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Bancos criam novos mecanismos para se especular em commodities
Posted By Imprensa On 5 agosto, 2008 @ 11:54 am In Assuntos,Conjuntura,Internacional | No Comments
Publicado no Valor [1]
Enquanto o governo americano tenta pôr um controle na especulação de commodities, Wall Street cria novas maneiras de trazer mais dinheiro ao mercado.
Em maio, o Credit Suisse Group e o Deutsche Bank AG começaram a oferecer investimentos em minério de ferro. Cerca de 1 bilhão de toneladas de minério de ferro são extraídas por ano, mas o metal não é negociado numa bolsa de futuros. Por isso tem sido praticamente impossível para os especuladores apostar em movimentos de preço.
Os bancos de investimento foram inundados com interesse em contratos de minério de ferro, que funcionam como uma espécie de futuro. Em apenas dois meses, os investidores assumiram posições cujo valor nocional (ou do total de ativos que os contratos representam) supera US$ 500 milhões – cerca de 2,7 milhões de toneladas -, o que faz deste um dos maiores mercados de commodities a surgir quase da noite para o dia.
Os novos mercados mostram como será difícil para os políticos coibir a especulação, que muitos culpam pela disparada das commodities. Vários senadores americanos elaboraram projetos de lei que limitariam o que os investidores podem aplicar em commodities que não pretendem possuir.
Muitos economistas e investidores rejeitam os projetos de lei, e atribuem os altos preços das commodities à demanda de economias emergentes e a gargalos de produção. Eles muitas vezes usam o minério de ferro como evidência: embora não seja negociado numa bolsa de futuros, seu preço disparou nos últimos 12 meses.
O novo tipo de negociação está se espalhando para uma série de outras mercadorias que estavam além do alcance dos investidores por não serem negociados em mercados futuros, do querosene de aviação ao frango. Essas transações também são oferecidas para commodities que já são compradas e vendidas em bolsas globais, como petróleo, milho e café.
Clientes da Goldman Sachs Group Inc. podem investir em óleo de palma e outros componentes de biocombustíveis. O Deutsche Bank negocia rutênio, um obscuro metal usado em canetas tinteiro. Junto com outras instituições, o Deutsche está se expandindo para o ródio, usado em catalisadores.
Há contratos também para lítio e metais raros, entre os quais componentes para carros híbridos e elétricos. Uma lista do Credit Suisse parece um livro de ciência: alumina, cobalto, molibidênio, ferrocromo e vanádio.
“O modelo é praticamente sem limites”, diz Kamal Naqvi, de 36 anos, um executivo do Credit Suisse baseado em Londres que ajudou a criar a nova plataforma depois de entrar para o banco, no ano passado. Só em julho, o Credit Suisse recebeu solicitações de contratos parecidos vindas de produtores de serragem, frango e fertilizante potássico.
Os contratos do Credit Suisse são oferecidos por uma subsidiária londrina que é uma aliança com a Glencore International AG, uma empresa suíça de commodities. Embora os clientes possam obter ativos físicos por meio da Glencore, o Credit Suisse não está diretamente envolvido em nenhuma transação física, além de sua divisão de metais preciosos em Zurique. A aliança ajuda o Credit Suisse a coletar informação sobre commodities e repassá-la aos clientes em troca de mais negócios.
Esses instrumentos têm implicações para a maneira pela qual o dinheiro flui para as commodities. Historicamente, se alguém procurava lucrar com o minério de ferro, comprava ações de uma produtora, mas não o minério em si. “O minério de ferro é provavelmente o maior mercado de commodity do mundo que não tinha transação financeira em torno dele”, diz Raymond Key, diretor global de negociação de metais do Deutsche Bank em Londres.
Pelos contratos, conhecidos como “swaps com liquidação financeira” (cash-settled swaps), o cliente – um fundo de hedge, fundo de pensão ou siderúrgica – concorda em pagar um preço fixo pelo minério de ferro no futuro. Agora, ele está em torno de US$ 180 por tonelada. O banco encontra um vendedor que queira garantir um preço.
A transação mínima do Credit Suisse é de 5.000 toneladas. Não há entrega física. Em vez disso, a cada mês há um pagamento líquido em dinheiro da diferença entre o preço estabelecido e uma cotação flutuante atrelada a um índice do preço à vista que as siderúrgicas pagam por minério de ferro para pronta entrega.
Entre as mineradoras que trabalham com o Credit Suisse nos contratos de ferro está a BHP Billiton Ltd. “Apoiamos qualquer mecanismo que leve a mais transparência no mercado”, disse uma porta-voz da BHP por email.
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[1] Valor: http://www.valor.com.br/
[2] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/
[3] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/
[4] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/
[5] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/
[6] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/
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