Um pecado de 61 milhões de reais: desfalque de Rosinha e Garotinho
Escrito por beatriz, postado em 24 dEurope/London julho dEurope/London 2008
Por Beatriz Diniz
Os nossos representantes governamentais não se mostram confiáveis. Um exemplo disso é o que ocorreu esta semana no Rio de Janeiro envolvendo os antigos governadores do estado como expõe o artigo abaixo. Rosinha Garotinho e Antony Garotinho estão envolvidos no caso de desvio de verbas destinadas a Secretaria Estadual de Saúde.
É lamentável como duas pessoas que foram eleitas pela escolha do povo tenham desviado recursos destinados à um setor já tão precarizado e marcado pela falta de serviços suficientes destinados aos cidadãos. A saúde é uma das principais iniciativas de política pública, de fundamental importância para compor a vida do indivíduo enquanto sujeito de direitos, que está sempre envolvida com a escassez de recursos. Apesar de seu acesso ser universal, como foi garantido constitucionalmente, não se tem a garantia de que o atendimento será feito, ou quando o é podemos duvidar muitas vezes de sua qualidade.
A forma como ambos foram eleitos já poderia ser considerada questionável, visto que, de certa forma, se utilizaram do argumento religioso para garantirem um número suficiente de votos. Isto demonstra a total falta de compromisso com aquilo que é entendido como democracia, além de ser totalmente inviável partindo do pressuposto de que vivemos em um estado laico.
Fonte: Carta Capital
A Justiça determinou, na quarta-feira 16, o bloqueio das contas bancárias, dos ativos financeiros e de todos os bens dos ex-governadores do Rio Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho (PMDB). O casal e outros 32 investigados são réus em uma ação civil pública por improbidade administrativa, impetrada pelo Ministério Público fluminense. Caíram em desdita após a deflagração da Operação Pecado Capital, na qual eles são acusados de participar do desvio de 61 milhões de reais dos cofres da Secretaria Estadual de Saúde.
A pré-candidatura à Presidência de Garotinho, segundo a Promotoria, teria se beneficiado de parte dos recursos desviados, entre 2005 e 2006, durante a gestão de Rosinha. Entre as 12 pessoas presas pela operação, estão os ex-secretários Gilson Cantarino (Saúde) e Marco Antônio Lucidi (Trabalho e Renda).
Também foram para a cadeia uma prima de Garotinho, a ex-deputada Alcione Athayde, e o ex-assessor Itamar Guerreiro. No comando das subsecretarias de Assistência à Saúde e Infra-estrutura, Alcione e Itamar contrataram, sem licitação, a organização não-governamental Pro-Cefet, que recebeu mais de 200 milhões de reais para executar o programa “Saúde em Movimento”. O serviço foi repassado para mais de cem ONGs diferentes.
De acordo com o Ministério Público, não houve comprovação de despesas e os diretores das “microongs” sacavam dinheiro na boca do caixa, às vezes em valores superiores a 100 mil reais. Os administradores das entidades, cerca de 40% delas ligadas a igrejas evangélicas, ficavam com parte do dinheiro e repassavam outra parte para os integrantes do governo.
Impassível, Rosinha diz não temer a investigação. Foi ela quem assinou um decreto, no primeiro dia de governo, responsabilizando-se diretamente por todos os contratos firmados pela administração estadual com ONGs e fundações.










