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Blog do Desemprego Zero

Câmbio valorizado deixa país na contramão da Ásia

Escrito por lucianasergeiro, postado em 15 dEurope/London julho dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Publicado em: Monitor Mercantil

Por: Rogério Lessa 

Entrevista: Eliane Araújo – Economista

No intervalo entre 1994 e 2007, a taxa de câmbio brasileira esteve sobrevalorizada ao longo de quase todo o período, sendo que esta sobrevalorização se tornou mais intensa após o primeiro trimestre de 2005. É o que mostra o artigo Análise empírica do desalinhamento cambial no Brasil pós-Plano Real, da economista Eliane Araújo, que mereceu destaque no 11º encontro da Associação Nacional de Pós-graduação em Economia da Região Sul (Anpec-Sul).

O artigo faz parte da tese de doutorado que Eliane está desenvolvendo na UFRJ a partir da defesa da administração cambial competitiva como estratégia de crescimento para países em desenvolvimento. Análise Empírica… discute algumas das causas do desalinhamento cambial e as conseqüências da sobrevalorização para a economia brasileira, destacando os efeitos negativos sobre a indústria e a balança comercial.

“A taxa de câmbio é uma ferramenta importante para gerar crescimento e desenvolvimento e no Brasil está sendo usada para resolver problemas de curto prazo, como inflação e contas externas. A utilização do câmbio como instrumento de política econômica já mostrou que pode trazer benefícios para países em desenvolvimento e poderia beneficiar o Brasil também. Várias pesquisas têm mostrado isso”, defende a economista nesta entrevista exclusiva ao MONITOR MERCANTIL.

Administrar o câmbio parece ser uma heresia na visão neoliberal. O que diz a experiência internacional?

O câmbio é uma viável chave de política econômica. Japão, Alemanha, Itália e os países asiáticos mais dinâmicos utilizaram o câmbio depreciado como estratégia de crescimento. Enquanto os asiáticos adotaram estratégia de crescimento via câmbio competitivo, a América Latina usou o câmbio para estabilizar preços.

Isso resultou numa grande diferença de crescimento entre essas duas regiões, com exceção, agora, da Argentina, que está com padrão asiático de crescimento. A sobrevalorização está prejudicando enormemente a competitividade no Brasil. Países em desenvolvimento devem adotar uma estratégia de desenvolvimento competitivo, mas aqui a política cambial é passiva.

Seu artigo mostra que a sobrevalorização do real aumenta após 2005. Que fatores contribuíram para essa aceleração?

A cotação do real tem três momentos distintos. Até 1999, a sobrevalorização não é tão intensa. Depois, até 2003, há uma pequena subvalorização. A partir de 2005, o câmbio sobrevaloriza por três fatores principais. O primeiro é antigo: em 1992, a abertura financeira implicou renúncia à administração da conta de capitais. A entrada livre de capital externo nos deixou sujeitos às oscilações determinadas pelos fluxos financeiros. Acrescente-se que a prosperidade internacional também favorece entrada de recursos e, consequentemente, a sobrevalorização do real.

A segunda variável a influenciar o câmbio é a taxa de juros, cujo elevado diferencial em relação às taxas praticadas internacionalmente, sobretudo nos EUA, também atrai capitais externos. Uma terceira influência é determinada pela política de controle da inflação a partir da desvalorização do dólar, já que a importação impõe concorrência no mercado interno, favorecendo a queda dos preços. Vale lembrar que há também grande influência do dólar sobre preços administrados.

Apostar na taxa de câmbio para controlar preços internos não é uma armadilha para as contas externas?

Sim, mas ao analisarmos a reação do Banco Central (BC) ao comportamento dos preços fica fácil demonstrar o uso do câmbio para controlar a inflação. A sobrevalorização tem efeitos negativos sobre o balanço de pagamentos, mas, antes, o câmbio valorizado prejudica a qualidade das exportações. Elas têm crescido mais em preço do que em quantum e estão cada vez mais concentradas em produtos de menor valor agregado, ao contrário das importações. Isso representa uma influência estrutural, pois o país está se especializando na produção de bens de menor valor agregado.

Significa que estamos vivendo um processo de desindustrialização?

A desindustrialização por enquanto é uma tendência, mas o que muitos pesquisadores já identificaram é essa mudança estrutural expressa na especialização em produtos de menor valor agregado.

Quando a administração do câmbio passou a ser usada como ferramenta de política desenvolvimentista?

O colapso do sistema de Bretton Woods, em 1973, marcou o fim do regime de taxas de câmbio fixas entre as maiores economias industrializadas. Inicialmente, muitos países em desenvolvimento responderam a esse evento tentando sustentar a paridade fixa de suas moedas. No entanto, com o passar do tempo, a maior parte dessas economias moveu-se em direção a regimes cambiais mais flexíveis, que envolviam ajustamentos freqüentes nas taxas de câmbio.

Para os países em desenvolvimento surgiu essa alternativa de administração do câmbio, via nível de reservas e estabelecimento de limites à mobilidade de capital. Hoje, quando vivemos a circulação de elevados fluxos financeiros, aumenta a importância de administrar a taxa de câmbio, pois a mobilidade de capitais provoca oscilações nas taxas de câmbio dos países.

O Brasil está acumulando reservas cambiais. O nível atual dessa poupança externa é suficiente para aumentar nossa autonomia em relação à política cambial?

Hoje a apreciação é superior a 20%, na taxa real, estando a taxa efetiva acima dos 25%, mesmo com o governo atuando no sentido de acumular reservas. Isto porque as reservas não são capazes de fazer frente ao enorme fluxo de capitais e da taxa de juros elevada que praticamos.

Em seu artigo, há citações do economista Bresser Pereira em relação ao “populismo cambial” e à chamada “doença holandesa”. São fenômenos predominantes no Brasil de hoje?

O câmbio é uma variável estratégica por ter implicações nas exportações e importações, nos salários, consumo e investimento, entre outras. A moeda nacional sobrevalorizada eleva o poder de compra dos salários e, em conseqüência, o consumo das famílias. Ou seja, a idéia de moeda forte aumenta o poder de compra dos trabalhadores. Isso é populismo cambial: usar o câmbio para dar idéia de moeda forte.

E quanto à “doença holandesa”?

Esta se manifesta quando o custo dos produtos que se beneficiam de rendas derivadas dos recursos naturais se torna muito baixo, de tal maneira que a exportação destes produtos é compatível com uma taxa de câmbio valorizada. Isso torna inviável a produção de outros bens comercializáveis internacionalmente, mesmo que tais produtos usem métodos de produção no estado-da-arte da tecnologia.

No Brasil, segundo Bresser, alguns recursos utilizados por setores que fazem parte do agronegócio (café, cana-de-açúcar, laranja, celulose), ou ainda ligados a mineração (ferro e aço) possuem grande rentabilidade, fazendo com que suas exportações sejam economicamente viáveis mesmo a uma taxa de câmbio sobrevalorizada.

Outro motivo apontado por Bresser-Pereira é a alta taxa de juros, que atrai capital externo e valoriza a moeda nacional. Aos influxos de capitais via empréstimo e investimento direto somam-se os capitais especulativos que buscam retornos pelo diferencial entre a taxa de juros brasileira e a externa, de modo que a taxa de juros alta no Brasil é um dos fatores que contribui para a apreciação da taxa de câmbio.

A sobrevalorização cambial é sustentável no longo prazo?

Não. Ela já está mostrando suas conseqüências negativas sobre balança comercial e sobre as transações correntes. A estrutura de nossa indústria e da balança comercial estão sendo negativamente afetadas.

 

 



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