Inflação já afeta renda, aponta IBGE
Escrito por lucianasergeiro, postado em 25 dEurope/London julho dEurope/London 2008
Por: Luciana Sergeiro
Com a inflação mais alta os consumidores vêem seu poder de compra deteriorado, se não bastasse só
a inflação, um outro fator de deterioração do poder de compra é dos salários menores, ou seja, a entrada de mais pessoas no mercado de trabalho recebendo bem menos do que deveria ganhar. A maior parte do impacto no rendimento vem dos trabalhadores com carteira, que geralmente entram no mercado ganhando menos. A pesquisa feita pelo IBGE mostrou que a taxa de desemprego ficou em 7,8% da população economicamente ativa (PEA) em junho, praticamente inalterada na comparação com maio, quando se situou em 7,9%. Em relação a junho de 2007, houve declínio de 1,9 ponto percentual.
Publicado em: Valor Online
Por: Rafael Rosas
O mercado de trabalho brasileiro já sofre os efeitos do aumento da inflação. Em junho, o rendimento médio real da população ocupada ficou em R$ 1.216,50, uma queda de 0,3% na comparação com os R$ 1.219,83 de maio, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para chegar à média real, o IBGE desconta a inflação acumulada.
“A inflação mais alta corroendo o poder de compra é um dos fatores para a queda do rendimento, além da entrada de mais pessoas no mercado de trabalho, que começam ganhando menos”, explicou Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Entre janeiro e junho, o rendimento médio das pessoas ocupadas atingiu R$ 1.220,94, um crescimento de 2,3% frente aos R$ 1.193,57 dos primeiros seis meses do ano passado. O avanço foi menor que a aceleração de 4,4% acumulada na comparação do primeiro semestre de 2007 com o primeiro semestre de 2006.
A maior parte do impacto no rendimento vem dos trabalhadores com carteira, que geralmente entram no mercado ganhando menos. Neste grupo, que cresceu 9,5% na comparação entre junho deste ano e junho do ano passado, o rendimento caiu de R$ 1.167,76 no primeiro semestre de 2007 para R$ 1.166,17 nos primeiros seis meses deste ano. A formalização do mercado é outra característica observada este ano. Entre janeiro e junho, o emprego com carteira assinada no setor privado atingiu 44% da população ocupada, contra 41,9% no primeiro semestre de 2007.
A pesquisa do IBGE também mostrou que a taxa de desemprego ficou em 7,8% da população economicamente ativa (PEA) em junho, praticamente inalterada na comparação com maio, quando se situou em 7,9%. Em relação a junho de 2007, houve declínio de 1,9 ponto percentual.
A pesquisa mostra taxas diferentes de desemprego entre as seis regiões metropolitanas estudadas. A taxa de desocupação em São Paulo foi de 8,2%; em Recife, ficou em 8,5%, enquanto Salvador registrou a maior taxa (12,1%) e Porto Alegre, a menor: 6,1%. Também foram pesquisadas Belo Horizonte (7,4%) e Rio de Janeiro (6,6%).
O contingente de desocupados, calculado em 1,8 milhão de pessoas, diminuiu 17% perante junho de 2007 (2,2 milhões de pessoas). E o número de pessoas ocupadas foi estimado em 21,7 milhões em junho, com crescimento de 4,5% em relação a 2007 (20,8 milhões).
Ministro espera recuo do PIB em 2009
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, admitiu que a trajetória de alta da taxa básica de juros pode desacelerar o crescimento da economia brasileira em 2009. De acordo com Bernardo, como a aperto monetário não tem efeito imediato, o avanço esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 é de pelo menos 5%.
Segundo o ministro, a expectativa é de um crescimento forte no segundo trimestre deste ano, até mesmo superior aos 5,8% registrados de janeiro a março. Daí a expectativa otimista para o ano cheio. Apesar de admitir que em 2009 o resultado pode não ser tão bom devido ao arrocho nos juros, Bernardo evitou fazer projeções.
“Racionalmente falando, se estamos fazendo política contracionista, a tendência é ter um crescimento menor no ano que vem. Seria bobagem tentar enganar e falar que vai crescer mais. Mas está muito cedo ainda para apostar e os investimentos estão vigorosos no país, frisou Bernardo, que participou de almoço promovido pela Associação de Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB).
Apesar de esperar um crescimento menor no ano que vem, Bernardo elogiou a postura do Banco Central, que ontem elevou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano. O ministro se mostrou otimista em relação à inflação, que para ele deve fechar o ano acima do centro da meta, de 4,5%, mas dentro da margem de tolerância de dois pontos para cima. “Acho que nós vamos cumprir a margem de tolerância esse ano e em 2009 nosso trabalho vai ser no sentido de seguir a meta de 4,5%”, frisou.










