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Delfim e Bresser unidos em duras críticas à ação do BC

Posted By Katia Alves On 6 agosto, 2008 @ 1:45 pm In Assuntos,Conjuntura,Debates Nacionais,Política Econômica | No Comments

Por Katia Alves [1]

Delfim Netto e Luiz Carlos Bresser Pereira, durante seminário na Fundação Getúlio Vargas, fizeram fortes críticas à política de juros e metas de inflação do Banco Central.

Delfim classifica de infantil a atitude do governo brasileiro de se antecipar com o aumento dos juros, sendo que a inflação é internacional. Pois o efeito principal dessa medida é a valorização do câmbio.

Bresser Pereira, classificou de “suicida e alucinada” a política cambial do Brasil e não acredita que o mercado possa ajustar os valores caso o dólar venha se apreciar, por conta da taxa atrativa de juros para especuladores estrangeiros. E a atual política cambial segue exemplos de governos populistas. O ex-ministro afirmou que a valorização do real favorece os gastos dos brasileiros.

Publicado no JB Online [2]

A política de juros e metas de inflação do Banco Central esteve sob fortes ataques, ontem, em São Paulo, especialmente por parte de dois ex-ministros da Fazenda, Delfim Netto e Luiz Carlos Bresser Pereira, durante seminário na Fundação Getúlio Vargas.

Para Delfim, com a política monetarista do BC, o Brasil torna-se o último “peru com farofa na mesa dos especuladores internacionais, fora no Dia de Ação de Graças”.

Já Bresser Pereira classificou de “suicida e alucinada” a política cambial do Brasil, o que, no seu entender levará a uma crise de pagamentos em dois ou três anos”.

Bresser também disse não acreditar que o mercado possa ajustar os valores caso o dólar venha se apreciar, por conta da taxa atrativa de juros para especuladores estrangeiros.

Para Bresser, a atual política cambial segue exemplos de governos populistas. O ex-ministro afirmou que a valorização do real favorece os gastos dos brasileiros. – É populista porque os salários reais aumentam e todo mundo vai para Paris. Nem para Miami vão mais – afirmou.

Infantilidade

Delfim Netto classifica de infantil a atitude do governo brasileiro de se antecipar com o aumento dos juros, sendo que a inflação é internacional.

- O efeito principal dessa medida é a valorização do câmbio. A inflação vem de fora, não tem nada a ver com as taxas de juros brasileiras. Mais eficaz seria aumentar o esforço fiscal, cortando principalmente a demanda do governo – afirmou Delfim.

Continuando no tom crítico, Bresser Pereira disse que o Brasil não está no ciclo de desenvolvimento sustentável da economia, e o governo Lula pratica uma “política boa” apenas para os problemas conjunturais de curto prazo.

- Este governo não está sendo capaz de resolver o problema de médio prazo – afirmou.

Teste de fogo

Paralelamente, a professora Marise Fahri, catedrática do Instituto de Economia da Universidade de Campinas, afirmou que Banco Central brasileiro é o mais ortodoxo do mundo e dificilmente conseguirá manter a meta de inflação em 4,5%, a não ser que promova drástica redução no nível de desenvolvimento e elevação de juros além do que vêm prevendo os mais pessimistas:

- Vamos ver um teste de fogo para a política de metas. Minha impressão é de que a meta de 4,5% só poderá ser mantida baixando-se a taxa de crescimento para 1,5%, com juros entre 18% e 19%.

- Para eles, toda e qualquer inflação é de demanda, que só pode ser combatida mediante alta de taxas de juros, taxas essas que são fixadas em boa parte a partir de expectativas do mercado, sem participação de qualquer analista de sindicatos de trabalhadores e mesmo patronais – concluiu a professora.


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[2] JB Online: http://www.jornaldobrasil.com.br/

[3] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/

[4] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/

[5] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/

[6] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/

[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/

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