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Estado-Indutor
Posted By Katia Alves On 26 julho, 2008 @ 2:00 pm In Assuntos,Conjuntura,O que deu na Imprensa,Política Econômica | No Comments
Por Katia Alves [1]
Para Delfim Netto, o Consenso de Washington de foi pobremente simplificada entre nós na receita: “estabilize, privatize e liberalize”. E que essa idéia criaria por si mesmo e por gravidade as condições para um desenvolvimento acelerado e sustentável foi uma das mais cruéis ilusões impostas a governantes bisonhos pelo pensamento hegemônico gerado por uma pseuda “Ciência Econômica.
E que há anos a Economia Política mostra que o desenvolvimento é um fenômeno complexo condicionado pela cultura, pela história, pela geografia, pela antropologia etc., e que depende, para realizar-se, de um Estado-Indutor capaz de cooptar a sociedade para realizá-lo, pois nunca houve um processo de desenvolvimento sem a intervenção do Estado-Indutor.
Por Antonio Delfim Netto
Publicado originalmente na Folha [2]
VIVEMOS A GERAÇÃO perdida com a fórmula do Consenso de Washington para estimular o desenvolvimento. Ela foi pobremente simplificada entre nós na receita: “estabilize, privatize e liberalize”. Dele não aproveitamos sequer as boas receitas como, por exemplo, “manter uma taxa de câmbio real competitiva”.
E, das que aproveitamos, como a privatização absolutamente necessária, fizemos mal e às pressas, para não ir ao “default”, deixando um problema do qual vamos continuar a nos arrepender: precificamos os serviços não-comercializáveis e a dívida dos Estados e municípios por indicadores que refletem os preços dos comercializáveis! A receita do Consenso não era ruim em si mesma. Pelo contrário, boa parte dela (inclusive a sua dúvida sobre as vantagens da liberalização do movimento de capitais) faz sentido.
É preciso reconhecer, entretanto, que ela era, na melhor hipótese, apenas, condição necessária para o crescimento. Estava longe de ser também suficiente. A idéia de que “estabilizar, privatizar e liberalizar” criaria por si mesmo e por gravidade as condições para um desenvolvimento acelerado e sustentável foi uma das mais cruéis ilusões impostas a governantes bisonhos pelo pensamento hegemônico gerado por uma pseuda “Ciência Econômica”.
Há duzentos e cinqüenta anos a Economia Política mostra que o desenvolvimento é um fenômeno complexo condicionado pela cultura, pela história, pela geografia, pela antropologia etc., e que depende, para realizar-se, de um Estado-Indutor capaz de cooptar a sociedade para realizá-lo. É isso que reconheceu, afinal, um interessante e pragmático documento produzido no Banco Mundial sobre o “Crescimento e Desenvolvimento” dos países. Ele chegou à óbvia conclusão que são necessárias boas políticas macroeconômicas, adequadas condições microeconômicas e um Estado-Indutor capaz de produzir a ignição explosiva do “estado de espírito” que mobiliza a sociedade.
O Estado-Indutor é a enzima catalisadora daquela mobilização. O Estado-Produtor deve reservar sua intervenção prática a gerar os bens públicos que só ele pode produzir: a paz, uma tolerável administração da Justiça (inclusive a proteção à propriedade privada), a educação e a saúde para os cidadãos em estado de necessidade, substancial melhora da igualdade de oportunidades e a estabilidade da moeda. Tudo eficientemente, ou seja, com uma carga tributária leve. Nunca houve um processo de desenvolvimento sem a intervenção do Estado-Indutor.
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[2] Folha: http://www.folha.com.br/
[3] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/
[4] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/
[5] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/
[6] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/
[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/
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