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Para Fiesp, BC erra no diagnóstico da inflação
Posted By Katia Alves On 2 julho, 2008 @ 1:00 pm In Assuntos,Conjuntura,O que deu na Imprensa,Política Econômica | 2 Comments
Por Katia Alves [1]
A Fiesp considerou um erro o diagnóstico feito pelo Banco Central, pois o bacen afirmou que a oferta da indústria não estaria apta a atender o crescimento da demanda. Estudo da Fiesp apresentou dados mostrando que os investimentos industriais estão ocorrendo e se maturando em tempo hábil.
O trabalho da Fiesp mostra, porém, que, dos 20 itens que compõem o IPA, apenas quatro registram uma alta de preços acima da média da indústria. Segundo o empresário Paulo Francini, diretor do departamento de pesquisas e estudos econômicos da Fiesp, o objetivo do trabalho é o de mostrar que a indústria não é a principal causa da inflação, como o Banco Central e muitos analistas têm dito ultimamente. A indústria até, de acordo com o estudo, está ajudando no controle da inflação.
Publicado na Folha [2]
Por Guilherme Barros
Nos dois últimos relatórios de inflação, o Banco Central tem afirmado que a oferta da indústria não estaria apta a atender o crescimento da demanda. O relatório do dia 25 de junho foi ainda mais enfático ao dizer que “o maior risco, porém, advém dos preços industriais, pois, além de se localizarem mais próximos da etapa do consumo final e, por conseguinte, transmitirem-se mais rapidamente para os preços do consumidor, costumam mostrar maior persistência”.
A Fiesp considera um erro esse diagnóstico do Banco Central. Segundo estudo do departamento de pesquisas e estudos econômicos da entidade, os dados mostram que os investimentos industriais estão ocorrendo e se maturando em tempo hábil. Ao apontar suas baterias contra os preços industriais, o Banco Central usa como parâmetro a variação do IPA (Índice de Preços por Atacado), da Fundação Getulio Vargas. O IPA total registrou até maio uma elevação de 15,36% no acumulado dos últimos 12 meses. Já o IPA da indústria de transformação, de 9,08%.
O trabalho da Fiesp mostra, porém, que, dos 20 itens que compõem o IPA, apenas quatro registram uma alta de preços acima da média da indústria. São exatamente os setores mais atingidos diretamente pela alta de preços global. A inflação dos produtos alimentícios e bebidas, derivados de petróleo, químicos e metalurgia básica está em 14,8%, no acumulado de 12 meses até maio deste ano. Só o grupo alimentos e bebidas registrou alta de 20,26%. Já os 16 itens restantes registram uma inflação de 3,2%.
O problema é que esses quatro setores têm um peso muito grande na indústria de transformação. Eles representam praticamente a metade da indústria e é isso que faz com que o IPA industrial fique em um patamar tão elevado. Para a Fiesp, os preços industriais do atacado continuam bem comportados, assim como os preços industriais relacionados ao índice de preços ao consumidor. Os preços industriais no IPCA registram uma alta até maio de 3,6%, portanto abaixo da meta de 4,5%.
O estudo da Fiesp chama a atenção também para alguns setores que crescem a taxas superiores a 20%, mas que apresentam uma variação de preços abaixo da média do IPCA. Exemplos: equipamentos de informática (-18,51% no acumulado de 12 meses); artigos de vestuário (3,22%); borracha e material plástico (-1,80%); máquinas e equipamentos (2,08%) e veículos automotores (4,15%).
Segundo o empresário Paulo Francini, diretor do departamento de pesquisas e estudos econômicos da Fiesp, o objetivo do trabalho é o de mostrar que a indústria não é a principal causa da inflação, como o Banco Central e muitos analistas têm dito ultimamente. A indústria até, de acordo com o estudo, está ajudando no controle da inflação. Francini afirma ainda que não é contra a política de combate à inflação pelo Banco Central com o uso do instrumento da elevação dos juros, até porque é a única ferramenta de que dispõe a autoridade monetária. O que ele não aceita, no entanto, é ser responsabilizado pelas pressões inflacionárias.”Somos solidários no combate à inflação, mas o que não queremos é levar a pecha de causadores da inflação”, diz Francini.
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[4] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/
[5] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/
[6] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/
[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/
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2 Comments To "Para Fiesp, BC erra no diagnóstico da inflação"
#1 Comment By Heldo Siqueira On 2 julho, 2008 @ 1:48 pm
Amigos,
se o combate à inflação fosse levado a sério seria natural que as agências de regulação levassem em conta a meta de inflação para autorizar reajustes. É ridículo ver o BC aumentar os juros, quando a maioria dos preços administrados são reajustados acima da meta estabelecida pelo CMN.
Uma política sobre os preços administrados não seria mais útil no combate à inflação que aumento nos juros. A não ser que os juros altos tenham outra “explicação”…
Abraços
#2 Comment By Rodrigo L. Medeiros On 2 julho, 2008 @ 2:50 pm
Essa é uma questão relevante. Não é função exclusiva de um BC controlar os processos inflacionários. Além do mais, o aumento da taxa básica de juros não irá melhorar a vida de desempregados e subempregados, 49% da população economicamente ativa brasileira.
Onde estão as agências reguladoras e a defesa da concorrência? Onde esteve o Ministério do Planejamento que não percebeu o que se passava no cenário internacional e não tomou medidas que mitigassem os efeitos reais da especulação nas bolsas de futuros? Muito poderia ter sido feito se a imaginação e a criatividade não fossem tão estreitas.
Estoques de segurança, por exemplo, para conter a alta dos alimentos poderiam ser utilizados para segurar o aumento da cesta básica no Brasil. Se a produção de alimentos for financiada com dinheiro proveniente de algum banco público, o(s) governo(s) poderia(m) cobrar contrapartida social em momentos de crise. Uma cota a ser vedida a preço de produção, por exemplo.
A idiotia neoliberal, por sua vez, diria que tal medida, mesmo que temporária e marginal, seria intervencionista, ineficiente e acabaria distorcendo os sistemas de preços. Quem, afinal de contas, leva a sério os adeptos da idiotia neoliberal? Certamente não os EUA, a UE e o Japão, responsáveis por 68% dos gastos globais em P&D. O Estado nacional continua jogando um papel-chave no desenvolvimento das sociedades organizadas.