Déficit externo atinge US$ 17 bi no 1º semestre
Escrito por lucianasergeiro, postado em 30 dEurope/London julho dEurope/London 2008
Por: Luciana Sergeiro
Devido ao aumento das remessas de lucros e dividendos para o exterior as contas externas do Brasil tiveram
um déficit de US$ 17,402 bilhões no primeiro semestre, o maior já registrado pelas estatísticas do BC para o período. O maior déficit já era esperado por causa da queda do dólar, que, entre outras coisas, impulsiona as importações, reduzindo o saldo da balança comercial. o envio de lucros para o exterior tomou o lugar que antes era dos juros da dívida externa como principal fonte de saída de dólares do país.
Publicado em: Folha de S. Paulo
Graças a um forte crescimento nas remessas de lucros e dividendos para o exterior, as contas externas do Brasil tiveram um déficit de US$ 17,402 bilhões no primeiro semestre, o maior já registrado pelas estatísticas do BC para o período. Só em junho, o resultado foi negativo em US$ 2,596 bilhões, o dobro do previsto pelo BC.
Os números se referem à chamada conta de transações correntes, que inclui todas as negociações de bens e serviços com outros países. O resultado negativo do primeiro semestre corresponde a 2,5% do PIB -por esse critério, o déficit foi o maior desde 2002.
O envio de lucros ao exterior, item de grande peso nessa conta, cresceu 94% e chegou a US$ 18,993 bilhões no primeiro semestre. Bancos, montadoras e metalúrgicas responderam por 51,6% do total de remessas.
Para o economista Antônio Corrêa de Lacerda, da PUC-SP, o maior déficit já era esperado por causa da queda do dólar, que, entre outras coisas, impulsiona as importações, reduzindo o saldo da balança comercial. O surpreendente, diz, foi a velocidade desse movimento, pois, nos primeiros seis meses de 2007, o saldo em transações correntes havia ficado positivo em US$ 2,413 bilhões.
Lacerda ressalta ainda que boa parte do saldo positivo da balança reflete os preços elevados de produtos básicos, que têm grande peso na pauta de exportações. “Há excessiva dependência em relação às commodities, que têm comportamento errático, muitas vezes inflado por movimentos especulativos. Isso tem um preço, que virá em algum momento.”
Esse “preço”, segundo Lacerda, pode vir na forma de uma desvalorização do real no momento em que as cotações das commodities reverterem a tendência de alta observada recentemente. O risco, nesse caso, estaria na pressão que um dólar em alta traria para a inflação.
Para Luís Afonso Lima, presidente da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica), o rápido crescimento do déficit em transações correntes é um fator de risco para o futuro da economia brasileira, mas ele diz que fatores como a redução da dívida externa ajudam a trazer mais tranqüilidade. “Não é um déficit comparável ao que se tinha anos atrás, porque está menos sujeito a incertezas.”
Lima ressalta que, atualmente, o envio de lucros para o exterior tomou o lugar que antes era dos juros da dívida externa como principal fonte de saída de dólares do país. Para o economista, isso é positivo porque, caso aconteça uma desaceleração mais forte da economia, o lucro das empresas instaladas no país também cairia e essas remessas perderiam força.










