Dívida interna mantém trajetória e cresce 0,62%
Escrito por Katia Alves, postado em 25 dEurope/London julho dEurope/London 2008
Por Katia Alves
O relatório do Tesouro Nacional divulgou que a dívida pública federal interna mantém a trajetória de alta motivada pelo impacto da taxa Selic e dos índices de inflação. Em junho, o endividamento, considerando o interno e o externo, chegou a R$ 1,343 trilhão, 0,47% acima do apurado no mês anterior.
Apesar do movimento de alta da Selic, o coordenador de Operações da dívida pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, não “notou” uma forte procura de investidores por títulos indexados à taxa Selic.
Publicado originalmente Gazeta Mercantil
Por Viviane Monteiro
A dívida pública federal interna mantém a trajetória de alta motivada pelo impacto da taxa Selic e dos índices de inflação. Em junho, o endividamento, considerando o interno e o externo, chegou a R$ 1,343 trilhão, 0,47% acima do apurado no mês anterior. Os dados fazem parte do relatório do Tesouro Nacional, divulgado ontem. O resultado foi influenciado pelo aumento de 0,62% da dívida pública mobiliária interna que atingiu R$ 1,247 trilhão. Já o rombo público externo caiu 1,5% para R$ 96,1 bilhões, graças à valorização da moeda nacional em relação às demais moedas que compõem o endividamento externo do governo federal. O Plano Anual de Financiamento (PAF) estima que a dívida pública federal total fechará este ano entre R$ 1,480 trilhão e R$ 1,540 trilhão.
O aumento da Selic, um dos indexadores dos títulos públicos interno, já é visível no crescimento do rombo público interno. Em junho, a parcela do endividamento atrelada a Selic foi de 34,46%, o equivalente a R$ 429,76 bilhões. Ficou abaixo do apurado em maio, de 35,42%. A baixa foi puxada pelo resgate líquido de papéis atrelados à Selic no valor de R$ 13,5 bilhões. Se considerar que a parcela da Selic será mantida nos próximos 12 meses, o impacto direto do aumento do juro de 0,75 ponto percentual sobre a dívida interna será de R$ 3,22 bilhões. A avanço da Selic foi concedido anteontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Se considerar a alta da taxa de juro concedida nas últimas três reuniões – de 1,75 ponto percentual – o impacto direto sobre o endividamento será de R$ 7,52 bilhões.
Apesar do movimento de alta da Selic, o coordenador de Operações da dívida pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, não “notou” uma forte procura de investidores por títulos indexados à taxa Selic. A dívida interna também subiu em virtude da inflação em alta. A fatia dos títulos públicos remunerados por índices de preços saltou de 27,37% para 27,90% entre maio e junho. Por sua vez, a participação dos prefixados nos títulos da dívida oscilou de 34,30% para 34,77% no período.
Diante do incremento das variações da taxa Selic e dos índices de inflação, sobretudo o IGM-P, o custo médio da dívida pública interna saltou em junho para 14,45% anuais, após registrar alta de 14,20% no mês anterior. Nos últimos 12 meses, o custo subiu de 12,72% para 12,91% anuais, em decorrência da maior variação dos índices de preços na comparação com junho de 2007.
O secretário do Tesouro argumenta que o impacto do juro sobre a dívida total do governo federal foi de R$ 12,9 bilhões em junho. Segundo ele, parte da “apropriação” – reserva financeira para o pagamento do juro – foi compensada, entretanto, pelo resgate líquido de papéis no valor de R$ 6,3 bilhões no mês. As emissões totais de títulos somaram R$ 24,5 bilhões. Foram 50,30% indexados à Selic, 28,18% à remuneração prefixada; 20,9% a índices de preços; e 0,53% aos atrelados à TR (taxa de juro de referência).










