Operações com “swap” reverso oneram Tesouro R$ 26 bilhões entre janeiro e maio
Escrito por lucianasergeiro, postado em 8 dEurope/London julho dEurope/London 2008
Por: Luciana Sergeiro
“A ação do BC do câmbio ocorre de duas maneiras: pela compra direta de dólares no mercado e pela negociação de contratos de swap cambial reverso”. O nome complicado refere-se a transação em que os bancos comprometem-se a pagar ao BC toda a diferença da variação do dólar que ocorrer em determinado período, e, em troca, o BC paga aos bancos a diferença de variação dos juros que se acumularem. Como dólar cai quando os juros sobem, e o BC aposta na valorização, a perda é certa.
Nos primeiros cinco meses do ano, o BC comprou US$ 15,4 bilhões diretamente no mercado. Além disso havia, no final de maio, cerca de R$ 36 bilhões em contratos de swap em circulação no mercado, com vencimento para os próximos anos. Em ambos os casos, a queda do dólar resulta em prejuízos ao Banco Central, com impacto na dívida pública. O valor em reais dos dólares acumulados nos últimos anos, por exemplo, se reduziu em R$ 21,8 bilhões entre janeiro e maio. O swap, por sua vez, causou prejuízo de R$ 4,7 bilhões.”
Publicado em: JB Online
Os prejuízos sofridos pelo Banco Central nas suas operações no mercado de câmbio já causaram, entre janeiro e maio deste ano, um aumento de R$ 26,5 bilhões na dívida pública. Como revelou ontem o Jornal do Brasil, o valor refere-se às perdas apuradas pelo BC com a compra de dólares no mercado e com as chamadas operações de swap cambial. Os números são do BC. O impacto negativo da atuação da instituição no mercado de câmbio sobre as contas do governo vem se intensificando por causa da queda do dólar. Se não fosse esse resultado negativo, a relação entre dívida e PIB, hoje em 40,8%, poderia estar em 39,9%.
Ontem, relembrou-se que as perdas que o Banco Central acumula com as compras de dólares para as reservas internacionais e no mercado futuro não serão mais contabilizadas como prejuízo da instituição. Uma medida provisória editada no fim de junho muda as regras para apuração do balanço do banco. Com isso, o BC, que no ano passado anunciou um prejuízo de R$ 47,5 bilhões, começará a dar lucros ou resultados equilibrados quando houver valorização do real diante do dólar. Até a publicação da MP, a variação do câmbio era contabilizada como uma redução no ativo total do BC. Isso porque boa parte dos ativos do BC são as reservas internacionais e operações no mercado futuro que equivalem a uma compra de dólares, os chamados swaps cambiais.
Quando o real se valoriza em relação ao dólar, como ocorreu no ano passado, o valor dessas operações convertido para reais diminui.
O custo da compra de dólares ocorre por causa da diferença entre os juros que o BC recebe ao aplicar no exterior as reservas internacionais e o que paga internamente.
O responsável por cobrir os rombos do BC era o Tesouro Nacional, que continuará tendo que pagar as contas do acúmulo de reservas e dos contratos de swap cambial mesmo depois da edição da MP.
O que muda a partir de agora é que o efeito da valorização do real passará a ser contabilizado como recurso que o BC tem a receber do Tesouro Nacional. Se houver desvalorização da moeda, o BC contabilizará como pagamentos devidos ao Tesouro.
O BC explica que a mudança é um ajuste contábil, que todas as informações continuarão disponíveis, com mais detalhes até. Por meio da assessoria de imprensa, o BC informou que a MP “permitirá analisar melhor o resultado das operações próprias como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal e que “também dará transparência ao resultado do custo das reservas internacionais e swaps cambiais”".
A alteração não foi feita antes porque o Ministério da Fazenda protelou o quanto pôde. A equipe do ministro Guido Mantega (Fazenda) considerava a mudança desnecessária, já que a responsabilidade por cobrir os prejuízos já era do Tesouro Nacional e não vai mudar.
Perda certa
A ação do BC do câmbio ocorre de duas maneiras: pela compra direta de dólares no mercado e pela negociação de contratos de swap cambial reverso”. O nome complicado refere-se a transação em que os bancos comprometem-se a pagar ao BC toda a diferença da variação do dólar que ocorrer em determinado período, e, em troca, o BC paga aos bancos a diferença de variação dos juros que se acumularem. Como dólar cai quando os juros sobem, e o BC aposta na valorização, a perda é certa.
Nos primeiros cinco meses do ano, o BC comprou US$ 15,4 bilhões diretamente no mercado. Além disso havia, no final de maio, cerca de R$ 36 bilhões em contratos de swap em circulação no mercado, com vencimento para os próximos anos. Em ambos os casos, a queda do dólar resulta em prejuízos ao Banco Central, com impacto na dívida pública. O valor em reais dos dólares acumulados nos últimos anos, por exemplo, se reduziu em R$ 21,8 bilhões entre janeiro e maio. O swap, por sua vez, causou prejuízo de R$ 4,7 bilhões.










