O autor afirma no artigo abaixo que nos últimos anos, em toda parte, as palavras de ordem eram desregulamentação e liberalização. O resultado foi uma crise financeira monumental nos EUA e em grande parte da Europa. A crise está sendo contida e digerida a duras penas e com forte intervenção dos governos e dos bancos centrais.
E hoje, já é basicamente aceita a interpretação de que o modelo de regulação “light” adotado nos EUA e em outros países desenvolvidos permitiu os excessos especulativos que levaram à crise financeira.
“HÁ POESIA em tudo”, escreveu Fernando Pessoa. Até na turma da bufunfa? Não. Na turma da bufunfa, não. Nada mais antipoético, nada mais antiestético do que essa nociva confraria.
O leitor conhece a minha aversão aos bufunfeiros, especialmente à fração hegemônica da turma -a bufunfa financeira. Motivos não me faltam. A atual crise financeira nos EUA e na Europa Ocidental é o exemplo mais recente do estrago que a ganância e a especulação desenfreada podem fazer.
Um dos grandes problemas da economia contemporânea talvez seja a hipertrofia dos sistemas financeiros.
A concentração de poder e recursos nessa área produz imensas distorções e freqüentemente subordina os governos, os bancos centrais e as políticas públicas aos interesses da finança internacional. Nos últimos anos, em toda parte, as palavras de ordem eram desregulamentação e liberalização.
O resultado foi uma crise financeira monumental nos EUA e em grande parte da Europa. A crise está sendo contida e digerida a duras penas e com forte intervenção dos governos e dos bancos centrais. Leia o resto do artigo »
Postado em 25 dEurope/London julho dEurope/London 2008
Por Heldo Siqueira*
Se economicamente essa crise é de dimensões incertas, já deu uma grande contribuição para a teoria econômica: nem os mais ferrenhos ortodoxos acreditam na liberalização total dos mercados financeiros como alternativa eficiente em alocação de recursos. A financeirização (que para os EUA foi muito mais benéfica que para os países emergentes) dos anos 90 culminou com o estouro da bolha dos sub-prime – aparentemente mais grave que as outras por estar alojada no setor imobiliário, um dos mais elementares de qualquer economia. Em seu bojo, trouxe de volta a discussão sobre os limites da abordagem econômica para prever crises sistêmicas. No Brasil, apesar de permanente, a mesma discussão é reavivada a cada vez que a financeirização provoca dificuldades na economia nacional. Entretanto, enquanto no Brasil só percebemos os seus efeitos nebulosos quando a privatização dos lucros já levou o Estado a problemas de financiamento, nos EUA, a discussão acontece em torno da obrigação do Governo de socorrer agentes financeiros ineficientes.
No Brasil, o Governo – a cada surto inflacionário (nacional ou internacional), que diminuiria os juros reais; ou há qualquer restrição do crédito internacional, que poderia dificultar o processo de arbitragem com as taxas de juros internacionais e retirar dos grandes agentes financeiros lucros importantes – não vacila em aumentar os juros. Na verdade, trata-se de uma atitude pró-ativa em relação a eventuais bolhas. Por outro lado, tanta eficiência custa aos cofres públicos bilhões de reais em recursos lastreados nos impostos dos brasileiros. Na verdade, não se trata de socialização dos prejuízos, mas uma privatização dos lucros. Leia o resto do artigo »
Postado em 25 dEurope/London julho dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris
Brasil
O ministro da Justiça, Tarso Genro, voltou a criticar a condução da operação Satiagraha, que levou à prisão figuras como Daniel Dantas e Celso Pitta. Segundo Genro, a utilização de algemas e grampos devem ser revistos. O inusitado é que tal discussão venha à tona apenas quando graúdos vão parar em cana. Talvez o ministro devesse se ocupar dos casos de milhares de brasileiros que sofrem todos os dias, e ocultamente, os abusos da justiça brasileira.
Economia
A dívida interna pública do governo federal atingiu a marca de R$ 1,247 trilhão no final do primeiro trimestre. Já a alta da taxa de juros teve um impacto de R$ 13,9 bilhões no orçamento no mesmo período. Mesmo com estes dados, o Banco Central já deu o recado: se a inflação apertar, mesmo que seja de custos, a taxa de juros será aumentada. Dias piores virão.
Internacional
Memorandos da CIA, a agência de inteligência norte-americana, elaborados em 2002 e 2003, sugerem que o departamento de justiça dos EUA autorizou a tortura de prisioneiros. A notícia reforça o que já se sabia. A política unilateral do presidente George W. Bush não encontra limites. Os interesses dos grandes lobbies corporativos dos EUA estão acima de tudo e de todos.
Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa, escreve neste espaço às segundas, quartas e sextas-feiras. Meus Artigos