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Integração da América do Sul depende do Brasil

Posted By Katia Alves On 23 julho, 2008 @ 6:30 pm In Assuntos,O que deu na Imprensa,Política Econômica | No Comments

Por Katia Alves [1]

O artigo abaixo ressalta que a integração da América do Sul constitui um projeto brasileiro. Nenhum outro governo o concebeu tão consistente e fez tantos esforços para sua programação como o brasileiro.

Exportadores brasileiros elegeram a vizinhança como destino de sua melhor exportação de qualidade, a de manufaturados, que para a área representam 80%, enquanto sobre o total situam-se em aproximadamente 50%. Investidores brasileiros elegeram a vizinhança, especialmente a Argentina, como destino privilegiado de seus capitais e empreendimentos.

Por Amado Luiz Cervo

Publicado originalmente no Correio Braziliense [2]

O título do artigo corresponde a uma afirmação do presidente Lula, ao regressar de viagem à Bolívia e à Colômbia nesta semana. Depende, em seu entender, porque o Brasil é a maior economia e o país mais industrializado, é líder na região e não lhe convém estar rodeado de países pobres. Afirma que a integração avançará por meio de ações conjuntas e nesse sentido a integração também depende dos vizinhos.

Além dessas boas razões, convém examinar a fundo por que a integração sul-americana interessa ao Brasil..

O projeto, que os estudiosos chamam de construção da América do Sul, inicia formalmente à época de Itamar Franco, com a negociação em torno da criação da Área de Livre Comércio da América do Sul (Alcsa), em oposição ao projeto norte-americano da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Segue com as reuniões de cúpula, instituídas por Fernando Henrique Cardoso, que criaram a Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), transformada na União das Nações Sul-Americanas (Unasul), durante reunião de cúpula em Brasília, em 2008.

A institucionalização da integração sul-americana foi acompanhada desde o ano 2000 por algumas ferramentas operacionais como a Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (Iirsa), o Programa de Substituição Competitiva de Importações (PSCI) e o Programa Sul-Americano de Apoio às Atividades de Cooperação em Ciência e Tecnologia (Prosul). Esses mecanismos financiam projetos regionais ou bilaterais, nos quais a presença do BNDES é relevante.

A construção da América do Sul, como se observa, é real. Mas seus resultados situam-se muito abaixo do projeto brasileiro de converter a América do Sul em uma unidade política, econômica e de segurança. A América do Sul vem se equipando, porém ainda não fala ao mundo de uma só voz nas negociações multilaterais e não se constitui um pólo de poder geopolítico e econômico que promova os interesses do conjunto dos países. Esse horizonte está por vir.

Em razão da lentidão, mas aproveitando o caminho aberto pela diplomacia, segmentos econômicos e sociais brasileiros avançaram com andar próprio. Exportadores brasileiros elegeram a vizinhança como destino de sua melhor exportação de qualidade, a de manufaturados, que para a área representam 80%, enquanto sobre o total situam-se em aproximadamente 50%. Investidores brasileiros elegeram a vizinhança, especialmente a Argentina, como destino privilegiado de seus capitais e empreendimentos. A América do Sul converteu-se em plataforma de expansão dos negócios brasileiros, uma base de apoio ao processo de internacionalização da economia, em ritmo acelerado desde 2005, pois que ultrapassa em 2007 a cifra de US$ 100 bilhões de investimentos diretos no exterior.

Nenhum país da América do Sul exibe tal dinamismo de expansão sobre
a vizinhança, ao contrário. Para remediar situações econômicas e sociais muito frágeis, por volta de 2000, os países da América do Sul conceberam projetos de recuperação de caráter introvertido.

Esqueceram-se da integração. Mesmo quando recorriam ao comércio regional, utilizavam-no como instrumento de proteção para expandir atividades internas, distantes da visão brasileira de integração produtiva. O ritmo dos movimentos de fatores econômicos deixa muito longe o Brasil de seus vizinhos, com exceção da Venezuela, que utiliza recursos do petróleo para atender a demandas de financiamentos.

O modelo brasileiro de inserção internacional no mundo da globalização não permite ao país abandonar sua estratégia, que é correta e rende frutos. Há como convencer os vizinhos a mudar a sua? Por exemplo, a estratégia boliviana de afugentar empreendimentos e investimentos em nome do interesse nacional? A estratégia venezuelana do socialismo de estatizações? É possível trazer a Argentina socialmente regenerada e economicamente reindustrializada pelos Kirchner ao projeto desenvolvimentista brasileiro de América do Sul? Se a diplomacia brasileira fez muito, ainda tem muito a fazer. Os agentes econômicos brasileiros sabem responder ao apoio logístico que recebem, até mesmo andar soltos e na frente por conta e risco.


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[2] Correio Braziliense: http://www.correiobraziliense.com.br/

[3] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/

[4] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/

[5] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/

[6] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/

[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/

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