Brasil superpotência ??
Escrito por heldojr, postado em 21 dEurope/London julho dEurope/London 2008
Heldo Siqueira *
Recentemente o Financial Times disse que o Brasil está à beira de se tornar uma superpotência, clique aqui para ler.
Essa conclusão pode parecer estranha para alguns. Entretanto, sob o novo quadro internacional, faz muito sentido.
A dicotomia liberal, sob a qual quanto mais livre forem os movimentos de capitais, menos alternativas políticas um país têm para o desenvolvimento, parece ter dado espaço a um pouco de bom senso. Surfando na onda internacional, parece que o capitalismo brasileiro vai se libertando de algumas amarras do modelo de acumulação internacional. As vantagens comparativas brasileiras parecem estar deixando de ser heranças divinas e passando, gradativamente, a ser frutos de políticas industriais de desenvolvimento focadas para nossas alternativas.
Durante os anos 90, a financeirização global focada nos investidores individuais geraram dificuldades políticas. Com a centralização dos fluxos de recursos financeiros (por agentes individuais), a alternativa para os países intermediários (no qual se inclui o Brasil) incluía o aumento das taxas de juros, na tentativa de honrar seus balanços de pagamentos. Assim, grande parte das receitas tributárias desses governos migrava (e ainda migra) para o sistema financeiro. Com maior facilidade de evadir esses recursos os governos passaram a ser “reféns” dos seus credores (estrangeiros) que passam a cobrar altos juros para manter seus recursos no país. O resultado são cada vez menos alternativas de política econômica e cada vez mais a uniformização. Quer dizer, a liberdade financeira individual limitou as alternativas de estratégias nacionais.
Por outro lado, há alguns anos essas políticas passaram a trazer dificuldades também para os países desenvolvidos. Os fluxos financeiros deixaram os sistemas de preços de commoditties inflacionados e as bolhas financeiras são cada vez mais recorrentes. Nesse “salve-se quem puder”, parece que o Brasil está tomando um rumo interessante, ao pensar políticas alternativas de desenvolvimento, baseado em avanços produtivos e melhora da eficiência que os tempos de vacas magras nos impeliram.
Com esse novo cenário internacional, políticas que visem melhorar as condições produtivas nacionais, aproveitando nossas vantagens voltam a ser alternativas viáveis. Assim, um país com milhões de pessoas sub-utilizadas (desempregadas ou sub-empregadas) e riquíssimo em recursos naturais só não é uma superpotência se não quiser.
* Heldo Siqueira: gremista, economista graduado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Trabalho na Assessoria de Planejamento do IDAF-ES (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo).











22 dEurope/London julho, 2008 as 12:05 pm
Caro Heldo
Penso que devemos aprofundar a reflexão sobre a organização da sociedade brasileira. Raymundo Faoro a descreveu como estamental. Anteriormente, na Primeira República, Alberto Torres a caracterizara em 1914 como brutalmente desarticulada e carente do ponto de vista orgânico de um sentimento de nação.
Segundo Torres, “o Brasil é um país que nunca foi organizado e está cada vez menos organizado” (A organização nacional. 3.ed. Ed. Nacional, 1978. p.160). Os escritos de Torres ainda tratam de questões bem atuais: “Nós carecemos de organização, e precisamos nos organizar, não como instituição jurídica, segundo os modelos de outros, mas como nacionalidade, como corpo social e econômico” (p.168). Não posso deixar de citar a seguinte pérola: “A oligarquia democrática explora a vida pública no Brasil, com o mesmo desembaraço que os senhores punham em explorar seus vassalos” (p.173). Oliveira Viana e Alberto Guerreiro Ramos mergulharam posteriormente no campo intelectual de reflexões aberto por Torres no Brasil.
Parabéns pelo texto!
Um abraço.
26 dEurope/London julho, 2008 as 3:39 pm
só falta virar colorado para obter nota 10.