o dinheiro, agentes financeiros costumam procurar “portos seguros”. Títulos do governo americano, papéis em euro e até o ouro têm sido as opções.

“De um lado, empresas remetem mais lucro porque enfrentam dificuldades nas sedes. Por outro, a crise aumenta a aversão ao risco e isso reduz o fluxo de recursos para o Brasil”, resume o economista-chefe do Banco Safra, Eduardo de Faria Carvalho.

BOLSA

Entre as aplicações financeiras, a Bolsa de São Paulo (Bovespa) foi a que mais sofreu. Em julho, R$ 7,6 bilhões – cerca de US$ 4,8 bilhões – de investimentos externos deixaram o País. É quase metade do acumulado no ano, quando estrangeiros retiraram R$ 14,2 bilhões. “Esse investidor saiu de bolsa em boa parte dos mercados emergentes, foi um movimento global”, diz o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto.

Além de o fluxo negativo para investimentos estar negativo, a balança comercial tem trazido menos dólares porque as importações têm crescido mais rápido que as exportações. Em julho, a entrada de dólares pelo comércio exterior somou US$ 2,6 bilhões, 52% menos do que em julho do ano passado. No ano, caiu 37,4%, para US$ 32,1 bilhões.

Lucros no Brasil vão para os EUA cobrir prejuízos com o subprime

Essa é uma boa parte da razão da saída líquida de US$ 15 bilhões do País nos meses de junho e julho

Renée Pereira

Boa parte do dinheiro estrangeiro que deixou o Brasil nos últimos meses tem sido usada para cobrir os rombos provocados pelo mercado americano de subprime (hipotecas de alto risco). Até agora, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi a mais prejudicada pela fuga de recursos. Só nos meses de junho e julho a saída de capital externo somou R$ 15 bilhões.

Tudo isso exatamente porque a bolsa paulista teve desempenho excepcional nos últimos anos, o que proporcionou ganhos expressivos a fundos de investimentos e instituições financeiras que administram fortunas de milionários estrangeiros. Mas, com a dificuldade enfrentada especialmente nos Estados Unidos, esses investidores passaram a priorizar a venda de ativos aqui, onde há liquidez, para cobrir perdas lá fora.

Do lado corporativo, os exemplos não são diferentes. No primeiro semestre de 2008, empresas instaladas no Brasil fizeram remessas recordes de lucros e dividendos para as matrizes no exterior. Segundo o Banco Central (BC), o volume de recursos somou US$ 18,99 bilhões no período, quase o dobro do valor de igual período do ano passado.

Entre os setores que mais remeteram lucros estão os que enfrentam dificuldades em seus países de origem. É o caso do automotivo e de serviços financeiros, com US$ 2,76 bilhões e US$ 2,40 bilhões, respectivamente.

O analista da Hencorp Commcor Corretora, Marcos Forgione, alerta que ainda não se consegue avaliar com certeza até onde vão os problemas da economia mundial, em especial os prejuízos provocados pelo mercado subprime. Dependendo da profundidade da crise, uma hora isso vai chegar ao mercado interno, reduzindo os resultados das empresas, o que afasta o investidor da bolsa.

Ele explica que, além de vender papéis aqui para cobrir rombos lá fora, há ainda aqueles investidores que preferem deixar ambientes de risco para se refugiar em ativos mais conservadores, como os títulos americanos. Vale destacar, entretanto, que a taxa de juro real americana, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, está negativa em 2,9% ao ano, segundo dados da Consultoria UpTrend. “Apesar disso, os papéis americanos são considerados um porto seguro”, diz Forgione.

Para o economista da Modal Asset Managment, Alexandre Póvoa, a saída de recursos ainda não representa um cenário dramático. Segundo ele, o País atraiu muitos fundos criados para investir em emergentes e fundos de commodities, que aplicavam até em papéis de empresas ligadas a esse mercado.

“Eles ganharam muito dinheiro, tanto com a valorização das ações como com a variação da moeda brasileira. Num momento de indefinição é normal rever posições.”



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