Causas reais e os “fracassomaníacos”
Escrito por Katia Alves, postado em 12 dEurope/London julho dEurope/London 2008

Por Katia Alves
Segundo Delfim Netto, G-5, o grupo dos chamados “países emergentes” -Brasil, Índia, China, África do Sul e México rechaçou a interpretação dos países industrializados sobre as causas da inflação e cobraram dos países desenvolvidos mais atenção à especulação financeira que vem induzindo a aumentos extraordinários nos preços dos alimentos.
A inflação planetária que estamos vivendo teve sua origem inicialmente nos preços do petróleo e se propagou aos alimentos. É uma inflação curiosa porque vem de baixo para cima.
Por Antônio Delfim Netto
Publicado originalmente no DCI
Não cabe nenhuma crítica à atitude do G-5, o grupo dos chamados “países emergentes” -Brasil, Índia, China, África do Sul e México- que se reuniu agora em Sapporo, no Japão, cobrando, dos países mais desenvolvidos, um pouco mais de atenção à especulação financeira que vem induzindo a aumentos extraordinários nos preços dos alimentos e elevando os custos da produção agropecuária em todo o mundo.
Ainda que na forma elegante, o G-5 rechaçou a interpretação dos países industrializados sobre as causas da inflação, de acordo com eles o aumento dos gastos com energia e o crescimento muito rápido do consumo de alimentos nos países “emergentes”, cujas economias têm tido a audácia de crescer mais depressa que as demais.
Mas omitiu, olimpicamente, os efeitos mais que visíveis da especulação nos mercados financeiros.
Foi correta, portanto, e perfeitamente adequada a cobrança dos “emergentes”, diante da posição “menos responsável” dos colegas mais ricos…
É claro que a inflação planetária que estamos vivendo teve sua origem inicialmente nos preços do petróleo e se propagou aos alimentos. É uma inflação curiosa porque vem de baixo para cima.
Não é necessariamente produzida por um excesso de demanda generalizado; o aumento de cada um dos produtos tem uma explicação especial: no caso do petróleo, devido à falta de investimentos na exploração de novos campos, em pesquisa ou em refino nos últimos 15 anos, chegou-se a uma situação de equilíbrio: o espaço ficou muito curto entre oferta e demanda. Qualquer incidente menor -uma perturbação na Nigéria, a interrupção passageira de um duto, ou problemas no transporte marítimo- deflagra uma enorme excitação de preços. Para compensar a contínua desvalorização do dólar (que é a unidade de medida dos preços), os petroleiros buscam conservar o seu poder de compra.
Esses fatores se completam com o aumento da intervenção dos hedge funds nos mercados de commodities, na ânsia de se ressarcirem das perdas decorrentes das patifarias malsucedidas no episódio das hipotecas americanas. Além da desvalorização do dólar, a especulação é responsável por pelo menos 40% do aumento nos preços do petróleo, hoje.
No caso dos alimentos, tem-se de considerar o efeito da enorme expansão da economia mundial nos últimos quatro ou cinco anos, explicando o aumento do consumo especialmente na China e na Índia, onde o crescimento do emprego e da renda se somam ao processo de rápida urbanização.
No curto prazo, a oferta de alimentos é inelástica e o mesmo acontece no caso dos metais. Os preços têm de subir e essa é uma situação que só vai se resolver quando se eliminar o problema físico -a expansão da produção e da oferta tanto de petróleo, como dos alimentos e demais commodities.
O Brasil, felizmente, está numa situação privilegiada graças ao crescimento de suas safras agrícolas, mais o sucesso na oferta de fontes alternativas de energia e pelos investimentos que pode fazer em seu próprio terreno para ampliar a oferta mineral em prazos mais curtos que os dos demais parceiros mundiais.
É por causa disso que, apesar das pressões externas, a inflação e suas expectativas têm-se manifestado com menor força internamente. Apesar da torcida dos “fracassomaníacos” de sempre…
O Brasil está em situação privilegiada com suas altas safras, mais fontes alternativas de energia.










